Cajazeiras-PB, 12/12/2017
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[DOM JOSÉ GONZÁLEZ] Vínculos entre a Arquidiocese da PB e a Diocese de Cajazeiras: Dom Moisés Coêlho

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Dom Moisés Coelho, o segundo arcebispo da Paraíba, nasce no sítio Riachuelo, Cajazeiras, aos 08 de abril de 1877. Com 16 anos vai ao encontro de seu irmão, Padre Sabino Coelho, vigário de São Lourenço da Mata – PE, com quem iniciou seus estudos de latim. Em maio de 1894 matriculou-se no Seminário de Olinda para, dois meses depois, transferir-se para o Seminário da Paraíba, que Dom Adauto fundara e cuja direção confiara ao mesmo Padre Sabino. Nesse Seminário com sábios e virtuosos formadores e professores se prepara para o sacerdócio, sendo ordenado padre pelo próprio Dom Adauto, a 01 de novembro de 1901, na Igreja Catedral, dia de Todos os Santos, juntamente com seis companheiros.

Exerce seu ministério sacerdotal, inicialmente em Natal, de 1902 a 1904, como capelão das Irmãs Dorotéias e Vice-Reitor do Colégio Santo Antonio, e mais tarde como coadjutor do Vigário de Natal.

Em 1904 foi nomeado pároco de Ceará – Mirim, apenas por um ano, pois em 1905 era chamado pelo Bispo da Paraíba para ser diretor espiritual e professor do Seminário, cargo que exerce até a nomeação de Bispo em 1914, com uma interrupção de um ano, em 1907, para assumir a diretoria do Colégio Diocesano Pio X e outra de quatro meses, em 1908, para reger a Paróquia de Cajazeiras, sua terra natal.

Assim, um filho de Cajazeiras, formado no Seminário da Paraíba e mais tarde diretor e professor do mesmo Seminário passa praticamente sua juventude e 10 anos de ministério sacerdotal servindo na sede da Diocese da Paraíba, estreitando os laços de comunhão e amizade entre Cajazeiras e Paraíba.

Ainda mais: Dom Moisés é eleito Bispo de Cajazeiras, aos 16 de novembro de 1914, por Bento XV, e sagrado no dia 02 de maio de 1915, pelo próprio Dom Adauto, agora Arcebispo da Paraíba, na Igreja Catedral. Aquele que saira de Cajazeiras com 16 anos de idade, volta para serví-la como primeiro Bispo, com quase 14 anos de padre e 38 de idade.

O itinerário de volta não foi fácil. Sai de Cabedelo, de navio, rumo a Fortaleza, na manhã de 17 de junho; de Fortaleza a Iguatu, de trem; de Iguatu a Cajazeiras, a cavalo, 25 léguas, 150 kilômetros! Ao cair da tarde de 27 de junho de 1915, chega a Cajazeiras, após 10 dias de viagem!

No dia 29 de junho, dia dos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo e consagrado ao Papa, toma posse como primeiro Bispo de Cajazeiras. Depois de 22 anos volta a Cajazeiras, agora como Bispo.

Em 17 anos de episcopado em Cajazeiras, Dom Moisés realizou com um clero reduzidíssimo de 18 padres, em pleno sertão martirizado pelos flagelos físicos e sociais, de secas periódicas e cangacerismo nômade, um dos episcopados mais fecundos para a igreja e uma das atuações mais benéficas para a pátria.

Tomando posse a 29 de junho, logo a 4 de julho restaura o antigo Colégio Padre Rolim, que mais tarde dividiu em duas secções, masculina e feminina, entregando esta a religiosas Dorotéias e alcançando do governo do estado a equiparação à escola normal.

Outros muitos trabalhos pastorais e sociais realizou ajudado de seu clero, inteligente e operoso que devotava a seu bispo, mais do que o devido respeito hierárquico, a afeição mais carinhosa e a obediência mais dócil. Também encontrou no laicato católico a colaboração preciosa e fidelidade filial.

No dia 22 de fevereiro de 1932, o Papa Pio XI o transferia para a sede metropolitana da Paraíba: “Na plenitude do poder apostólico, desligamos o nosso venerável irmão Moisés Coelho, até agora Bispo da Igreja Catedral de Cajazeiras, do vínculo desta Igreja e o transferimos para a vacante Igreja titular arquiepiscopal de Beréia, na Síria Superior, e o deputamos e constituímos como coadjutor, com direito à futura sucessão do venerável irmão Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Arcebispo de vossa Igreja metropolitana, com todos os poderes e faculdades que por direito pertencem a coadjutores”.

Após comoventes despedidas em Cajazeiras, vê-se novamente Dom Moisés na mesma Catedral, diante de cujo altar se ordenara padre, cantara a primeira missa e se sagrara Bispo, para investir-se desta feita em outro múnus sagrado. Na missa a que assistiu pontificalmente, coube ao venerando metropolita o encargo de apresentá-lo aos fiéis. Era na festa de São Pedro e São Paulo, 29 de junho de 1932, quando foi empossado o Arcebispo Coadjutor. Agora começa outra história.

Quisemos com estas reflexões históricas, extraídas quase que literalmente dos biógrafos de Dom Adauto (Cônego Francisco Lima) e de Dom Moisés (Professor Cônego Eurivaldo Caldas Tavares), e do Anuário Estatístico da Diocese de Cajazeiras, (do Padre Carlos Coelho) e ainda da dissertação de José Erasmo de Morais “romanização e educação na Paraíba; o projeto de Dom Adauto e de Dom Moisés”, mostrar os laços e vínculos da comunhão e amizade entre a Arquidiocese da Paraíba e a Diocese de Cajazeiras, ambas centenárias em 2014, e homenagear e parabenizar a Arquidiocese com afeto filial, fraterno e amigo.

A Bula “Majus Catolicae Religionis Incrementum,” Dom Adauto e Dom Moisés são os primeiros elos desta comunhão e amizade entre a Arquidiocese da Paraíba e a Diocese de Cajazeiras.

DOM JOSÉ GONZÁLEZ ALONSO É BISPO DIOCESANO DE CAJAZEIRAS-PB

SOBRE Christiano Moura

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