Cajazeiras-PB, 18/11/2017
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[JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE] Dom Francisco de Sales

Em 1915, o primeiro bispo de Cajazeiras para assumir os destinos da Diocese recém criada, teve que utilizar três meios de transporte: num navio do Porto de Cabedelo na Paraíba até o de Mucuripe no Ceará, num trem de Fortaleza até Iguatu e desta cidade até Cajazeiras percorreu 40 quilômetros a cavalo.

Dom Moisés governou durante 17 anos: chegou em 1915, ano de uma grandiosa seca e se despediu da cidade em 1932, também considerado como um ano da maior seca já vivida na cidade. Adotou como lema de seu episcopado: teve como lema: Dominus IIluminatio Mea / O Senhor é Minha Luz.

A Diocese, com a transferência de Dom Moisés para a arquidiocese da Paraíba, em João Pessoa, passou quase dois anos “vacante” e no ano de 1934 foi nomeado Dom João da Mata como segundo bispo e era natural de Pernambuco. A história registra que Dom Mata foi considerado durante os seus sete anos (1934/1941), foi um dos mais operosos pastores da Diocese Seu Lema: “Pasce Agnos Meos / Apascenta Meus Cordeiros”. Foi sobre o seu comando que foi realizado o célebre Congresso Eucarístico, em 1939, e é considerado o maior evento religioso já realizado pela diocese de cajazeiras.

Novamente a diocese passou três anos sem bispo e somente em 1945 foi nomeado Dom Henrique Gelain, que veio do Rio Grande do Sul e entre nós passou pouco mais de três anos (1945 a 1948) e por razões de não se adaptar ao clima foi então transferido e seu lema episcopal foi: In Corde Regnes Omnium / Reines no Coração de Todos.

No mesmo ano, em 1948, foi nomeado Dom Luís do Amaral Mousinho e diocese tem no seu comando mais um pernambucano, que passou quase quatro anos (1948 a 1952) e deu continuidade aos trabalhos de Dom Henrique e teve como lema episcopal: Consentire Romano Pontifici / Aderi ao Romano Pontífice.

Já no ano seguinte foi nomeado Dom Zacarias Rolim de Moura (1953 ─1990), natural do Ceará, do município de Umari, fato que nunca admitia sequer comentar porque se considerava filho de Cajazeiras e as comprovações da sua posição são as de que nunca recebera os títulos de cidadania de Cajazeiras e da Paraíba. Oportunidades aconteceram, mas nunca quis ser transferido de Cajazeiras para outra diocese e costumava dizer que Cajazeiras ia ter o “prazer” de sepultar um bispo.

Dom Zacarias fez o mais longo episcopado, passando 37 anos a frente dos destinos da Diocese, trabalhador incansável e com visão de um verdadeiro “profeta”, como o chamava Dom Hélder Câmara, plantou na terra do padre Rolim as sementes da educação, que nasceram e frutificaram e Cajazeiras só é hoje “uma cidade universitária” graças a sua persistência e obstinação.

Muitas foram as qualidades deste grande cajazeirense, que se vivo fosse neste dia 13 de junho estaria completando 102 anos de vida e esta terra, como sempre tem sido uma “madrasta” com seus filhos, não reconhece a importância que ele teve para o processo de desenvolvimento desta região. Teve como lema episcopal Veritas et Vita / Verdade e vida.

Com a renúncia de Dom Zacarias foi nomeado Dom Matias Patrício de Macedo, natural do Rio Grande do Norte, cujo pastoreio foi de 1990 a 2000 e teve como lema episcopal: Omnes Habeant Vitam / Todos Tenham Vida. Deu continuidade aos trabalhos de Dom Zacarias e foi indiscutivelmente um excelente pastor, amigo do clero e teve um extraordinário relacionamento com o seu rebanho.

Dom José Gonzalez Alonso (2001/2015), Espanhol de nascimento, naturalizado brasileiro e cidadão cajazeirense, passou 15 anos no pastoreio e foi o responsável pelas brilhantes comemorações do centenário da diocese e seu lema episcopal Fides et Vita / Fé e Vida foi comprido à risca: peregrinou por todo o território da diocese pregando a palavra e com intenso trabalho promoveu ações sociais, valorizando a vida de todo o seu rebanho, além de fazer, com muito sacrifício toda uma reestruturação administrativa da diocese.

Com a renúncia de Dom José, eis que temos um novo bispo: o terceiro pernambucano, da cidade de Araripina e da Diocese de Salgueiro, desta vez um padre religioso, da Ordem do Carmo: Frei Francisco de Sales Alencar Batista e já divulgou qual será o seu lema episcopal: “EU ESTOU NO MEIO DE VÓS COMO AQUELE QUE SERVE” e as suas primeiras palavras aos diocesanos foram: “já vos trago em meus pensamentos e nas minhas orações” e ainda: “já me sinto em casa… somos filhos e filhas deste vasto sertão sofrido onde homens e mulheres caminham animados e sustentados por uma fé simples e corajosa, testemunham quotidianamente o que significa viver esperando contra toda a esperança”. Palavras muito fortes que delineiam o seu pastorado.

Os católicos se rejubilam com a nomeação de Frei Francisco de Sales e rezam para o êxito a frente da Centenária Diocese de Cajazeiras.

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SOBRE JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

Professor e historiador, fundador do jornal Gazeta do Alto Piranhas e diretor da Rádio Alto Piranhas.

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