Cajazeiras-PB, 24/11/2017
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[JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE] Poder e glória

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“Dos infinitos desejos do homem, os principais são o poder e a glória” (Bertrand Russel).

O poder foi e será sempre o grande fascínio e desejo do homem, mas a história nos tem dado exemplo que jamais um homem por mais poder que ele possa ter tido em suas mãos se tornou eterno.

Quem detém o poder geralmente atrai um grande número de pessoas em sua volta, a maioria para ficar sobre a sombra do ungido com o objetivo de ser também poderoso e beneficiado e frequentemente são os considerados “amigos do poder”

Há um ditado popular que diz: queres conhecer uma pessoa lhe dê o poder. Infelizmente, muitos ficam irreconhecíveis, porque além do poder “lhe subir à cabeça” almeja a glória.

Mas em sua infinita sabedoria, um grande amigo meu, de saudosa memória, Monsenhor Vicente Freitas, quando se deparava com fatos desta natureza, costumava afirmar: o cemitério está cheio de pessoas que se consideravam poderosas e insubstituíveis.

Lembro de uma cena do cotidiano de Cajazeiras: um valoroso homem público, que costumeiramente bebia a sua cerveja, de preferência com espuma, enquanto estava no poder vivia cercado de “figuras”, que além de não deixar faltar cerveja em seu copo, lhe acendia o cigarro e dava grandes gargalhadas com as piadas sem graça que contava e depois que o poder lhe fugiu das mãos, no mesmo bar onde sempre bebia sua geladinha, ninguém mais aparecia para lhe paparicar. Sozinho, amargava a saudade e a solidão do poder e ninguém mais estava ali para disputar quem pagaria a cerveja que o “chefe” bebia.

Quem em Cajazeiras teve mais prestígio que Otacílio Jurema? Poucos. E terminou seus dias de vida em companhia de seus fiéis cachorros e de três amigos que o acompanhavam em sua caminhada matinal pelas ruas de Cajazeiras.

O ex-prefeito Zerinho me dizia: “quando acordo às cinco horas da manhã e olho pela janela para ver quantas pessoas têm para falar comigo e eram numerosas me alegrava, mas quando tinha duas ou três eu ficava logo preocupado e me indagava: o que está acontecendo?” Hoje, José ao abrir a sua janela vê apenas a imagem de Nossa Senhora de Fátima, em seu jardim, esta sim sua fiel protetora e amiga a quem recorre em seus momentos de precisão. E o povão por onde anda? Aqueles de ontem eram os “amigos do poder”.

Agradecimento – Quero agradecer as inúmeras manifestações de carinho e apreço que recebemos pela passagem do aniversário de fundação da Rádio Alto Piranhas, que neste último dia 1º de julho completou 49 anos de vida.

Preocupante – Comenta-se que no próximo ano teremos mais um ano de seca no Nordeste. Só tem uma saída para o problema do abastecimento de água: dar prioridade às obras da transposição das águas do Rio São Francisco. Com a palavra a classe política.

SOBRE JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

Professor e historiador, fundador do jornal Gazeta do Alto Piranhas e diretor da Rádio Alto Piranhas.

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