Cajazeiras-PB, 21/10/2017

[PEPÉ PIRES FERREIRA] Dona Maria de Seu Waldemar

Há alguns anos, compareci a uma missa em memória de D. Nazaré Lopes, e quando reparei quem estava presente, somente vi poucos pais dos amigos, contemporâneos, então cheguei à óbvia conclusão: Nossos pais já foram, e de agora (já faz bom tempo) em diante iríamos nós. Por uma infeliz coincidência, Valiomar Rolim, um dos poucos de nós que contava com pais vivos, antecipou minha conclusão e prematuramente se foi…

Depois foi Seu Waldemar Matias, e agora (seu enterro foi domingo) se vai sua esposa, D. Maria de Seu Waldemar, merecedora de consideração por parte de nossa comunidade, e que mais que merece essas e muito mais linhas.

Quando eu era menino, e comecei a ter noção de mundo, a gente começa tomando conhecimento de sua rua, no meu caso, a Aprígio Sá, e conheci os filhos de Seu Moacir, depois os de Sinval Cartaxo (Bigodão – pelo fato de ostentar essa característica), mais adiante fui vendo Sabino Filho, Carlos Alberto Montenegro (mais tarde Beto), e mais adiante o pessoal de Chico Rolim, que era prefeito e logo depois foi morar em São Luiz, e Seu Waldemar e D. Maria. Eram Vilmar (mais velha – que hoje perece mais nova), Valtimar, Vilzimar, Valiomar e Waldemar filho (Nenzinho), que em diferentes proporções mantive e mantenho ainda muitos laços. Era uma casa com um recuo enorme, e sempre lá ou na loja (Armazém das Fábricas), os via constantemente. Eram os comerciantes que poderíamos considerar paradigmáticos, que sempre, não importasse a circunstância tinham uma atenção especial por não só a gente, velho conhecido, mas com todos os cliente, e por quem quer que entrasse em contato.

Uma vez, mais recentemente, D. Maria me chamou, e falou: Pepe, estou reparando que você agora está usando camisa de manga comprida, e encomendei umas camisas para você, no caso era porque o médico de pele tinha me aconselhado e eu sem dizer nada a ela, tinha tido o tirocínio de reparar na mudança de hábito de seus clientes e trabalhado no sentido de servir-lo . Quando chegaram as camisas, eu as adquiri, e me sentindo uma pessoa especial, como meu exemplo, existem de situações semelhantes aos milhares, que fazem a diferença do comerciante comum, daqueles que nasceram para isso, ou têm o dom do comércio, inclusive a satisfação do cliente. Aconteceu essa, e outras situações em que D. Maria tinha as pessoas como que conquistadas; tudo, o cuidado a simpatia, na loja, e quando mais novo a gente ia para sua casa (tinha uma quarto separado) nos preparar para as festas, ou mesmo para tomar algumas (Valiomar tocava violão) era sempre da mesma forma, todo mundo se sentia especial. Que não teve essa convivência com D. Maria e Seu Waldemar – que muita gente chamava carinhosamente de “Padim”, ficou na perda.

Há alguns anos perdemos Seu Waldemar, agora se vai D. Maria. Com certeza, nossa comunidade fica mais empobrecida, D. Maria vai fazer falta quando a gente olhar para o Armazém e não vê-la lá distribuído simpatia.

Se registra a perda e se divide com os filhos, que são os que mais sofrem nessas horas.

Missão cumprida D. Maria, vá em paz…

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SOBRE PEPÉ PIRES FERREIRA

PEPÉ PIRES FERREIRA
Engenheiro mecânico e advogado.

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