Síntese histórica de Cajazeiras


LOGOMARCA CAJAZEIRAS 150 ANOS - Reinaldo Romao - MODELO (4)

Cajazeiras, cidade do alto sertão oeste da Paraíba, en- cravada na região do vale do Rio do Peixe, afluente do Rio Piranhas, é uma localidade que tem sua história bem diferente das demais lo- calidades da Paraíba, do Ceará, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco. Seu nome originou-se de um sítio que se denominava “CAJA- ZEIRAS”; acha-se edificada nas terras da Sesmaria que fora concedida em 7 de fevereiro de 1767, pelo Governador da Capitania Jerônimo José de Melo, ao pernambucano Luis Gomes de Albuquerque, um dos colonizadores da região do vale do Rio do Peixe, o qual veio a ser mais tarde, avô materno do Padre Inácio de Souza Rolim, o sábio, o Mestre, o santo, de impe recível memória.

No local do antigo sitio, origem de nossa cidade, segundo os historiadores, existiam numerosas árvores frutíferas da espécie do cajá, motivo pelo qual a localidade fora batizada com o nome de Cajazeiras.

Como núcleo social, político, econômico, e religioso, Cajazeiras tem sua originalidade singular, dentre todas as cidades do Brasil, excetuando-se São Paulo, pois teve como a Metrópole paulista, seus alicerces firmados em um estabelecimento de ensino. “Nasceu ao beiral de um Colégio”.
A primeira casa de Cajazeiras (fazenda), foi construída no inicio do Século XIX, no local onde é o atual “Cajazeiras Tênis Clube” (foto). Pode-se dizer: ali nasceu Cajazeiras. A pedra fundamental de sua edificação fora a cada Grande da fazenda, residência de VITAL OE SOUZA ROLIM e ANA FRANCISCA DE ALBUQUERQUE, casal do qual se originou a grande família cajazeirense: GOMES LINS DE ALBUQUERQUE – SOUZA ROLIM COELHO CARTAXO – BEZERRA DE MELO.
Ao lado direito da casa da fazenda VITAL DE SOUZA ROLIM construiu um açude para armazenar água para abastecer os moradores da localidade e serventia para a criação do gado e de animais diversos pertencentes aos proprietários e fazendeiros nas circunvizinhanças.
Esse açude (foto), que foi um dos fatores primordiais do desenvolvimento desta comu- nidade, posteriormente am- pliado, é o atual “Açude Gran- de” da cidade, cuja principal barragem está localizada entre os clubes: “Cajazeiras Tênis Clube e Clube e 1º de Maio”. Esse local É atraente e é um dos mais aprazíveis de nossa cidade. £ a nessa praia; é a praia de Cajazeiras.
Em frente à casa da fa- zenda, ao nascente, no planalto do outro lado co Riacho das Cajazeiras, ANA FRANCISCA DE ALBUQUERQUE construiu, juntamente com os seus escravos, uma pequena casa de oração, que serviu de capelinha da localidade, consagrada a Nossa Senhora da Piedade sob o título de Padroeira da comunidade cristã, que surgiu nestas plagas perdidas nas caatingas bravias do sertão brabo, do sertão selvagem.
Construída a capelinha, ela passou a ser o centro de atração espiritual dos fieis habitantes desta região e servir de abrigo para a celebração dos atos religiosos da familia cristã, que formava o núcleo social, que nascia neste torrão nordestino, sob o signo da fé, dentro das natas, nos tabuleiros desertos, nestas plagas berço das secas e dos cangaceiros, situada nos longínquos sertões do extremo norte da Paraíba.
Mais tarde, alguns anos depois, ao lado norte da capelinha de Nossa Senhora da Piedade (atual Igreja Matriz de N. Senhora de Fátima), foi edificado o Colégio do Padre Rolim (atual Colégio Nossa Senhora de Lourdes). Assim Igreja, Colégio e Açude formaram as três colunas básicas, que serviram de tripé, sobre o qual se levantou e se firmou, como núcleo social, e- conômico, político, religioso e cultural, a nossa querida e progressista cidade de Cajazeiras.
LUIZ GOMES OE ALBUQUERQUE, o velho pernambucano proprietário de todas as terras contidas na Sesmaria que fora concedida pelo Governador da Capitania à sua pessoa, residia na fazenda Lagoa, localizada a sudoeste desta cidade, hoje uma das mais importantes fazendas do Município de Cajazeiras, cujo proprietário ê o senhor JOSÉ LACERDA DE SOUZA, mais conhecido pelo nome do ZEZINHO LACERDA.
