Cajazeiras-PB, 21/10/2017

[PEPÉ PIRES FERREIRA] Cajazeiras contra as drogas

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Assisti em parte, a campanha liderada pelo novo comandante do 6º Batalhão de Polícia, Tte. Cel. Enéias Cunha, em que se enfatizava uma coisa que todo mundo já devia estar cansado de saber há muito tempo: O problema das drogas é de todos nós, é um problema social. Infelizmente, a gente normal de nossa cidade, como a de quase todo lugar, pelo menos as que tem a sorte de o problema não bater à sua porta, teimam em achar que deveria ser relevado às autoridades responsáveis e que apenas dizendo um “eu também sou contra as drogas”, e estaria resolvido (pelo menos nas suas cabeças) o problema.

Temos que aceitar e em alguma medida reconhecer os esforços do Comandante, que poderia se reservar ao papel do combate aos que se envolvem com esse mundo e vem tentar sensibilizar as outras autoridades, prefeitos, entre outros da grande dimensão desse problema, que tem a ver mais com nossa cultura individualista e excludente, do que com o crime e a conseqüente repressão a esse “delito social”, que assistimos todos os dias e na maioria das vezes a gente finge que não é conosco, e para nos livrarmos de um pedinte incômodo, oferecemos até uma moeda, sabendo que esse terá como fim o bolso de algum traficante, servindo para continuar o problema agravado em mais um pouquinho, e nesse óbulo, por nossa causa. É como a gente comum trata esse problema, como não sou eu, pessoalmente, que vou comprar a pedra, por exemplo, não faço parte do problema.

Assim, faz sentido o fato do Tenente-Coronel deixar por um tempo seus afazeres e encampar essa campanha, que junto com padre Jamílson, se fortalece.

Agora, o que nunca devemos achar, é que pode estar resolvido ou pelo menos bem encaminhado, o problema tem uma dimensão muito maior: Está tão enraizado na nossa cultura que para resolve-la haveria de se trabalhar nos mais diversos setores, de forma permanente, obedecendo a diretrizes que há muito já deveriam ter sido estabelecidas. O trabalho de disseminação da questão social “O problema meu e seu”, parece repetitivo, mas indispensável para não se matar a árvore, pelo menos diminuir, a saúde dos ramos mais vistosos desse problema tão grave e que nos envolve, e muitos, ou mesmo a maioria, deixa p`rá lá. Bater repetidas vezes a tecla, pode sensibilizar mais gente, e se encontrar algum tipo de solução, no limite das possibilidades. Assim vejo o valor dessa campanha ora encabeçada pelo Tenente Coronel, que pode até frutificar, é um bem vindo esforço que ele deixe seu trabalho e venha às ruas apresentar o gravíssimo problema e se somar aos que exigem um caminho para ao menos diminuir a gravidade desse câncer que nossa sociedade deixou que se alastrasse por nosso tecido social

Boas idéias até podem surgir, como foi a proposta do prefeito de S. José de Piranhas em aproveitar a área e os prédios do acampamento da Transposição para tratar dependentes, é uma grande idéia, mas assim como a Fazenda Esperança que nossa Prefeita tentou viabilizar, esbarrou na burocracia e indiferença de um Estado (o ente estatal) que nunca chega, e se chegar, como está acontecendo com a Transposição do rio São Francisco pode não ser a tempo. A falta de água tem três anos. O que inviabilizou a Fazenda Esperança pode perfeitamente (infelizmente essa possibilidade é real), tornar inviável a realização desse centro regional de recuperação de dependentes químicos, pelo contrário, se não existir um trabalho permanente, incansável e organizado, dificilmente terá êxito.

Senão, mesmo as boas intenções de nosso Comandante do VI Batalhão, do Vigário da Paróquia S. João Bosco, da nossa Prefeita dos seus colegas prefeitos, e de todos os que estão se envolvendo nessa empreitada, pode mais uma vez cair no vazio.

Existem até pequenas vitórias, devo ressaltar e elogiar o trabalho de minha amiga Gil, coordenadora do CAPS AD, que tem, apesar das enormes dificuldades, fazer acontecer algumas recuperações impressionantes de dependentes que andavam a perambular por nossa cidade, mas é a exceção que confirma a regra.

Agora, sem o apoio e participação da sociedade em todos os níveis, todo esse esforço, e trabalho de mobilização desses envolvidos, pode gerar resultados menores que o esperado, ou até cair no esquecimento.

Tudo o que vier para ajudar é muito bem vindo.

SOBRE PEPÉ PIRES FERREIRA

PEPÉ PIRES FERREIRA
Engenheiro mecânico e advogado.

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