Sinval Rolim (1)


CASA DE SINVAL ROLIM - COISAS DE CAJAZEIRAS
CASA ONDE NASCEU SINVAL ROLIM, NO SÍTIO PÉ BRANCO (FOTO: REPRODUÇÃO)

 

Se os meus leitores questionarem – por que perfil de Sinval, se eu com ele não convivi? –, apenas lhes direi que, desde a minha infância, também me fascinou a vida aeronáutica.

Não sei se devo isso à aproximação dos meus familiares com Antônio Tomaz, nosso piloto maior ou mesmo com Geni, a filha de Dona Cota, parteira de mão cheia e abençoada que atendia as parturientes em domicílio.

Quanto ao primeiro, os cajazeirenses ainda hoje dele se lembram e o reverenciam; quando à segunda – Geni – poucos dela sabem, mas foi umas das primeiras aeromoças do Brasil, nos tempos da antiga Panair, e que mereceu até matéria na revista da época, o Cruzeiro.

Eu a conheci, quando de uma sua visita à nossa cidade, nos anos 40, mas nunca se falou de quem era o seu pai… Moça bonita, fardada a rigor, deixava-nos, a nós crianças, fascinados com a sua presença juvenil, que chegava a nos provocar os primeiros alumbramentos.

Fruto de tudo isso, o meu filho primogênito, Aleks, chegou a permanecer oito anos como sargento da aeronáutica, depois de passar dois anos na escola de Guaratinguetá e, posteriormente em estágio em Cumbica-SP, entrando em atividade profissional na Barreira do Inferno, Natal-RN.

Mas, perdoem-me essas divagações! O que eu queria mesmo era lhes falar de Sinval Rolim. Somente o conheci em um evento da AC3, de que participei na Capital cearense, tempos atrás. O meu conhecimento é/era com alguns de seus doze irmãos que permaneceram por aqui: Acácio, Romualdo, Auta e Julieta.

Pois bem! A vida de nosso perfilado de hoje também me causa ainda muita admiração. Sinval nasceu onde nasceram quase todos os seus irmãos, na Fazenda Pé Branco de Baixo, nas cercanias de São João do Rio do Peixe.

Não era cajazeirense, mas era um “cajazeirado” da gema, pela origem dos seus pais, Luiz Cartaxo Rolim e Francisca Braga Rolim, de famílias tradicionais, com vínculos familiares, inclusive, com o Padre Mestre, patrono-fundador da cidade.

O casamento dos pais ocorreu na então Igreja Nossa Senhora da Piedade, em 11 de setembro de 1914. Sinval era o quarto filho de uma “safra” de doze: Acácio, Romualdo, Antônio, ele próprio, Clóvis, Tereza, Ilda, José, Adauto, Idézio, Auta e Julieta, estas duas últimas foram minhas colegas nos bancos escolares do Grupo Escolar Monsenhor Milanez, se me não falha a memória.

Os filhos do casal Luiz/Chiquinha, sobretudo os homens, na primeira infância, já se dedicavam, por educação e princípio domésticos, aos afazeres agrícolas e pecuários que lhes impunha o pai: roçado, plantação de feijão, milho, jerimum, melancia, mas, sobretudo, à comercialização de leite in natura e de queijo de coalho, que a mãe “fabricava”.

Os estudos, porém, não foram menosprezados. Como os irmãos, Sinval aprendeu as “primeiras letras” – o tradicional bê-a-bá –, a tabuada e a caligrafia, na escola particular de Dona Vitória. A “sala de aula”, se é que assim pode ser chamada, era rudimentar: chão batido, tamboretes rudes e domésticos, que os próprios alunos conduziam nas segundas-feiras e levavam de volta para casa na sexta-feira.

E, diga-se de passagem, que eles percorriam cerca de um quilômetro e meio de ida e igual percurso de volta, com o assento às costas… Exemplo edificante para a nossa hodierna juventude, que só vai à escola/aula de carro, de moto, de van e, ainda, para os mais necessitados, se houver um bom lanche. (Noutros tempos, chamávamos de “merenda” e se resumia a um doce “similar”,  ou a um pirulito, ou a uma cocada de coco, na hora do “recreio”).

Mas a vida era levada assim: um expediente na escola, e o outro no roçado ou no curral. Vencida a primeira etapa escolar, havia a necessidade de os filhos irem rumando para a cidade de Cajazeiras, onde frequentavam o curso primário, geralmente na escola do professor Crispim.

Essa história continuará na próxima semana ou, como se dizia aos final dos seriados exibidos no Cine Éden: “Voltem na próxima semana!”

FRANCELINO SOARES

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