Cajazeiras-PB, 24/11/2017
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Vingança não!

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Francisco Pereira Dantas nasceu no sítio Jacu, situado no antigo distrito de Nazarezinho (hoje cidade), que pertencia à Comarca de Sousa. Diz a tradição que foi a morte do seu pai João Pereira, Coronel da Guarda Nacional, assassinado durante uma batalha em seu barracão, quando da construção do açude de São Gonçalo, que o levou a participar de forma ativa de movimentos clandestinos.

A morte do pai levou-o a prender o seu assassino, que foi por ele entregue à polícia para que fosse submetido ao devido e necessário julgamento. Falou, então, que se o liberassem, matá-lo-ia para fazer justiça. Comenta-se que, por razões políticas, a polícia liberou o assassino. Foi o começo do estopim que levou Chico Pereira a ingressar na vida do bandoleirismo, na época em que o “famoso” cangaceiro Virgulino Ferreira, o Lampião, aterrorizava os sertões nordestinos. Conheceram-se, mantiveram contatos e associaram-se em um saque à cidade de Souza, ocorrido na madrugada de 27 de julho de 1924.

Este acontecimento teve o agravante de provocar a desmoralização do magistrado local, gerando a caçada a Chico Pereira. Antes, Chico Pereira havia participado, com um pequeno bando, de assalto à propriedade Rajada, do famoso Coronel Quincó da Rajada, que se tornou seu ferrenho inimigo e prometeu-lhe vingança. Preso em Cajazeiras, foi transferido para Pombal, de onde seria conduzido à Comarca de Currais Novos – RN, onde responderia por um processo com relação ao “caso” ocorrido com o Coronel Quincó da Rajada. Fala-se que havia interesse no julgamento por parte do Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, que estaria “tomando as dores” de uma sua sobrinha, que havia sido cortejada por Chico Pereira, em Curais Novos.

O fato é que a remoção de Pombal para o município norte-rio-grandense teria o objetivo de levá-lo a julgamento. No trajeto, houve o assassinato de Chico Pereira que, segundo relatos dos seus carcereiros, teria sido vítima de acidente automobilístico.

Três fatos curiosos: o primeiro diz respeito às vestimentas usadas por Chico Pereira: não se vestia à moda de um “cangaceiro”, mas à moda do cowboy americano Tom Mix, que conhecia de revistas e seriados da época; o segundo, o fato de haver contraído matrimônio com a antiga namorada, Dona Jardelina – Jarda, para os familiares – em cerimônia ocorrida em Pombal, por procuração, pois já era considerado foragido; terceiro, em cinco anos de casados, quando de sua morte, deixou os honrados filhos que seria o futuro engenheiro Raimundo, o Frei Albano (de nome civil Dagmar) e o nosso sempre relembrado e saudoso Padre Francisco Pereira da Nóbrega (foto), ex-vigário cooperador da Paróquia Cajazeiras, no final dos anos 40, e autor da consagrada obra Vingança, Não!, que seria a última frase pronunciada pelo seu avô, João Pereira, quando de seu assassinato.

FRANCELINO SOARES PARA O GAZETA DO ALTO PIRANHAS

SOBRE FRANCELINO SOARES

FRANCELINO SOARES

Professor e apresentador na Rádio CBN João Pessoa.

COMENTÁRIOS

  1. Elisiane

    Aprecio bastante a leitura do folhetim digital “Coisas de Cajazeiras”, pois todos os seus colaboradores são, pelo menos para mim, exímios escritores. Primam pela boa escrita sempre não importando sobre o quê irão discorrer sua história. Há quase dois anos os acompanho e os tenho salvo nos “favoritos” para que me lembre sempre de “folheá-lo”.
    É imensa a saudade que sinto de minha terra e através deste agraciado folhetim relembro locais e eventos que me marcaram sobremaneira. Além do que fico inteirada acerca de fatos atualizados também.
    Ficam aqui meus sinceros votos de que continuem assim, uma vez que é tão difícil hoje em dia encontrarmos boas leitura e escrita.
    Parabéns

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