As terras do sítio Cajazeiras foram doadas por LUIS GOMES DE ALBUQUERQUE a sua filha ANA FRANCISCA DE ALBUQUERQUE, por motivo do seu casamento com o cearense VITAL DE SOUZA ROLIM, natural do Jaguaribe.
Desse consórcio nasceu entre outros filhos do casal VITAL ROLIM – ANA FRANCISCA, INÁCIO a 22 de agosto de 1800, o qual, dotado de vocação religiosa, iniciou os seus estudos no Crato, Ceará, continuando em Souza, seguindo depois para o Seminário de Olinda, Estado de Pernambuco, onde concluiu o curso de preparação eclesiástica, ordenando-se sacerdote em outubro de 1825.
Em junho de 1948, o então Prefeito Municipal de Cajazeiras, senhor ARSÉNIO ROLIM ARARUMA, de saudosa memória, sancionou um projeto transformado em Decreto-Lei, de autoria do então Vereador de nossa Câmara Municipal, senhor GEMINIANO DE SOUZA, também de saudosa memória, aprovado por unanimidade dos seus pares, instituindo o dia 22 de agosto – DIA DA CIDADE, tornando perene a memória saudosa do PADRE ROLIM.
Desde 1946, Cajazeiras comemora solenemente, todos os anos, a passagem do dia 22 de agosto, dia do PADRE ROLIM, dia de Cajazeiras.
Portanto, devemos frisar bem: o dia 22 de agosto não é a data da fundação da cidade; é sim, a data em que se comemora o aniversário de nascimento do fundador de Cajazeiras – PADRE INÁCIO DE SOUZA ROLIM.
O PADRE ROLIM, o nosso festejado Padre Mestre, depois de haver lecionado várias matérias, durante alguns anos, nos principais estabelecimentos de ensino de Olinda e de Recife, granjeando fama de cultura e sabedoria, retornou à sua terra natal, onde iniciou a grande e nobre missão de educador, ensinando os sertões da Paraíba a ler.
Em 1843 fundou nesta localidade uma casa de ensino das letras, à qual ele batizou com o nome pomposo de COLÉGIO. Esse Colégio em poucos anos se tornou conhecido e famoso, atraindo alunos, não só das regiões sertanejas da Paraíba, como também dos Estados vizinhos. O Colégio do PADRE ROLIM cresceu, valorizou esta região e foi o fator primordial do nascimento ou edificação da cidade de Cajazeiras, que se singularizou na História do Brasil, tendo, como a Capital de São Paulo, os seus alicerces firmados sobre as bases sólidas de um estabelecimento de ensino.
Cajazeiras, fazenda, tornou-se povoado florescente. Pertencia ao município de Sousa. “Por Lei Provincial no 5 de 29 do agosto de 1859, a capela feita por ANA FRANCISCA DE ALBUQUERQUE (mãe do Padre Rolim), foi elevada à categoria de Matriz, passando a ser sede Paroquial. Pela mesma Lei foi criado o Distrito de Cajazeiras. Pela Lei provincial no 9 de 23 de novembro de 1863, foi criado o “Município de Cajazeiras, cuja sede foi elevada ã categoria de vila, desmembrando-se do município de Sousa. A instalação do Município de Cajazeiras se deu a 20 de Junho de 1864 assumindo o governo municipal o Padre JOSÉ TOMAZ DE ALBUQUERQUE, primeiro Chefe da edilidade cajazeirense. Pela Lei no 616, de 10 de junho de 1876, Cajazeiras foi elevada a categoria de cidade com a criação da Comarca respectiva”.
E bom que se diga aos cajazeirenses e ao povo que habita nesta terra do Padre ROLIM, que era junho de 1976, Cajazeiras estará completando cem anos de cidade.
Cajazeiras depois de trinta e oito anos de sua elevação à categoria de cidade foi constituída Sede Episcopal. Pela Bula Pontifícia – “MAJUS ÇATOLICAE RELIGIONIS INCREMENTUM” -, de 6 de fevereiro de 1914, do Santo Padre Pio X, foi criada a Diocese de Cajazeiras, que teve o seu 1o Bispo um cajazeirense, bisneto de ANA FRANCISCA DE ALBUQUERQUE e sobrinho-avô do Padre Rolim, Dom MOISÉS COELHO, de saudosa memória, nomeado por Sua Santidade o Papa BENTO XV.
