Cajazeiras-PB, 19/11/2017
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Em 1926, o cangaceiro Sabino Gomes invadiu Cajazeiras

sabino cangaceiro 1

No dia 27 de setembro de 1926, um grupo de bandidos, em número de vinte e dois, sob o comando de Sabino Gomes, lugar-tenente de Lampião, partiu da região do Cariri cearense, em direção da Paraíba, visando Cajazeiras.

Os bandidos viajaram em montarias de cavalos e burros. Bem montados, bem armados e bem municiados, vieram dispostos para lutar e saquear a cidade. Lutaram. Mas não venceram.

A invasão de Sabino a Cajazeiras dá para fazer vários filmes. Penetraram no município de Cajazeiras pelo sudoeste, através dos sítios Marimbas, Tambor, Redondo e Baixa Grade e ao oeste da cidade, fizeram parada.

No sítio Baixa Grande, cometeu logo dois crimes bárbaros, para impressionar a população, quando matou perversamente dois agricultores: Raimundo Cassimiro e seu filho Chico Cassimiro. A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora em toda região. E o povo de Cajazeiras ficou muito assombrado.

Do Sítio Baixa Grande, Sabino partiu direto para Cajazeiras. Nas imediações da cidade, na casa de Luiz Boca-Aberta, no Sítio Remédios, atual Bairro dos Remédios, se arrancharam e entraram na cidade pela Rua Cel. Vital, antiga rua da Matança, atual Dr. Coelho, onde mataram, com um tiro na cabeça, um policial que fazia correição dos animais soltos nas ruas.

Para alarmar o povo, os bandidos faziam disparos com suas armas. Nas imediações do Prédio Vicentino, ex-cine Pax, mataram um pobre aleijado, que se chamava Cícero Ferreira Lima, vulgo Cícero Pé-de-Cágado.

Em seguida entraram pela rua do comércio, atual Padre José Tomaz, até a Praça Coração de Jesus, onde foram barrados pela resistência do povo de Cajazeiras, onde fizeram um cerrado tiroteio, entrincheirados nas ruas Sete de Setembro (atual Praça Presidente João Pessoa) e Tenente Sabino com a rua do Comércio.

Os cangaceiros ocuparam a praça Coração de Jesus, entrincheirando-se na igreja do mesmo nome, desfechando violenta ofensiva contra os defensores da cidade. A resistência foi forte e decisiva. Não conseguindo atingir o objetivo principal da invasão que era ocupar o centro comercial da cidade, recuaram, seguindo pela rua da Tamarina. Na passagem por essa rua mataram o alfaiate Eliézer, que por curiosidade e imprudência, abrira a janela para olhar os cangaceiros, sendo alvejado por tiros, que eliminaram sua vida. Da Tamarina, passaram pela Travessa São Francisco, entraram na Quinze de Novembro e atacaram a casa de residência do Major Epifânio Sobreira, casarão onde funcionou a Secretaria de Educação do município.

O Major Sobreira, auxiliado por José Inácio da Silva, seu morador, respondeu ao ataque e reagia com bravura e coragem. Major Sobreira foi ferido, levemente numa perna, mas continuou lutando. Em face da resistência, os cangaceiros recuaram e tentaram invadir a rua Sete de Setembro, atual Presidente João Pessoa, sendo tolhidos pela resistência do valoroso e corajoso povo da cidade, ajudados pelas explosões misteriosas do motor elétrico da Usina de Força e Luz, funcionando sob a direção técnica de José Sinfrônio de Assis.

Os estampidos alarmantes do motor da luz apavoraram os bandidos, que fugiram em disparada, supondo que se tratava de um reforço policial com um novo tipo de arma.

Na fuga, indignados com o insucesso do plano, incendiaram a casa de residência do comerciante Martinho Barbosa Lima, situada à rua Cel Vital, inclusive a sua mercearia, que funcionava no mesmo prédio.

Os cangaceiros demoraram cerca de seis horas em Cajazeiras, de quatro da tarde às dez da noite quando se deu a retirada, efetuada pelo lado sul da cidade, através da estrada de São José de Piranhas, destinando-se a região de Princesa.

Durante a invasão, a residência do Bispo Diocesano, Dom Moisés Coelho, situada à rua Padre Rolim, no local onde funciona hoje a gráfica Isabel Cristina, serviu de abrigo para as famílias que se refugiaram ali.

Os que fizeram a defesa de Cajazeiras, enfrentando com heroísmo e desmedida coragem os invasores da cidade, menciono: Tenente Elias Fernandes, delegado de polícia e mais uma dezena e meia de bravos soldados; Romeu Menandro Cruz, Padre Gervásio Coelho, Joaquim Sobreira Cartaxo (Marechal), Bacharel Praxedes Pitanga, Jaime Carneiro, Raimundo Anastácio, Major Epifânio Sobreira, José Inácio da Silva e José Sinfrônio de Assis. Foram ao todo 25 homens que lutaram convictos de que estavam arriscando suas vidas num combate desigual enfrentando a invasão de 100 cangaceiros perigosos comandados por Lampião.

Essa epopéia cajazeirense, vivida pelo seu povo, é um dos momentos mais significativo de sua história de lutas em defesa da terra.

Sabino desceu a serra, não fez baile em Cajazeiras, nem conquistou as mulheres rendeiras, saiu debaixo de bala dos fuzis dos heróis cajazeirenses.

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE PARA O GAZETA DO ALTO PIRANHAS

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COMENTÁRIOS

  1. Marcos Freitas

    A cidade de Cajazeiras além de ser a cidade que ensinou a paraíba a ler é muito rica de Historias.

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