Cajazeiras-PB, 12/12/2017
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[PEPÉ PIRES FERREIRA] Ilina de Dr. Cartaxo e os entrelaçamentos familiares

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Faleceu, com mais de noventa anos, de causas naturais, Ilina Sales Cartaxo, a filha mais velha de Dr. Christiano Cartaxo, meu tio-avô, irmão de D. Crisantina Pires Cartaxo (D. Cartuxinha), minha avó paterna. Tinha a vida pacata de quem era, o que hoje dizemos figura reclusa, que tanto criou como foi criada pelos seus pais, formou-se no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, e coincidentemente participou da comemoração do aniversário de seu irmão Frassales, em que eu estive presente há poucos dias, para surpresa nossa, que Ilina não costumava sair de casa para quase nada. Na realidade, sem saber, estávamos nos despedindo dela.

Vala a pena caro leitor, dissertar sobre alguns aspectos do entrelaçamento das famílias de nossa cidade, e para não enfadarmos o leitor com datas e nomes, contar uma história interessante sobre as famílias Rolim e Cartaxo de que fazemos parte, tanto eu como a falecida.

No final do Século XIX, as famílias Cartaxo e Rolim, eram políticas uma com a outra, conotação um tanto distante do que hoje se entende por isso, naquela época eram as vias de fato e não as urnas (que sequer existiam), que resolviam as questões na sociedade, o venerável Padre Mestre solucionou este problema arranjando e ele mesmo celebrando um casamento em roda (coletivo), de três primos legítimos da família Rolim, com três primas legítimas da família Cartaxo, os nubentes eram os seguintes: Cel. Sabino Rolim, que se casou com D. Leopoldina Cartaxo, Cel. Joaquim Matos, que se casou com D. Idalina Cartaxo (Sinhazinha) e Major Hygino Rolim, que desposou D. Ana Cartaxo (Mãe Nenzinha), e produziram suas proles, de quem descendem muitos cajazeirenses ilustres, e outros nem tanto, como o locutor que vos fala; sou descendente desses dois últimos casamentos, fruto desse enorme entrelaçamento de nossas famílias.

Agora vou contar uma história fazendo referência a estas, que no final espero que meu paciente leitor entenda: Meu bisavô materno, um dos nubentes desse famoso casamento, Cel. Matos, comprou de um dos primeiros promotores de justiça que passou pela nossa cidade, uma pianola (um piano pequeno) e depois, se entusiasmou pelo instrumento, e fez trazer, por intermédio de seus parceiros comerciais de Mossoró, um magnífico piano alemão, marca Freruic, da cidade de Leipzig.

Este piano veio de Mossoró até aqui de carro de boi, numa viagem que durou meses, e que o Coronel prometeu entregar à filha que melhor soubesse tocar. Quem se destacou como pianista foi sua filha mais velha, Ilina. Esta veio a se casar com meu tio avô do lado paterno, também descendente desse casamento coletivo, filho de Major Hygino Rolim, Dr. Christiano Cartaxo, que depois de celebradas as núpcias, ela recebeu o piano no novo lar, e o Cel. Matos também mandou no dia seguinte o dote de Ilina. Mas este encarregou a uma das suas filhas mais novas, Tia Cyntia, de levar a quantia ao novo genro. Quando Dr. Christiano contava o dinheiro, Cyintia fez o comentário fatal: “Hi, Cartaxo, tá rico!”. Então Dr. Christiano Cartaxo fez o que somente ele poderia fazer: Mandou entregar de volta o dote e o piano, deixando para Cel. Matos por escrito que tinha se casado com sua filha e não com seu dinheiro. Assim esse magnífico piano ficou para D. Sinhazinha, e como minha mãe era a única neta que depois de casada veio a residir em Cajazeiras, ela o legou para minha ela, D. Íracles, que por sua vez veio como herança para o locutor que vos fala.

Agora expresso que Dr. Christiano tinha uma afeição desmedida por sua primeira esposa, que veio a falecer por ocasião do parto da segunda filha, depois de passado o luto, este veio a se desposar D. Isabel Sales Cartaxo (Dona Belinha), e teve numerosa prole, e a primeira filha do casal ele batizou como Ilina, em homenagem à sua primeira esposa; esta que nos deixou sábado.

São essas e outras histórias que minha mãe e minha avó Cecília, se dedicavam com grande zelo a transmitir para mim, e que eu agora aproveito o momento e faço questão de registrar. Nossas origens, e em especial as boas origens que deus me fez o favor de legar, é o que indica nosso lugar neste mundo, um legado para minha (nossa) posteridade.

Fica a minha homenagem à prima distante (do mundo); ela vivia numa dimensão interior quase inacessível, sem preocupações, numa felicidade que nos invejava, a gente comentava: Ilina e Lineto (meu tio e primo dela), que a gente dizia viverem no mundo da lua, eram os membros mais felizes de nossas famílias. Essa felicidade se foi…

P.S. – Recebi no outro domingo, a visita de Rogério Galvão e de Wlisses Estrela de Albuquerque Abreu, que me deram entre outras coisas, o recente livro de autoria do segundo, São João na Colônia e no Império. Ainda não acabei de ler, mas me impressionou desde as primeiras páginas, pela profundidade da pesquisa. Este ao lado de Rogério, se afiguram como as maiores expressões na pesquisa histórica de nossa cidade mais próxima, e legítimos sucessores de Rosilda Cartaxo. Quando terminar a leitura,vou comentar, desde mas já fico com inveja do alcance da(s) obra(s).

SOBRE PEPÉ PIRES FERREIRA

PEPÉ PIRES FERREIRA

Engenheiro mecânico e advogado.

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