Apontamentos para a História de Cajazeiras

I

Cajazeiras tem suas origens num dote de Luis Gomes de Albuquerque, à sua filha Ana de Albuquerque, quando do seu casamento com Vital de Sousa Rolim, nas terras devolutas das vizinhanças da Lagoa do São Francisco.

Luis Gomes de Albuquerque recebeu estas terras por sesmaria, em 1767, todavia, em 1754, 13 anos antes, o Alferes Francisco Gomes de Brito tornou-se senhor e legítimo possuidor de terras compreendidas em sua sesmaria, justamente onde hoje está a cidade Cajazeiras.

Luis Gomes de Albuquerque deve ter nascido em 1746, na Vila de Igarassu-Pe e seu falecimento ocorreu em Cajazeiras, em 1843, com 97 anos de idade. Foi casado com Luísa Maria do Espírito Santo com quem teve 12 filhos, dentre eles Ana Francisca de Albuquerque, a nossa Mãe Aninha, que faleceu em Cajazeiras no dia 22 de agosto de 1854, exatos 54 anos depois do nascimento do Padre Rolim ocorrido no dia 22 de agosto de 1800.

Cajazeiras jamais prestou qualquer homenagem a Luís Gomes de Albuquerque e ao seu genro Vital de Sousa Rolim – fundador da cidade de Cajazeiras.

II

População escrava de Cajazeiras no ano de 1880

O Presidente da Província, Dr. Gregório José de Oliveira Costa Júnior, no relatório com que passou o governo ao vice-presidente, Dr. Antonio Alfredo da Gama e Melo, em 3 de setembro de 1880, citava que a população escrava de Cajazeiras era de 435 pessoas, uma das menores da Paraíba.

A cidade de Sousa tinha um número de escravos bem superior ao de Cajazeiras, com 1.307, aonde se conclui que Sousa deveria ter uma produção bem maior que a de Cajazeiras, conseqüentemente uma economia bem mais forte.

Um ano antes desta divulgação, em função da grande seca 1878/1879, na mensagem de 4 de outubro em 1883 o presidente da província, José Ayres do Nascimento, apresentou que Cajazeiras entre escravos mortos e vendidos para o sul do país fora de 295 e Sousa 786, o que representou uma forte queda na produção agrícola nestas duas cidades, conseqüentemente  a seca e seus efeitos naquele século eram muito mais cruéis do que nos dias atuais.  Vale lembrar que o tráfico de escravos havia acabado e estávamos às portas da Lei Áurea.

Padre Rolim, quando seu pai, Vital de Sousa Rolim, faleceu herdou vários escravos, mas alforriou todos eles e os outros bens repartiu entre os irmãos.

III

Manoel de Souza Rolim

Primeiro advogado cajazeirense, 1834, Olinda – PE

O primeiro cajazeirense a conquistar o titulo de Bacharel em Direito foi MANOEL DE SOUZA ROLIM, era irmão do Padre Rolim e descendia de um dos primeiros povoadores do município – o sesmeiro Luiz Gomes de Albuquerque, seu avô materno.

Foi criado num ambiente escolar, e levado pelo Comandante Superior José Gomes de Sá Júnior para São José da Lagoa Tapada, onde montou uma escola e foram seus alunos ali o médico Luiz José Correia de Sá, o jurista João Gualberto Gomes de Sá e o consagrado latinista Bento Correia de Sá e Albuquerque.

Foi eleito deputado Provincial (1844-45), quando teve a oportunidade reivindicar a criação de nossa Paróquia. Militou no foro de Sousa onde integrou as hostes do Partido Conservador.

Defendia as idéias abolicionistas, trazidas de Olinda e fustigava com palavras de fogo o regime aviltante da escravatura e ao libertar um seu escravo pequenino, cuja mãe fora alforriada, declarou que a ocasional prerrogativa dessa propriedade espúria não podia sobrepor-se à grandeza do amor materno.

Ao voltar a Cajazeiras passou a integrar o corpo docente do Colégio do Padre Rolim, como professor de Latim e a exercer a atividade como advogado, já que sua terra, com a criação do município, iniciava sua vida forense.

A nove de março de 1872 foi nomeado para reger, interinamente a cadeira de ensino primário de Cajazeiras e ainda neste mesmo ano foi nomeado membro da Comissão Censitária, permanecendo em Cajazeiras até a deflagração da seca de 1877, quando migrou para o cariri cearense.   

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