Cajazeiras-PB, 17/10/2017

[PEPÉ PIRES FERREIRA] Os doidinhos nossos de cada dia

babalu

Vi, na semana passada, uma das nossas doidas mais populares, não me sei seu nome, mas seu apelido, ou como ela é mais conhecida: Babalú. Quase não a reconheci, bem vestida, calça camisa azul, tênis, etc. Parecia gente; disseram que ela estaria saindo do local de tratamento, achei uma coisa muito boa.

Mais tarde, no Decio’s bar, me mostram um vídeo de celular, onde a mesma está com as calças abaixadas, e depilando as partes íntimas; nem parecia a mesma pessoa, e a sensação foi de tristeza, pois havia tudo voltado ao que era antes. Lembro-me de uma situação ocorrida há anos, em que eu, bebendo na Praça do Espinho vi aquela figura numa parte menos iluminada, levantando o vestido até o pescoço e mostrando aquela estranha nudez, aí me disseram quem era e que ela seria louca: cenas semelhantes se repetiriam. Essa é apenas uma das figuras patéticas que povoam nossa cidade desde tempos imemoriais: no meu tempo a Noventa e nove (Toinha – essa tinha nome) e outros Marimbondo, Cinturita, Boi Levi, Maria (este se chamava Bastião) etc. que eram chamados seus “Nomes de Guerra”, e respondiam das mais diferentes formas (Otacílio Cartaxo se referia, no seu livro Homens e bichos a Borboleta e seu marido que não lembro seu nome e esses respondiam com palavrões). E nossa natureza perversa se deliciava. O homem é um ser perverso, gosta de ver (os outros) se dando mal, ou em situações ridículas, senão qual a razão de mais de vinte anos vendo as “pegadinhas do Faustão” e outros programas de mau gosto similar que enchem nossas televisões e agora os vídeos caseiros veiculados pela Internet?

Bem chegando ao assunto principal dessas mal traçadas, antogamente se resolvia este problema trancado as (os) Genis ( da famosa música de Chico Buarque) nos hospícios ou manicômios, ai haviam aqueles tratamentos mas chegados à tortura, como os eletro -choques, e outros igualmente desumanos para parar as crises, e também, nos casos mais graves, uma tal de lobotomia pré – frontal, que tirava cirurgicamente a agressividade do Doido, desligando parte de seu cérebro – tornando-o uma espécie de zumbi. Os tratamentos eram um horror.

Mais recentemente, e com o desenvolvimento dês mais diversas drogas (falo de medicamentos), existem alternativas para aqueles tratamentos. Então se desenvolveu a teoria que virou a política Antimanicomial, hoje em voga que criou, entre outras novidades, os CAPS, certamente uma avanço inegável, mas como outras coisas, comandada pelo nosso estado paternalista, delirante e hipossuficiente (ou seja liso), essa boa idéia, de tratar os “fracos de mente” integrando o com a sociedade, fique semelhante ao comunismo: uma boa idéia, mas que não funciona. Esses nossos concidadãos teriam de ter que ser assistidos por especialistas, e esses faltam, e muito, então se juntam boas intenções com recursos (humanos e financeiros) limitados, e o resultado fica bastante (para usar um termo amigável) aquém do que sería de se esperar.

Um aluno com capacidade limitada, sem ser acompanhado por um especialista, pode causar incômodo ao restante da turma, tenho uma experiência pessoal nesse caso, pois como tenho, assim como toda minha ascendência e descendência, uma capacidade de pensar com profundidade, e em contrapartida, pouca agilidade mental e menor ainda capacidade de improvisação, então a gente, eu meu pai e alguns de meus filhos costumamos falar só, o que era chamado de lezeira, doidice, pois não era considerado comportamento normal, e meus colegas ficavam me gozando (como até hoje…) Imagine um aluno com síndrome de Down (que eram chamados de mongolóides) por exemplo.

No nosso caso familiar, a gente até por sermos considerados inteligentes, eram tolerados mesmo naquela época e a de meu pai, mas de vez em quando pediam para amarrar o doido (eu), mas era somente gozação, quando se chegava a coisa séria, me chamavam (como chamam) até hoje, agora imagino uma pessoa que realmente tenha uma deficiência mais grave, esses casos, na minha opinião, deveriam ser cuidados por especialistas, usando se for o caso, medicamentos e serem acompanhados, etc. Cada caso é um caso, e nossos recursos além de limitados, parecem ser mal utilizados, nosso estado (o ente estatal) se arvora de achar que tem condições para fazer, o que em muitos casos não pode, aí os especialistas ficam sendo as pessoas comuns, os professores comuns, e a natureza perversa da humanidade. O resultado está aí, tudo misturado, e nos acasos mais graves, troca-se a política anti – manicominal pela política cemiterial, Com o auxilio da Moto Preta…

P.S. – Dedica-se estea a minha amiga Norma, Supervisora do CAPS, com quem já tive e vou ainda ter, discussões maravilhosas.

SOBRE PEPÉ PIRES FERREIRA

PEPÉ PIRES FERREIRA
Engenheiro mecânico e advogado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *