Cajazeiras-PB, 24/11/2017
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[DALADIER JÚNIOR] Parabéns ao IFPB/Campus de Cajazeiras pelos seus 20 anos

IFPB-20ANOS

O passado remonta ao dia 10 de abril de 1984, data da fala do então Deputado Federal Edme Tavares na Câmara dos Deputados em Brasília-DF, a qual ele apresentara o deveras relevante Projeto de criação da Escola Técnica Federal em Cajazeiras-PB. O projeto de Lei 3.305 de 17 de abril de 1984 da Câmara dos Deputados (e de número 102 no Senado Federal) objetivava solidificar “a formação de técnicos em agricultura, pecuária e química industrial, a nível de 2º grau”, segundo versa o próprio artigo 2º da Lei 3.305/84. Estas áreas foram inicialmente escolhidas de acordo com as vocações econômicas municipais da década de 80 do século passado, que de acordo com o projeto eram a: “cultura e o beneficiamento de algodão e o comércio de mercadorias”, além deste ainda apresentar alguns dados de todas as esferas de educação ofertadas na cidade de Cajazeiras, dando destaque à verdadeira vocação da “cidade que ensinou a Paraíba a ler”, dentre outros setores que alavancaram a economia municipal daquela época. O projeto ainda falava da importância do técnico de nível médio como “verdadeiro agente de mudanças, de desenvolvimento e de crescimento econômico de qualquer região subdesenvolvida” e que sua implantação no sertão paraibano “significa medida de caráter desenvolvimentista regional, sintonizada em consonância com a atual política educacional do Ministério da Educação e Cultura, qual seja, desacelerar o crescimento do ensino superior em favor da formação de pessoal técnico de nível médio”.

Apesar do projeto ter sido aprovado em várias Comissões (Constituição e Justiça, Educação e Cultura e Finanças), na Câmara dos Deputados (em 08 de agosto de 1985) e no Senado Federal, o mesmo só foi sancionado em 20 de março de 1989, através da Lei 7.741, pelo então presidente da república José Sarney. Contudo, a Escola Técnica Federal da Paraíba só foi inaugurada oficialmente em 04 de dezembro de 1994, no governo do presidente Itamar Franco. Inicialmente foram ofertadas vagas no 2º grau (atual ensino médio) e no Curso Técnico em Agrimensura, concomitante com o 2º grau. Vale lembrar que a Unidade de Ensino Descentralizada (UNeD) de Cajazeiras consolidou-se como a primeira expansão ou interiorização da Escola Técnica Federal da Paraíba.

Para refletir sua posição de vanguarda na educação tecnológica sertaneja, o então Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (CEFET-PB, criado pela Lei 8.948/1994)/UNeD de Cajazeiras, na pessoa de sua Diretora Geral, a pedagoga e sindicalista Fátima Vieira Cartaxo (in memoriam), criou o primeiro Curso Superior de Tecnologia do Sertão da Paraíba, qual seja o Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial, no ano de 2005. Nesta mesma gestão foram criadas as Residências Estudantis: masculina e feminina, além da oferta de refeições aos alunos carentes; destacando que esta foi uma das primeiras ofertas destes serviços no âmbito dos CEFETs no país, permitindo que alunos carentes daqui e de cidades circunvizinhas tivessem melhores condições para galgar posições mais oportunas no mundo do trabalho, o que levou ao MEC a ampliar a oferta destes para todo o país. Hoje em dia existe um refeitório que oferece duas refeições diárias (almoço e jantar) e atende diariamente um grande número de alunos de todos os níveis educacionais, e que com justiça carrega o nome de sua mentora (Fátima Vieira Cartaxo). Ademais, os alunos de outras cidades também recebem um auxílio moradia no valor R$ 250, o que movimenta o mercado imobiliário da cidade.

