Cajazeiras-PB, 22/10/2017

Paraíba registra 118 mortes por Aids este ano

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Uso compartilhado de seringas e principalmente relações sexuais sem uso de preservativo. Essas são algumas formas de contágio do Vírus Humano da Imunodeficiência (HIV), responsável pela quarta doença que mais mata no mundo: a Aids. Nos últimos quatro anos (2010-2013), quase 500 paraibanos morreram por conta da doença, e neste ano, já foram 118 óbitos pelo mesmo motivo, conforme dados repassados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Amanhã, será comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Em toda Paraíba, de 2010 a 2013, a doença foi a causa da morte de 497 pessoas. Isso significa uma média anual de 124 óbitos de soropositivos.

Quando a prevenção não é respeitada e há contaminação, o diagnóstico precoce, seguido pelo tratamento adequado, é capaz de diminuir uma possível sentença de morte. Ainda segundo a SES, graças ao trabalho intensificado de conscientização, por meio de campanhas educativas, os diagnósticos têm sido realizados cada vez mais cedo. No entanto, a secretaria adverte que o problema não pode ser banalizado, pois 322 novos casos de Aids já foram notificados no Estado, apenas neste ano. No grupo desses novos soropositivos, 106 são de João Pessoa e 42 de Campina.

O Complexo Hospitalar Clementino Fraga, na capital, é referência no atendimento a pacientes com a sorologia positiva para o HIV, assim como os Hospitais Universitários e os Serviços de Assistência Especializada (SAEs).

As estatísticas da SES revelam que as pessoas do sexo masculino têm mais a doença, somando 231 notificações no mesmo período, 71,7% do total. Já em relação à faixa etária, pessoas com idade entre 30 e 39 anos registram a maior incidência com 117 casos (36,3%).

A coordenadora da Gerência Operacional das DST/Aids e Hepatites Virais da SES, Ivoneide Lucena, salientou que o tratamento da Aids avançou muito nos últimos anos, mas que é preciso ficar atento. “A doença hoje não é mais sinônimo de morte, mas também não pode ser banalizada. É uma doença crônica que é possível conviver tomando alguns cuidados”, disse.

Ivoneide Lucena destacou que atualmente existe uma gama extensa de medicamentos para o tratamento. “Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente o coquetel antiAids para os que necessitam do tratamento. Além dele, existem 22 tipos de antirretrovirais (ARVs) com 40 apresentações, divididos em seis classes. Para combater o HIV é preciso utilizar 3 ARVs combinados, sendo 2 medicamentos de classes diferentes, que podem ser combinados em um só comprimido”, explicou.

Para ela, a falta de informação não deixou de ser um problema, mas o dia 1º de dezembro, data em que é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, serve para reforçar e ampliar as informações. “É difícil alegar que falta informação, especialmente quando se fala em adolescentes e jovens, tão antenados e conectados. O sexo não pode ser encarado como um tabu”, completou.

Campina Grande tem 42 novos casos da síndrome

Campina Grande já contabiliza 42 novos casos de pessoas que convivem com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV) somente este ano, segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde. A população masculina representa a maioria desses números, somando 31 casos, enquanto o de mulheres corresponde a 11. A secretaria não disponibilizou dados de anos anteriores.

Para a secretária de Saúde do município, Lúcia Derks, a falta de conscientização do uso do preservativo ainda é o fator que mais contribui para o aumento dos casos de HIV, sobretudo em homens.

Segundo ela, a facilidade do diagnóstico também influenciou na descoberta de novos casos. “Nós estamos aumentando o acesso ao exame rápido, tanto no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) quanto nas próprias Unidades Básicas de Saúde (UBS) e isso tem feito com que mais pessoas saibam que são portadoras da doença”, disse.

JORNAL DA PARAÍBA

SOBRE Christiano Moura

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