Cajazeiras-PB, 19/11/2017
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Leitão: um símbolo de Cajazeiras

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Com o falecimento de Francisco de Vasconcelos Leitão, conhecido popularmente como Leitão, aos 87 anos de idade, morre um dos últimos símbolos mais representativos da história da cidade de Cajazeiras.

Nascido em 19 de janeiro de 1918, em Brejo do Cruz, chegou a Cajazeiras com apenas 3 anos de idade. Era um cajazeirado que amava esta cidade de forma incomum, solidária, extremada, dedicada e fervorosa. Para ele só existia uma cidade no mundo que prestava: Cajazeiras.

A sua vida foi sempre voltada em defesa dos interesses maiores da cidade. Até a sua morte, ocorrida no último dia 3, era o único sócio fundador vivo do Rotary Clube de Cajazeiras, criado no dia 11 de julho de 1948. Era a única e última testemunha viva da célebre reunião realizada no Hotel Oriente, presidida pelo médico Deodato Cartaxo, inaugurando o Rotary Clube de Cajazeiras, que este ano completou 57 anos de existência.

Leitão era um entusiasta do Rotary Clube, trazia dentro de si um dos grandes lemas deste clube de serviço: “mais se beneficia quem melhor serve” e primava pela melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e privada. Foi através das mãos de Leitão que ingressei no Rotary Clube de Cajazeiras, no dia 22 de fevereiro de 1971. Ter sido afilhado de Leitão, para mim, sempre se constituiu num grande orgulho, principalmente por ele ter sido um dos fundadores do Rotary de Cajazeiras.

O grande companheiro Leitão, além de ter participado de quase todas as funções no Conselho Diretor, foi presidente deste Clube no período 1962/1963.

Leitão além de ter sido um grande rotariano, era também maçom, desde 1941, sendo ainda o mais antigo de Cajazeiras, no grau 33. Foi também Venerável Mestre da Loja Maçônica Presidente Roosevelt, tendo sido o doador do terreno onde hoje está edificada a Loja União Maçônica Cajazeirense.

Uma das marcas mais representativas de Leitão está associada às Casas Pernambucanas. Não se podia falar nesta loja, sem antes lembrar esta figura que a simbolizava e seu nome era mais forte do que a casa comercial que ele foi gerente por 33 anos consecutivos.

Como homem público serviu a Cajazeiras com muito desvelo e abnegação, tendo sido secretário municipal na administração de Francisco Matias Rolim e ainda quando da grande luta para instalação de uma companhia telefônica em nossa cidade, Leitão foi conduzido, por mérito, a ser diretor da Companhia Telefônica de Cajazeiras.

Era um homem que participava de todas as lutas para carrear obras e benefícios para nossa cidade, sempre ao lado de Chico Rolim, Monsenhor Vicente Freitas, Raimundo Ferreira, Wilson Rodrigues e outros. Esteve presente na luta pelo telefone, pelo abastecimento d´água, na volta do trem, pelo sinal de televisão, na luta pelo aeroporto. Participava de todas as festas sociais da cidade ao lado de sua grande companheira e brava mulher Benvinda Leitão. Sempre foi um grande defensor do Cajazeiras Tênis Clube, inclusive pertenceu à sua diretoria durante muitos anos.

Do casamento de Leitão com Benvinda nasceram três filhos: Deusdedit, que é médico e homem público, com uma grande folha de serviços prestados a Cajazeiras; Roosevelt, assessor da Câmara dos Deputados, em Brasília e Getúlio, empresário, com atuação na cidade de João Pessoa. Leitão conseguiu deixar como grande e imorredoura herança para os filhos que foi o seu grande amor por Cajazeiras e tenho sido testemunha deste amor por Cajazeiras que os filhos de Leitão têm.

Cajazeiras perde um dos símbolos maiores de sua história.

 

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE PARA O
GAZETA DO ALTO PIRANHAS - ED. 347 (5 a 11/08/2005)

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