Teatro reinaugurado: e agora?

TATYANA
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Pronto! O Teatro Íracles Brocos Pires foi, com as pompas e horas que faz por merecer, tanto a figura que dá nome a ele, bem como nossa cidade carente desse precioso espaço cênico; está entregue ao público.

Devemos registrar, que, ao contrário de muitos, o Governador Ricardo Coutinho tem começado e terminado suas obras, o que não faz mais que seu dever como governante, os seus antecessores é que poderiam (e podem) ser considerados maus gestores.

Mas não precisamos ficar fazendo digressões sobre este caso, não tenho necessidade de me sentar e ficar escrevendo para compor loas a quem quer que seja, o propósito de eu escrever essas mal traçadas linhas, para meus parcos leitores, que o professor Gildemar Pontes calcula que sejam apenas umas sessenta pessoas que nos leem, o propósito é diverso.

Seria o que fazer para que esse espaço que tanto nos custou, em tempo e em dinheiro de nós contribuintes, tenha a sua finalidade consequente, ou seja, que não se transforme num elefante branco cênico, mal utilizado.

Tivemos há muito tempo, um movimento cultural que incluía o teatro (a mais barata das artes), que era bastante respeitado e até admirado aqui e em outras paragens, infelizmente por diversos motivos, e um deles foi o longo tempo em que o Teatro ficou em obras.

Se nossos segmentos culturais tiverem um poder de articulação e até, uma certa capacidade de esquecer nossas diferenças paroquiais e conseguirmos tanto produzir, como assistir nossos trabalhos locais e de outras praças, iremos fazer por merecer essa obra que nos é entregue.

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Mas existem, e irão existir, tanto aqui como noutros lugares, a inveja o ressentimento, as sequelas dos desentendimentos do passado, que muitas vezes nos fazem (qualquer um inclusive o locutor que vos fala) querer diminuir o valor dos trabalhos alheios, o mundo da cultura é rico em tais sentimentos.

Nossa cidade conta com um reforço recentemente chegado que dispõe de algumas condições incomuns por nossas plagas, o atual Secretário de Cultura Ubiratan, que aparentemente (talvez por estar recém-chegado), que pode conseguir aparar as algumas arestas que com o tempo se formaram entre os seguimentos da cultura de nossa cidade, em que se aplaude os politicamente alinhados com seu cordão e nada que o outro lado fizer tem valor, não, e Bira já demonstrou que pode estar a altura de desamarrar alguns desses nós, posso dar o exemplo de que ele compareceu a reinauguração promovida pelo Governo do estado, em tese, adversário do grupo político que tem as rédeas do Município.

Nunca é tarde para lembrar o passado ruim que deve ser superado. No ano 2000, quando se comemorou o Bicentenário do Padre Rolim, tiveram que se improvisar no Colégio Mons. Milanez, todo o suporte, camarins, depósito de cenários, local onde guardar os instrumentos, porque se achou que o evento, uma comemoração do Bicentenário do fundador de cajazeiras pertenceria à oposição e o teatro ficou trancado a sete chaves durante todo o decorrer desse evento, coisa que a cidade como um todo deveria envergonhar, como de fato, eu como cidadão me envergonho.

Tendo o cuidado de evitar excessos como esse, ou até outros menores, a gente precisa dizer o óbvio, e até repeti-lo. Um evento cultural que não seja manifestamente dirigido para a política, é um evento cultural, simplesmente
isso e assim deve ser visto. Um ator, e vou citar dois dos nossos vereadores, Jucinério e Rivelino, quando sobem num palco, como que deixam de ser entes políticos e naquele momento, são simplesmente personagens da peça, e não os atores da peça de gosto duvidoso que se representa todas as semanas na nossa Câmara Municipal, qualquer pessoa com inteligência mediana deveria entender isso.

O problema, é que recentemente não temos visto isso, esse é o ponto que deve ser superado para que possamos pelo menos aspirar a que tenhamos um movimento cultural que tenha algum respeito, para isso, quero acreditar, é que se tenha gastado tanto na restauração de nosso teatro.

Tenho a ousadia de pensar que podemos fazer por merecer. Senão, ficam todos esses esforços em vão. Fico na torcida.

PEPÉ PIRES FERREIRA É ENGENHEIRO MECÂNICO E ADVOGADO

ELIANE BANDEIRA

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