Cajazeiras-PB, 18/11/2017
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João Rodrigues da Viação Andorinha

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João Rodrigues Alves nasceu na cidade de Serra Negra, Rio Grande do Norte no dia 5 de julho de 1912 e posteriormente mudou-se para cidade de Areia, Paraíba. Logo após, muda-se para São José de Piranhas e em seguida Cajazeiras de onde nunca mais saiu. Na certidão de nascimento consta apenas o nome de sua mãe dona Tereza da Conceição. Aliás, ele sempre di­zia, sem constrangimento, ser filho de lavadei­ra e de pai ignorado. Orgulhava-se de não ter frequentado escolas e de ter começado a traba­lhar aos 12 anos de idade, como calunga de caminhão, que na verdade é a mesma coisa de ajudante. Ao atingir a maior idade, adquiriu carteira de habilitação de motorista profissio­nal e daí por diante avançou na vida. Em 1934, João já melhorara um pouco sua situação financeira, e adquire um caminhão (caçamba de madeira) passando a transportar material (pedra e barro) para o DNOCS na construção do açude de Boqueirão de Piranhas (Engenheiro ávidos), onde morava com a esposa (recém- casados) na casa de número 09, da rua princi­pal.

João encontra a prosperidade em Cajazeiras

Com o fim da construção do açude, em setembro de 1937, João Rodrigues passou a residir em Cajazeiras, levando suas economias, fruto de seu trabalho, suficiente para comprar um caminhão novo, com boleia larga, confeccionada em madeira, adaptada para carregar cargas e passageiros e assim passou a transportar, principalmente, algodão em pluma dos maquinismos de Galdino Pires, em Cajazeiras e Antônio Gomes Barbosa, de São José de Piranhas, para Campina Grande, sempre com a boleia lotada de comerciantes que aproveitavam a viagem para fazer suas compras e transportá-las aproveitando a volta do mesmo caminhão. Mas ele não só servia transportando a mercadoria como também fazia o papel de cicerone para muitos desses comerciantes, e mais precisamente àqueles que viajavam pela primeira vez, e ainda servia de avalista, no ato de eventual compra feita a prazo.

Nasce a Viação Andorinha

O sucesso neste ramo, a necessidade de transportar mercadorias e passageiros, por estradas de chão batido (a BR-230 foi asfaltada a partir de 1968) faz com que João se torne um dos maiores empresários de Cajazeiras, bem como da região a partir de 1958. Possuía uma frota composta de vários caminhões e alguns ônibus, servindo para transportar cargas, de modo geral, inclusive combustíveis e também passageiros para Campina Grande. O ônibus que fazia essa linha era conhecido como “a sopa de Seu João”. A partir de 1958, surge a Viação Andorinha que foi pioneira na linha com itinerário registrado no DER-PB (na década de cinquenta) de Cajazeiras – Campina Grande, estendendo-se mais tarde até João Pessoa e Recife, e na proporção que desenvolvia seu plano de expansão ia também interligando Cajazeiras, Campina Grande e João Pessoa com novas linhas, a várias outras cidades paraibanas, como: Sousa, Patos, Pombal, Triunfo, Brejo das Freiras, Uiraúna, Conceição, São José de Piranhas e Bonito de Santa Fé. Nos anos 60 e 70, a Viação Andorinha passa a ser uma das principais empresas de ônibus do estado, fazendo concorrência com as Viações Gaivota e Patoense.

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Expandindo os negócios (aquisição da viação Princesa do Seridó)

João Rodrigues passa a expandir seus negócios não só na cidade de Cajazeiras, onde além da Viação Andorinha mantinha um posto de gasolina, uma casa de peças e pneus e era sócio da revenda Volkswagen na cidade. Passou a atuar também no Rio Grande do Norte onde em 1966, adquire do empresário da cidade de Caicó Manoel de Neném a Viação Princesa do Seridó juntamente com suas linhas: Natal x Cajazeiras via Caicó; Natal x Caicó; Natal x Currais Novos e Natal x Crato, esta linha foi criada já na administração da Andorinha. A administração da Princesa do Seridó ficou a cargo do seu filho mais velho José Rodrigues, o Zezinho. Aliás, seus filhos, somente Zezinho e Paulo Rodrigues, ainda adolescentes, foram os únicos filhos integrados como sócios na firma do pai e com ele trabalharam até a sua morte.

Personalidade simples e forte

Ele era uma pessoa extrovertida, orgulhava-se de tudo que fez e de tudo que foi na vida; não gostava de bajular e nem de ser bajulado. Também não gostava de etiqueta nem de protocolo; não tolerava exibicionismo. Tanto assim que quando alguém o procurava, mesmo para tratar de assuntos comercias, trajando terno e gravata, ele perguntava em tom de ironia, se era vendedor de livros ou pastor protestante, e para surpresa do excêntrico visitante justificava-se dizendo que não sabia ler e nem entendia de religião. Era avesso ao diálogo. Suas decisões eram tomadas de rápido improviso. Detestava vagabundagem. Para ele todo mundo era obrigado a trabalhar para ter condições de garantir, no mínimo, sua própria sobrevivência.

Pensava assim, talvez, pela sua condição de homem pouco letrado – todavia de visão empreendedora. Certa vez comentou: “não tem quem acabe os desvios nas empresas, principalmente no meu ramo. Por mais que bote fiscalização, os cobradores e os motoristas fazem seus desvios! Por isso é que luto para que os desvios não passem de 5% do faturamento, aí tá no custo”. Contava-se que quando chegavam mercadorias, ele chamava seu filho mais velho para ler a nota fiscal, só conhecia os números.

Em nenhum momento ele se distanciou de seus negócios – fosse trabalhando, viajando ou se divertindo. Sabia como ninguém aproveitar todos os momentos que a vida lhe oferecia. Era questão dele, se fazer presente a todas as solenidades – fosse cívica, religiosa, social ou política. Nas quermesses, por exemplo, ele não só comparecia como animava os leilões, extrapolando os preços dos brindes leiloados, para atormentar os que tinham pena de gastar. Sua contribuição, de modo geral, era espontânea e significativa. Diante de sua popularidade na cidade.

Política e morte prematura

João Rodrigues tinha gosto pela política e assim estreia na política, elegendo-se vice-prefeito em 1972 e na verdade foi seu primeiro e ultimo mandato, pois faleceu no exercício do cargo. Seu João falece aos 65 anos em 1977 no auge de sua carreira empresarial e política, deixando suas empresas para esposa e filhos.

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SOBRE Christiano Moura

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