O liseu e o carnaval


Afinal se reconhece alguma coisa, recentemente, o recém-nomeado presidente do Bradesco, que a memória me falha seu nome, mas que começo como contínuo no Banco, e chega a presidência de nosso maior Banco, num país que se esmera em proteger seu setor financeiro, fez a seguinte afirmação, mais ou menos nesses termos Não me sinto confortável ao administrar uma empresa rica instalada num país pobre”, Pronto, até os maiores beneficiários desse movimento que tirou o dinheiro do povo, colocou de novo o país no mapa da fome, e achatou toda uma classe média emergente de volta a um patamar mais baixo, e praticamente inviabilizou qualquer investimento que se poderia fazer no país, quase foi completamente paralisado, e se chega a extremos de se comemorar que no ano passado foram criados 29.000 empregos, sem se lamentar os 7.000.000 de empregos extintos pela crise dos anos passados.

Em todo lugar onde se vá, se ouve falar nessa crise, e de tanto não que o desempregado leva, muitos desses param de procurar trabalho, enquanto isso, nos Estados Unidos se vive no pleno emprego e há menos de dez anos, nós eramos quem vivíamos essa situação.

Erros do passado, equívocos do presente, e principalmente essa corrupção desenfreada que grassa o país de ponta a ponta, tudo isso contribui para o desânimo geral. Tenho minhas dúvidas de que as eleições que se aproximam, conseguirão nos colocar de volta aos trilhos da prosperidade que antes, mesmo de forma equivocada trilhávamos.

Mas o que esse tema nocional tem a ver com nossa Cidade, e em especial com o carnaval?

Como resposta, temos a dizer, que tudo; essa crise quase generalizada, e a quase todo mundo, a partir dó Presidente do maior conglomerado financeiro do país, consegue notar, vem de alto a baixo em todos os aspectos da vida nacional se manifestando, aqui na nossa longínqua cajazeiras, não podia ser diferente, quem teve a oportunidade de passar conosco o período momesco, pode ver (eu particularmente vi e bem), o carnaval da economia, o carnaval do “menos”, desde os investimentos nas contratações das bandas, até ricos depósitos que simulavam latas de cervejas, que eram compradas nos supermercados a preço mais baixo, e no exagerado consumo das cachaças mais baratas pelo po-
vão, e as reclamações dos vendedores que não venderam o esperado. Ou seja quase todo mundo de alguma forma reclamou. Mas desde a forma como foi concebido o carnaval aqui na América portuguesa, que há menos de duzentos anos era um país escravocrata, o carnaval como disse Rui Barbosa há mais de um século, é um tempo para o povo se divertir, já que vive a penar durante o resto do ano, e tem esse breve lapso de tempo para descontrair; depois, volta a mesma vida de penúria, e um pouco mais agravada, já que mesmo com o novo período eleitoreiro se aproximando, a crise teima em ficar. O país desceu para abaixo da linha de pobreza.

Vou tecer poucos comentários sobre esse período, para registrar: Ficou mais consolidado o desfile dos blocos; particularmente o do Cafuçu, que graças ao esforço de um cidadão, Júnior Terra, mesmo doente e de doença grave, consegue fazer que nossa cidade supere muitas de suas barreiras sectárias, e está se tornando, se já não é, o maior bloco de nosso carnaval, mesmo com muito pouco incentivo; e me ponho ao lado dos que podiam incentivar mais.

A Praça do Frevo, fez a reedição dos carnavais passados, uma tradição também contando com poucos recursos, em destaque o grupo Frevuna, da cidade de Uiraúna, que lá desenvolve um processo de formação musical melhor que o nosso, nossa banda Santa Cecília, não sei os motivos, não dispõe do entusiasmo de nossa co-irmã.

A novidade que eu realmente vi e senti nesse ano, foi a relocação da Praça do Rock, que distante da concorrência dos trios elétricos que a paralisavam, e sem ter que ter que revesar com a praça do Frevo, conseguiu mostrar nossos valores, e vou dar como exemplo no domingo, Rominho e o filho de Naldinho esses tocando guitarras, o neto de Nancy Vasques, tocando bateria, e na segunda feira, a banda Baião d’Doido, essa minha vizinha, pois ensaia ao lado de onde moro. Todos esses, eu posso atestar, se prepararam muito para essa apresentação, e valorizaram a prata de casa.

Quanto ao resto, uma atração como Márcia Felipe, atrai público onde quer que ela se apresente, mas cobra seu preço. Sempre tive alguma restrição a esse pagamento, mas é o que o povão quer, e se nada se apresentar, a reclamação vem, e os organizadores pagam o preço.

Antes, eu queria emitir minha opinião, se a gente conseguisse fazer com que mesmo minimamente houvesse uma comissão que durante o resto do ano pelo menos pensasse o carnaval do próximo ano, as coisas poderiam serem melhores e mais baratas.

Temos o exemplo das escolas de Samba cariocas e paulistas, que termina um desfile e já estão pensando no do próximo ano.

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