O véi do zovão

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Há cerca de vinte anos, ao retornar do sul do país, passei uma estadia de quase um ano em Cajazeiras, tentando dar continuidade aos negócios do meu saudoso avô Pedro Flor da Torrefação do Café Asa Branca.

Nesse ínterim, revi amigos de infância, relembrei estórias passadas, escrevi uma série de crônicas que nunca publiquei, como também procurei me inteirar dos acontecimentos cajazeirenses, uma vez que estava ausente por muitos anos da terrinha.

Dos causos que me contaram, um diz respeito ao prefeito Francisco Matias Rolim. Na sua última eleição para prefeito, nos festejos comemorativos, um correligionário mais entusiasmado, buscou colocar o prefeito estrondosamente eleito, nos ombros e carregá-lo passeata afora.

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Daí se deu conta da pesada responsabilidade e sentindo-se incomodado no cangote. Não com o peso do prefeito, visto que  era um sujeito forte, marrudo, como se diz em Cajazeiras, e comentou com um outro partidário ao seu lado.

– Eita véi dos zovão!!!

É tanto, que ouvi várias vezes o povão falando à época (1991), da seguinte forma:

– Carrazeira precisa de novo é de um prefeito feito o véi do zovão.

MARCOS DINIZ - CAJAZEIRENSE RESIDENTE EM FORTALEZA/CE
ELIANE BANDEIRA

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