Ao chegar aos seus 20 anos o atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB, criado pela Lei 1.892/2008)/Campus Cajazeiras tem números expressivos, o que o transformou numa das mais relevantes Instituições de Ensino Superior (IES) do Sertão Paraibano. Atualmente, o IFPB/Campus de Cajazeiras conta com 88 Professores efetivos, 08 Professores substitutos, 76 Técnicos Administrativos (com 3 deles à disposição de outros órgãos), além de outros funcionários terceirizados. De acordo com o Setor de Registros Escolares do IFPB/Campus Cajazeiras já passaram pelo Campus cerca de 23.600 alunos, sendo que deste total um pouco mais de 2.000 alunos foram diplomados/certificados. Ultimamente, o IFPB/Campus Cajazeiras oferece cursos em níveis variados, tais como: 1) Formação de Jovens e Adultos – PROEJA: Técnico em Desenho de Construção Civil; 2) Técnico Integrado: Edificações, Eletromecânica e Informática; 3) Técnico Subsequente: Edificações e Eletromecânica; 4) Curso Superior de Tecnologia: Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Automação Industrial; 5) Licenciatura: Matemática e Computação (Educação a Distância); 6) Bacharelado: Engenharia Civil; 7) Ensino Técnico a Distância: Segurança no Trabalho e Secretaria Escolar; 8) Além de programas como o Mulheres Mil e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Ao todo estão matriculados cerca de 1400 alunos no Campus. Todavia, periodicamente são realizados diversos eventos no Campus em parceria com diversas empresas, prefeituras e demais instituições, que usufruem da infraestrutura física ímpar do Campus, que conta com um ginásio, uma piscina semi-olímpica e auditório para 300 pessoas.

O IFPB/Campus de Cajazeiras tem atualmente o melhor curso de todo IFPB, o Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS), 2º lugar no último ranking do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), que avalia o rendimento dos cursos de graduação. Antes deste resultado expressivo, o curso de ADS já era o 5º lugar no ENADE em cursos de ADS, curso este que teve mais de 250 concorrentes avaliados ao longo do país nos últimos exames. Tal classificação fez com que o curso de ADS do Campus de Cajazeiras tivesse um 6 dos elaboradores da prova do ENADE para cursos de ADS (sendo um dos raros representantes de IES do interior do país), exame este aplicado no último dia 23 de novembro. Outro dado interessante é que os alunos do Curso de ADS são procurados por empresas especializadas das capitais nordestinas (e de outros centros) antes mesmo de terminarem o curso, sendo que outros egressos já terminaram cursos de mestrado (alguns já ingressaram no doutorado) e estão atuando no meio acadêmico (inclusive no próprio Campus). Além do mais, depois de formados atuam em várias empresas especializadas, chegando inclusive a criarem suas próprias empresas (na região), o que garante um nível de empregabilidade altíssimo.

Um outro dado interessante é que IFPB/Campus Cajazeiras vem enviando constantemente alunos para o Programa Ciências Sem Fronteiras, que oferece oportunidades de intercâmbio educacional nos níveis de graduação e pós-graduação em universidades relevantes no cenário global. Neste passo, alunos do Curso de ADS e Licenciatura em Matemática ora já realizaram seus intercâmbios, ora os estão realizando nos Estados Unidos e no Canadá, encorpando seus currículos e trazendo relevantes experiências para o corpo discente, quiçá docente. Esta transição para o IFPB fez com que a vocação para o Ensino Superior Tecnológico aguçasse institucionalmente a Pesquisa, trazendo uma série de proeminentes resultados neste importante pilar do processo educativo, a Pesquisa, aos quais podem ser destacados recentemente: pulseira antiesquecimento, dispositivo de irrigação inteligente, máquina de reciclagem de latas, fronteira de eficiência agrícola do estado da Paraíba (apresentado em Kuala Lumpur na Malásia, sendo o Professor Daladier Júnior o condutor (chair) da sessão técnica de agricultura, na 12ª Conferência Internacional em Análise Envoltória de Dados (DEA), sendo único representante da América do Sul no evento), dentre vários outros.

