Cajazeiras-PB, 20/10/2017

Zecão e o “Rei das Japonesas”

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Creio que Rubismar Galvão, o mais amadurecido da raça ruim dos tempos de ginásio, no entanto, era um presepeiro de marca maior. Articulava diplomaticamente e envolvia a todos com seus conceitos. Foi quem me apresentou para Zecão.
 O referido bodegueiro, homem de estatura alta para os padrões de nossa terra, daí o codinome Zecão. Não era um merceeiro qualquer. Alem de ter um comércio onde se achava produtos não encontrados em outros estabelecimentos, era um letrado. Vivia lendo um dicionário, que estava sempre aberto em cima do balcão.
Gostava de responder a quem lhe perguntava o significado de palavras não muito usuais no dia-a-dia.
Formávamos um grupo para no final das aulas ir aporrinhar o cidadão, com um punhado de palavras difíceis escolhidas a dedo.
E assim sucedeu em várias incursões. O que ele não respondia de bate pronto, disfarçadamente olhava no dicionário entre o atendimento a um cliente e outro e nos dava a resposta.
Nós amaciávamos seu ego com elogios, ele agradecia e se prontificava a nos receber quantas vezes fosse necessário respostas às nossas pesquisas estudantis.
O nosso intuito era que um dia ele se enrolasse não sabendo nos responder algum significado.
 Numa das vezes, alguém engendrou para perguntarmos a diferença entre havaianas e japonesas (os chinelos claro).
Dito e feito. Pergunta articulada e nada de Zecão responder satisfatoriamente. Começou a se aperrear com nossa insistência, pois também tinha fama de ser de pavio curto.
Insistimos na resposta e ele já meio aborrecido disse:

 – Sei não… Vão aí ao vizinho, vão! Ele é que é o rei das japonesas.

 

CLAUDIOMAR ROLIM

SOBRE Christiano Moura

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