Tempos estranhos

O recrudescimento da polarização ideológica no Brasil atingiu o nível extremo do aceitável quando nesta terça-feira, (16), o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em plenas dependências do Congresso Nacional ameaçou o deputado Kim Kataguiri (União-SP) e enxotou um influenciador digital militante do Movimento Brasil Livre (MBL) com pontapés, empurrões, sopapos, com direito a um famoso “pé na bunda” que viralizou nas redes sociais.

Este espetáculo deprimente que depõe contra o nosso frágil sistema democrático é apenas a ponta de um iceberg que escancara que o Brasil está virado de ponta-cabeça quando se trata da inter-relação civilizada entre os nossos concidadãos, e dos poderes da República onde um deles buscando um protagonismo exacerbado invade competência dos outros mergulhando o país na maior onda de insegurança jurídica da sua história.   

O pano de fundo desta questão se instalou nessa semana quando o Senado Federal aprovou por larga maioria, 53 votos a favor e apenas nove contra, a PEC 45/2023 que criminalização da posse de drogas em qualquer quantidade numa posição diametralmente oposta ao STF que tende a descriminalizar a posse de drogas em pequenas quantidades, ou seja, a nossa Corte maior quer permitir a posse de maconha no varejo, deflagrando um esdruxulo confronto direto entre esses dois poderes. Afinal, quem legisla é o Supremo ou Legislativo? Uma bagunça institucional sem precedentes.

Outro fato surreal que testemunhamos nestes tempos estranhos que vivemos foi a deflagração de uma greve de juízes. Greve de Juízes? Isso mesmo, meu caro leitor (a). Rebelados com o afastamento de suas funções, magistrados e desembargadores que atuaram na operação Lava Jato do Tribunal de Justiça da 4.ª Região, promovido pelo corregedor nacional de justiça Luís Felipe Salomão, resolveram convocar por meio da Associação Paranaense de Juízes Federais (Apajufe) uma greve de magistrados. O afastamento desses juízes foi visto no Congresso Nacional como uma retaliação e uma verdadeira caçada à força-tarefa que teve a ousadia de investigar, julgar e condenar empresários, diretores de empresa pública e políticos poderosos entre eles o atual presidente da república.

Esses são fatos que ocorrem de forma corriqueira que sabotam a percepção de cada brasileiro de acreditar na Justiça. Como acreditar na Justiça do Brasil quando numa acentuada inversão valores ela cuida e protege o transgressor com uma legislação leniente estimulando a impunidade gerando altíssimos índices de reincidência criminal, que produz uma perniciosa fábrica de bandidos para alimentar o crime organizado no país.

Em toda parte do mundo a polícia atua para defender e proteger e dar segurança para sociedade, aqui no Brasil à inversão de valores é gritante, ela é perseguida, acuada, e acusada, vitima de uma legislação enviesada que a considera uma força opressora. Vivemos tempos estranhos no Brasil.

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