Cajazeiras-PB, 23/10/2017
PRAÇA MAJOR GALDINO PIRES PERDE A ÚLTIMA ALGAROBA

A derrubada da última algaroba da Praça Galdino Pires

No meio da última semana, dando sequencia a reforma das praças que empreende o atual Governo Municipal, ação que sem dívida merece nosso aplauso e reconhecimento, foi dado continuidade na praça onde resido, juntamente com outros habitantes mais importantes, como minha neta, filhas genro, o ex prefeito Zerinho,  D Joaninha Guimarães, Alberto Pires, Carlos Alberto Araruna, a praça Galdino Pires, que leva o nome de meu avô.

Maravilha, especialmente porque essa especialmente, bem como outras, foram abandonadas por outras administrações que passaram, e pouco ou nada fizeram. Além da manutenção e podamento, e eventualmente cortar alguma árvore que os ventos de vez em quanto derrubam.

Aconteceu; que nessa praça existia uma antiga e grande árvore que foi derrubada, não sei a mando de quem, já que esses detalhes não passam por decisão do prefeito, e talvez nem do Secretário, o certo é que eu na minha “siesta”, de depois do almoço, fui despertado dom um estrondo que pensei ser uma colisão de veículo, e vejo que a última algaroba plantada na minha praça tinha sido derrubada.

Fiz meu trabalho: registrei, dei minha opinião, e para meu espanto, gerou uma grande e no meu caso indesejável polêmica nas redes sociais. Que me leva a fazer uma análise, da contingencia e da história de tudo o que aconteceu, e emitir minha modesta opinião a meus parcos leitores (Marcelo Holanda é um desses, a quem saúdo).

Vamos começar pelo começo e ver se consigo resumir no espaço de uma crônica.

Essa nossa praça, vizinha à Praça Ana de Albuquerque, muito antigamente, era um largo, que depois foi chamada de Praça Mons. Constantino Vieira, na sua parte leste, tinha  uma casa que servia de residência a um padre, que se estendia até o meio da hoje chamada alameda Sabino Rolim Guimarães, esta casa foi derrubada pelo prefeito Maunuel Lacerda, segundo li em crônica do recém lançado livro de Dr. Christiano Cartaxo, que segundo eu tenho notícia, residia um padre, e cujo quintal havia uma tamarineira que foi preservada, e que serviu de orientação para que meu tio Lineto Pires desenhasse duas figuras de luas, e no meio um estrela, que são até hoje a principal característica dessa praça que moramos.

Corte rápido. Vamos agora dar uma noção de como acontecia o plantio de árvores nessa nossa cidade tão quente, afirmando preliminarmente, que sou apenas um curioso, e muito do que escrevo pode não ser exato.

Haviam as cajazeiras ancestrais (plante xerófita) e ao longo dos riachos, nasciam as oiticicas. Quando dos primórdios de nossa vila, um dos irmãos de Padre Rolim, disseminou a plantação de tamarindeiras, para que seus frutos pudessem ser usados como remédio – laxante para, a população; ainda existe uma sobrevivente em frente ao IPEP, outrora sede de nossa Prefeitura. Depois vieram os pés de “fícus benjamin”, que criam uma boa sobra com suas copas. Mas além de ter um sistema radicular invasor, na década de 60 (isso eu já alcancei), virou a morada predileta de um inseto vindo de fora, que teve o apelido de “lacerdinha”, que entrava nos olhos e ardia muito, que fez com que muitas dessas árvores fossem derrubadas (onde hoje funciona o CRED, por exemplo, tinham umas seis dessas árvores derrubadas naquele tempo), depois vieram o plantio das algarobas, planta dos desertos peruanos, que tinham uma forma de tirar água da atmosfera pelas folhas, e que não possuía um sistema de raízes robusto. Depois de décadas, e sem o podamento adequado, vieram a desabar com os ventos e chuvas. Depois vieram  as castanholas, e atualmente o nin indiano, que no futuro saberemos se e quais consequências trouxe para nós.

Na década de 60, foram plantadas umas oito a dez pés de algaroba na nossa praça.  No começo elas eram podadas regularmente, mas já no começo da década de 80, essas podações foram escasseando, ficando uma copas enormes e para cima. Quando eu reclamei, o secretário da época, meu amigo Carlos Roberto (Luluzinha), fez a primeira afirmação que o tempo haveria de desmentir: “Pepé, como são muitas algarobas e juntas, uma fica sustentando as outras, ‘a união faz a força’”, disse ele na ocasião, Infelizmente os ventos e as chuvas de mossa região derrubaram algumas árvores.

Nesse tempo foi construído, onde ficava o pátio do Instituto Santa Terezinha, no quintal daquele educandário, oi construída a nova Câmara de Vereadores, e na frente havia uma oiticica centenária, que inclusive servia de “voga”, para nosso jogo de acusado, no meio da avenida. Vieram derrubar a árvore para não prejudicar a visão daquele monstrengo que era o primeiro prédio da Câmara. Enfeava a oiticica. Quando chegou os homens para derrubar, frente a meu protesto, ouvi: “se continuar com essa besteira, a gente derruba o resto”.  Como um vira-lata, Enfiei o rabo no meio das pernas e fui embora.

E ainda existe o fato de nas origens da minha família, constar um dos primeiros cidadãos preocupados com a questão da ecologia nessas terras, meu tio-avô, Christiano Cartaxo, que eu me entendi de gente lendo seus versos, assim, vou reproduzir um soneto dele que sempre me induziu a me preocupar com a derrubada de árvores, vou reproduzir um soneto na grafia original:

 

JUÀZEIRO

(Zizyphus joazeiro)

 

Homem por que destróis o juàzeiro?

Êle, nas terras do Nordeste, é a imagem

Da esperança, na cor e na coragem,

Na luta, sempre verde e sobranceiro.

 

Aguardam outras árvores primeiro

O inverno, as chuvas, para que se trajem;

Mas ele ostente esplêndida folhagem;

Mesmo na sêca, em pleno tabuleiro.

 

Cubra-o de pó a ventania o torça,

E o abale… O raio parta-lhe a raiz…

Que tu o maltrates com teus modos brutos…

 

Êle no chão, no ar, tem sempre fprça

De refazer-se e te fazer feliz

Dando sobra, agasalho, flores, frutos!”

 

Estendo esses versos para toso os exemplares do reino vegetal, que tentam amenizar o calor desse sertão.

Fico.

SOBRE PEPÉ PIRES FERREIRA

PEPÉ PIRES FERREIRA
Engenheiro mecânico e advogado.

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