Com a criação e instalação da Diocese, Cajazeiras tomou novos rumos, traçando novas metas para o seu desenvolvimento. Cresceu. Prosperou. E continua crescendo. E continua prosperando, sobretudo no campo da educação e da cultura das letras. Cajazeiras está cumprindo o seu destino de cidade MESTRA, pioneira da educação nos sertões da Paraíba. Temos uma casa do ensino superior, a Faculdade de Filosofia, Ciências o Letras; temos 6 estabelecimentos de ensino de 1 o e 2 o grau; um Seminário Diocesano; mais de uma dezena de Grupos Escolares do Estado  e do Município espalhados na área das zonas urbanas e suburbanas de numerosas escolas primárias isoladas.
No campo industrial, Cajazeiras quase não tem o que apresentar. O que temos mais importante, nesse setor, são duas usinas de beneficiamento de algodão, com o aproveitamento dos subprodutos.
Com um comércio bem desenvolvido e próspero, Ca- jazeiras, no setor de transporte rodoviário, está bem servida. Mantém, diariamente, diversas linhas de transporte rodoviário, ligando-a com todas as capitais do Nordeste, com o Sul do País, inclusive São Paulo.
No setor das finanças temos três casas de crédito bancário: Agência do Banco do Brasil, Agência da Caixa E- conômica Federal e Agência do Banco do Estado da Paraíba.
Além de tudo isto podemos enumerar ainda: os serviços de abastecimento d’água, energia elétrica, comunicações tele- fônicas, inclusive uma estação do Micro-ondas, duas bandas de música, três cinemas bem instalados, um Hospital Regional, uma Maternidade, um pavilhão (anexo ao Hospital) para tratamento de tuberculosos, um Posto de serviço médico de urgência do INPS, um ambulatório do FUNRURAL e uma Agência do INPS.
Cajazeiras, como núcleo social, surgiu despretensiosamente no cenário das comunidades interioranas. Entretanto, hoje é uma das grandes cidades da Paraíba, com mais de 30 mil habitantes, possuindo mais de 7.500 prédios. E uma cidade feliz, de povo ordeiro e pacato. Atualmente temos à frente do Governo municipal um Prefeito moço e dinâmico, o jovem Bacharel ANT0NI0 QUIRINO DE MOURA, que, em dois anos e meio de administração, apresenta aos seus municípios volumoso acervo de melhoramentos e benefícios executados a bem do desenvolvimento da comunidade, sobressaindo-se a construção do moderno prédio sede da Biblioteca Pública Municipal. O Prefeito ANT0NI0 QUIRINO, logo de inicio, conquistou a simpatia e a confiança do povo, recebendo a consagração da comunidade cajazeirense com o “SLOGAN”: – O PREFEITO DA ESPERANÇA.
Concluindo, temos o orgulho santo e satisfação imensa de apontar ao povo de nosso terra, como fator máximo do progresso atual de Cajazeiras, as duas emissoras locais: – Difusora Rádio Cajazeiras (a pioneira) e Rádio Alto Piranhas (a caçula). Ca- jazeiras, no cenário social, e- conômico, político, cultural e religioso de todo o Nordeste do Brasil, é uma cidade bem conhecida, bastante simpatizada e muito valorizada , graças á atuação eficiente da divulgação de tudo o que se passa em nossa comunidade, através dos programas e noticiários dessas duas emissoras, que elevam e dignificam a nossa terra, comprovando que Cajazeiras é mesmo o berço da cultura dos sertões oeste da Paraíba.
Com isto, vemos, com alegria e muita satisfação, que Cajazeiras não parou; e não pode parar; continua e continuará para a frente, marchando, com esperança e otimismo, para o grande encontro com o Ano 2.000, porta do entrada para o século XXI, o Século das grandes e terríveis decisões da Humanidade.


PUBLICADO EM 1976

1 Comment

  1. Neudson Claudino
    16/02/2016

    Muito boa a narração sobre Cajazeiras, da fundação ao desenvolvimento.
    Parabéns.
    Gostaria de enviar imagens de material de identificação da minha participação nas comemorações de centenário de minha querida CAJAZEIRAS, que constou também de um congresso da AESP -Associação dos Estudantes Secundaristas da Paraíba. Favor sugerir um e-mail ou outro canal de comunicação, já que aqui não é possível enviar imagens.

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