Cajazeiras-PB, 19/11/2017
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[FRASSALES CARTAXO] Edme Tavares de Albuquerque

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Ao saber da morte de Edme Tavares, meu primeiro impulso foi repassar situações marcantes de nossa convivência, aliás, pouco intensa, devido às trajetórias de vida, que nos levaram a caminhos e lugares diferentes. Do ponto de vista ideológico, estivemos em campos separados, sempre, embora as contingências políticas tenham favorecido nossa união circunstancial. Na época de estudante, por exemplo, ele foi para o Crato e Rio de Janeiro e eu estudei em Fortaleza e Salvador. A luta eleitoral em Cajazeiras, contudo, nos aproximou, pelo menos em 1963, quando ficamos lado a lado com o empresário Raimundo Ferreira que tentou ser prefeito de Cajazeiras, pela primeira vez.

Mais de cinquenta anos depois, a lembrança desse fato vem acompanhada da visão romântica do movimento popular liderado por Raimundo (PSB), que sem apoio de nenhum chefe político de peso enfrentou três concorrentes: Chico Rolim (UDN), Acácio Braga (PSD) e o major Zé Leite das Areias (PL). Edme e eu éramos as figuras formalmente de maior realce, tanto que o guia eleitoral, então feito ao vivo, e carros de som anunciavam eventos da campanha mais ou menos assim: hoje no comício falarão o “acadêmico”, Edme Tavares, e o “doutorando” Francisco Sales Cartaxo… Eu estava a quatro meses da formatura na UFBA, por isso o “doutorando”… Quando conto essa história, meus filhos riem à beça… E não só eles. Parece coisa de outro mundo… E é.

Nossas divergências eram de feição ideológica, a Guerra Fria pondo um muro entre as concepções que tínhamos do mundo e da política. Essa marca sempre nos acompanhou, muito embora, outros fatores contribuíram para nos aproximar. Cajazeiras nos unia, acima de qualquer outro valor e das diferenças entre nós. Disto e também das conversas que tivemos em 2008 falarei em próximo artigo. Hoje me limito a transcrever fragmentos de seu perfil, ressaltando alguns fatores do invejável sucesso político-eleitoral de Edme Tavares. Os trechos entre aspas são do livro “Do bico de pena à urna eletrônica”, escrito em 2006, inseridos no item referente à longevidade política de Epitácio Leite Rolim.

“Afeito às articulações palacianas – desde quando, no governo João Agripino, ocupou a subchefia da Casa Civil, seu primeiro cargo público relevante -, Tavares se movimentava com desenvoltura nos gabinetes de autoridades estaduais e federais, descobrindo e assegurando os benefícios que a máquina pública propicia, em termos de captação de recursos para obras e serviços públicos, de posições e empregos para correligionários e aliados políticos em suas bases eleitorais. Dessa forma, Tavares supria uma de suas salientes deficiências: ausência de contato direto com as massas. Faltavam-lhe, portanto, condições espontâneas para granjear popularidade”.

“Epitácio o socorria, preenchendo esse vazio. Sempre próximo do eleitor, até por fastio das lides parlamentares, dos ares da capital, Epitácio cumpria o papel de segurar os votos de que o outro necessitava para representar Cajazeiras na Assembleia Legislativa da Paraíba (três mandatos sucessivos) e na Câmara Federal (dois mandatos seguidos), durante 20 anos sem interrupção, de 1971 a 1990”.

Voltarei ao assunto para falar acerca da atuação de Edme no tempo de Ivan Bichara e, também, da lição de pragmatismo que recebi dele em 2008, a propósito da campanha eleitoral e da vitória de Leonid Abreu prefeito de Cajazeiras.

SOBRE FRASSALES CARTAXO

FRASSALES CARTAXO

Francisco Sales Cartaxo Rolim é autor do livro, Guerra ao fanatismo: a diocese de Cajazeiras no cerco ao padre Cícero.

2 COMENTÁRIOS

  1. Marcio Torres

    Sou muito de lê artigos sobre personalidades de Cajazeiras pois percebi, que em quase todas as épocas, essas figuras públicas afeito de meritocracia e repúblicana e popular, muitos não todos mais a maioria deixou dominar os apetites, por uma gleba de bajuladores que estão sempre perto daquele que ascende ao poder, não lidam bem e acabam sua trajetória de forma medíocre, traídos e consumidos por figuras menores Criaturas criadas pelo próprio chefe político, então confesso o fim sempre é clássico o ostracismo e a revolta!!!!

    Porém esse artigo bem escrito, valeu a pena ler a ótica que o contador emprega talvez por ter sido testemunha dos fatos, são ricos a você que escreveu meus parabéns e fico na expectativa de conhece-lo e trocar idéias.

    Parabéns mesmo, vc escreveu algo profícuo que vale a pena ler
    Positivamente Marcio Torres
    PS: certo de breve conhece-lo e assim poder ouvi-lo saudações ensolaradas e um fraterno Abraço!!!

  2. Frassales Cartaxo

    Obrigado, Marcio Torres, pelas palavras de estímulo a que prossiga nesta linha desde muito tempo. Não sei onde você reside. Se for em Cajazeiras, estarei aí a partir desta quinta feira, para uma estada de três dias apenas. Quem sabe, a gente possa levar um papo.
    Abraço

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