Rivalidade entre Cajazeiras e Sousa (3)

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Cajazeiras tem inveja de Sousa no campo da atividade política. É comum a gente lamentar o pequeno número de deputados federais e senadores cajazeirenses, que vivam nossos problemas e lutem com afinco em Brasília pelos nossos interesses. Isto é questão recorrente em Cajazeiras, sobretudo às vésperas de eleição, quando é usual lembrar o nome do primeiro deputado federal cajazeirense: Antônio Joaquim do Couto Cartaxo. E que só em 1954, após 60 anos, veio o segundo, Ivan Bichara Sobreira! O terceiro, eleito em 1982, foi Edme Tavares. Depois tivemos os meteóricos Zuca Moreira e José Aldemir. O senador Raimundo Lira está na lista apesar de ser mais de Campina Grande do que nosso. Existem ainda os suplentes que exerceram mandato: os senadores Otacílio Jurema e Deca do Atacadão, os deputados Chico Rolim e Vituriano de Abreu.

É muito pouco para um município de mais de 150 anos que, durante décadas, foi o quinto colégio eleitoral da Paraíba. Pouquíssimo, comparado à situação de Sousa. Este humilhante confronto vem de longe. Desde o Império Sousa tem representação no congresso nacional.

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No parlamento estadual não era diferente.

No Império e na República Velha (1889-1930) era comum a presença de um Gomes de Sá, um Marques Guimarães, um Sá e Benevides, um Fonseca de Andrade, um Silva Mariz. Já os Rolim e os Cartaxo minguavam na assembleia estadual. Veja que ironia: o primeiro dos nossos a ocupar cadeira na capital da província, Manoel de Sousa Rolim, integrou a bancada do Partido Conservador, como representante de Sousa. Homenagem à povoação de Cajazeiras? Que nada! Indicado pelo coronel José Gomes de Sá Júnior, chefe político em Sousa. Como assim? O irmão do padre Rolim, nosso primeiro advogado, abriu escola em São José da Lagoa Tapada para ensinar aos Correia de Sá. E lá se casou. Por isso, virou deputado.

Na República Velha a hegemonia de Sousa persistiu, tanto no parlamento federal como na assembleia do estado, a ponto de continuar a ter, muitas vezes, dois ou três deputados numa mesma legislatura. Esse privilégio Cajazeiras só alcançou após a Constituição de 1946, com João Jurema, Hildebrando Assis e Ivan Bichara! O ciúme de Cajazeiras, portanto, tem forte base histórica.

Essas coisas me fazem lembrar um fato real, ocorrido em 1975. Empossado governador, Ivan Bichara veio a Cajazeiras. Eu o acompanhei como secretário de planejamento do seu governo. Naquela ocasião, mantive conversa informal com um antigo colega do Ginásio Salesiano Padre Rolim, quando falamos de projetos importantes para o governo executar em Cajazeiras. Ele se entusiasmou com o papo, apontou obras prioritárias e, muito sério, disse mais ou menos isto:

– Ivan deve fazer tudo por Cajazeiras… agora, tem uma coisa, não pode levar nada pra Sousa. Frassales, você tem que dizer isto a Ivan.

Não revelo o nome do protagonista desta historieta para evitar constrangimento. Por trás dessa visão estavam décadas da frustração cajazeirense, por sentir-se inferiorizada na representação política frente à supremacia de Sousa. A presença de Ivan seria a grande oportunidade de Cajazeiras, na percepção do meu amigo. Em vão tentei convencê-lo da impossibilidade de Ivan Bichara assumir tal postura, irrealista, fora do contexto da época e, sobretudo, do feitio do ilustre cajazeirense que governou a Paraíba sem discriminações. Sousa mereceu dele tratamento condizente com o seu porte, seu potencial e sua força política, aliás, ajudado pelo advogado Eilzo Matos como secretário de Justiça.

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FRASSALES CARTAXO É ECONOMISTA E ESCRITOR

ELIANE BANDEIRA

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