Cajazeiras-PB, 24/11/2017
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[RAFAEL HOLANDA] O alcance do milagre

Uma noite de intensa chuva em minha terra fui convocado para exercer mais uma vez a função de tentar com as minhas forças e ajuda de Deus buscar uma maneira de salvar mais um jovem vitima de acidente.

No meio do caminho, alguém dirigia o carro de maneira descontrolada e impedia o meu acesso em mais rapidez ao hospital. Por buzinar e pedir uma passagem, o grande motorista resolveu parar o carro para tomar satisfação.

Desceu do carro com sinais visíveis de embriaguez e perguntou: que o motivo da tentativa de passar a sua frente? Apenas respondi que era médico e me sentiria muito chateado se o paciente que necessitava de minha ajuda fosse seu filho.

Este motorista, como que destilando todo seu álcool e se tornado sóbrio, começou a chorar e este choro convulsivo me comoveu a ponto de descer do carro com eu guarda-chuva e tentar consolar este tristonho senhor.

O mesmo pediu desculpas e solicitou o meu telefone para posteriormente me procurar para um dialogo franco e livre de radicais etílicos. Dei o meu cartão e passei adiante para chegar onde a tempestade esperava.

Era na realidade um jovem de 16 anos que vinha em franca agonia decorrente de acidente de moto e por coincidência também guardava em suas entranhas uma grande quantidade de álcool.

A família se achava aflita e após exames tomográficos foi indicado uma cirurgia com a finalidade de tentar salvar aquele jovem que estava mais para os campos celestes do que continuar no seio de sua família.

Foi uma luta titânica, mas após o nosso esforço junto com a somatória de todos os funcionários do hospital conseguimos levar o jovem para UTI num estado de observação rigorosa,porém com grande chance de retornar para casa.

Quando desci do centro cirúrgico, toda família esperava ansiosa por respostas que pudessem consolar o inconsolável.O que me chamou atenção era que entre os aflitos estava o senhor que tentava impedir que chegasse ao hospital. Após um dialogo franco com todos, e se já aprontando para ir de retorno à minha casa por volta das 2 horas da manhã, o senhor veio em minha direção e pediu mil desculpas, pois a sua magoa era devido ter perdido um filho há dois anos atrás devido acidente de moto.

A sua vida virou de cabeça para baixo e recorria à bebida, uma maneira de sossegar a sua saudade, mas a minha resposta que esperava que não fosse o seu filho que necessitava dos meus préstimos marcou de forma profunda.

Ao me acompanhar no trajeto do hospital com a finalidade de pedir perdão, por coincidência encontrou em choro convulsivo a sua irmã passando pela mesma trajetória e levando também a sua cruz.

Graças à Deus tudo deu certo, o jovem retornou ao convívio de sua família, o cidadão em pauta procurou ajuda de um psiquiatra para lhe livrar do alcoolismo e o final mostrou para todos como se alcança um milagre.

SOBRE RAFAEL HOLANDA

RAFAEL HOLANDA

Médico e escritor. Reside em Campina Grande-PB.

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