E o tempo, Mané Bugari, tá bom pra tu?

AM3 – 250×250

mane-bugari-oficina

Tempo de muitas nuvens em João Pessoa…Céu encoberto e sol em timidez visível. Revejo esta imagem (acima, uma imagem a partir do alto do Cristo Rei) de nossa Cajazeiras…A promessa de chuva só acumulada nas nuvens e o nosso povo rezando que se faça líquida.

Vocês sabem que para nós, sertanejos, este é o verdadeiro tempo bom. A água que escorre sem esquadros alivia o calor, dá asas à imaginação da criançada que se propõe às biqueiras e acorda o sorriso de todos. Mas acima de tudo a chuva é bálsamo do sertão. O homem fica na sua terra, a lavoura brota e os animais permanecem vivos. Por isto tudo, tempo bom é tempo de vento molhado, é tempo de poeira de chuva, é tempo de sertão vivo.

Só que estou me lembrando, agora, do meu ‘amigo-cumpadi’ e filósofo oriental de Cajazeiras, Mané Bugari. É um ‘caba’ sem paciência alguma e gosta de ilustrar suas profundas observações com sonoros palavrões. Vejam o ‘causo’.

Mané tinha uma oficina de lanternagem, na subida da Rua Sebastião Bandeira de Melo, no pedaço depois dos famosos 10 chalés. No seu ofício de pintar carros, dependia que o tempo fosse de sol. Afinal, precisava que a pintura secasse para fazer a entrega do serviço.

Assim, se Mané Bugari precisasse entregar um carro – para receber o pagamento – e o tempo estivesse ‘encoberto’ sob ameaça de nuvem carregada, ele ficava ‘murdido’ da vida! Sem sol, a pintura não secava e ele não recebia pagamento. E ficava só com raiva, resmungava e chamava um monte de nome feio.

Foi o que aconteceu numa manhã de sábado nublada e até com sensação de frio (em Cajazeiras!).

Mané saia e entrava na oficina, nervoso. Consultava o tempo e só via nuvem escura. Voltava ao seu estabelecimento  de serviços e amaldiçoava geral. Daqui a pouco poderia chegar o dono do carro e…nada. E dinheiro – que ‘é bom e doce’ – também não teria.

Por volta de umas dez horas, e já que não tinha sol, no momento, Mané Bugari resolveu descer ao centro da cidade em busca de sua tradicional  ‘merenda’.

Quando sai de sua oficina, andando pela calçada, encontra uma senhora bem distinta que morava lá perto.

Ela quis ser gentil e com o tempo chuvoso – ela, como nós, achava que esse era o tempo bom – disse para Mané: “- Tempo bom, né, Manel?”

Mané Bugari não escondeu sua irritação:

“- É, dona Maria, pra quem gosta de dormir e f****, o tempo tá bom todo!”

E ‘tava’ mesmo!

DIRCEU GALVÃO PARA O SETE CANDEEIROS
ELIANE BANDEIRA

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.