Noventa anos de Tantino Cartaxo

Ele carrega mais de cem quilos em seus noventa anos. Não é fácil porque a idade agrava os efeitos do peso na saúde. Mas Tantino é feito bambu, na ventania enverga mas não quebra. Já enfrentou vendavais sem quedar-se. Há pouco tempo, apareceu um coágulo no cérebro, provocado por um passo desalinhado e ele resistiu à delicada cirurgia. Eu até brinquei: mano velho, morra agora não que já tem gente na ACAL farejando sua Cadeira. Vai esperar muito… ele falou, sem ri e sem chorar, como faria José Américo. Não demorou, lá estava Tantino, de novo, mergulhado em versos, fazendo piada da própria velhice, para gargalhadas de médicos e auxiliares que cuidavam de sua saúde.

Ano passado promoveu um recital de poesia.

Em João Pessoa, encheu o auditório de familiares, amigos, conhecidos, conterrâneos de Cajazeiras. Quis por quis antecipar-se aos noventa anos com uma amostra poética de sua lavra, entremeada com poemas de Cristiano Cartaxo, de quem herdou o gosto pelo verso e a rima. E ocupa a Cadeira patroneada pelo pai na Academia Cajazeirense de Artes e Letras.

Tantino é o oitavo dos doze filhos de Cristiano e Isabel. Joana e ele nasceram no sítio Prensa, refúgio na seca de 1932. Hoje, Nanza, ele e eu somos os remanescentes dos doze. A maioria nasceu com apelido. Constantino virou Tantino. Ana, que completará 98 anos em dezembro, virou Nanza, em homenagem à avó, Ana Antônio do Couto Cartaxo (Mãe Nanzinha), neta do patriarca, o português Joaquim Antônio do Couto Cartaxo, pois era de José Antônio do Couto Cartaxo/Antônia Benedita de Albuquerque. Mãe Nanzinha casou-se duas vezes. Com o tio Serafim Joaquim do Couto Cartaxo, que faleceu jovem, deixando um rebento, Joaquim Antônio do Couto Cartaxo, pai de Joaquim Sobreira Cartaxo (Marechal), farmacêutico, flautista, declamador.

Do segundo casamento de Ana Antônia com Higino Gonçalves Sobreira Rolim nós descendemos. Higino Rolim virou nome da rua que ficou famosa porque Eliezer Rolim a transformou em polo de jovens artistas talentosos.

Dos 12 filhos de Isabel/Cristiano, Ilina, Joana, Tantino e Evan (falecido com seis dias de nascido), sempre viveram em Cajazeiras, salvo pequenos intervalos. Assim, as raízes penetraram firmes na terra. Pouco a pouco, no entanto, Tantino foi escorregando para a capital a fim de gozar do aconchego da família, lá instalada, e de serviços médicos mais avançados. No dia 5, Tantino comemorou seus noventa anos, em João Pessoa. A alma, porém, jamais saiu de Cajazeiras.    

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