Visando consolidar-se como uma das mais importantes IES do Sertão e também do estado da Paraíba, o IFPB/Campus de Cajazeiras precisa abandonar a pecha de “escola”. Neste ínterim, os Institutos Federais (IFETs) foram criados para consolidar o ensino técnico, tecnológico e formação de professores no país, servindo como ferramentas de transição para a criação e consolidação das Universidades Federais Tecnológicas (UFTs), tal como já fora implementado na Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR). Assim, os IFETs precisam ofertar cursos de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) para fomentarem a criação das UFTs. Contudo, a implementação de programas de pós-graduação nos campi do interior é deveras prejudicada, devido a norma vigente dos editais de remoção (que movimentam os professores/técnicos administrativos nos demais campi do IFPB, que requisitam vagas num dado perfil), o docente (bem como o Técnico Administrativo) pode(m) ser removido(s) no ato de sua posse, caso seja ele o mais antigo a concorrer àquela vaga no âmbito do IFPB. Tal norma, apesar da sua legalidade, prejudica os campi do interior, senão vejamos um exemplo: Caso o IFPB/Campus de Cajazeiras lançasse uma pós-graduação, numa dada área, e um professor, titular de uma certa disciplina, fosse removido e o seu substituto não dominasse o conteúdo da disciplina do professor removido, então o curso de pós-graduação irá se deteriorar, e tão logo sua oferta será cancelada. Além do que, a remoção faz com que o corpo docente dos cursos esteja em constante troca de professores, trazendo, constantemente, situações onde um professor começa uma disciplina e outro professor (com uma metodologia completamente diferente) a termina. Aliado ao fato de que só se cria um curso de mestrado com no mínimo 8 doutores (pesquisando e publicando ativamente), segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o que no cenário atual apresentado é impossível.

Avistando a maior idade do IFPB/Campus Cajazeiras, vislumbrando a consolidação de um ensino tecnológico ainda mais inclusivo, voltado na sua essência para a realidade de nosso povo, o qual contribuirá para criação de tecnologias de combate aos efeitos da seca e de outras necessidades, ofertas de pós-graduações, geração de emprego e renda para a nossa região, dentre muitas, é que a comunidade “ifetiana” sertaneja vem construindo o debate em torno da criação do IF do Sertão da Paraíba (IFSPB). A criação do IFSPB não é nenhuma novidade, pois outros estados da federação já possuem mais de um IFET por estado, como é o caso de: Minas Gerais com 6 IFETs; Rio Grande do Sul com 3; Bahia, Goiás, Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina com 2. O artigo 6º da Lei 1.892/2008, que cria os IFETs, mostra que a criação do IFSPB é perfeitamente possível, pois a lei supracitada versa que a primeira finalidade e característica de um IFET é: “ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus níveis e modalidades, formando e qualificando cidadãos com vistas na atuação profissional nos diversos setores da economia, com ênfase no desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional”.

Portanto, a sociedade sertaneja deve reivindicar (e também lutar) junto aos seus representantes a criação do IF do Sertão da Paraíba, que seria ainda mais ligada aos anseios de nossa população, criando uma instituição dos sertanejos para os sertanejos, o que de certo impulsionará positivamente nossa economia regional. Além disso, o IFSPB poderá aumentar com mais justiça os orçamentos dos campi do interior do IFPB, visto que apesar de ser o 2º campus mais antigo do IFPB e ter um número de alunos aproximadamente igual ao do Campus de Campina Grande, o Campus de Cajazeiras tem cerca da metade do orçamento do Campus Campina Grande (e também menor que o Campus Sousa com cerca de 300 alunos a menos, possuidor de um orçamento 1,5 milhão superior ao do Campus Cajazeiras), fato este que se aplica aos demais campi do sertão (Sousa e Patos) e do interior do estado. Ademais, o futuro reitor do IFSPB poderá concentrar-se em administrar um número reduzido de campi (e não mais de 20 campi quando a terceira fase de expansão do IFPB for consolidada), o que otimizará a gestão, oxalá o Ensino, a Pesquisa e a Extensão, contribuindo diretamente nos arranjos produtivos locais e regionais.

De certo é que em seus 20 anos o IFPB/Campus de Cajazeiras, e todos os que contribuíram diretamente e indiretamente ao longo de sua história, estão de parabéns, sendo a população sertaneja deste, de outros municípios e até de outros estados os grandes beneficiados da grande ideia do ex-Deputado Federal Edme Tavares de transformar vidas, pelo viés da educação. Que nos próximos anos tenhamos uma instituição cada vez mais relevante e centrada na educação do sertanejo, a fim de que estes não mais precisem sair do Sertão para buscar uma sólida e relevante educação em todos os níveis, para fazer com que a cidade de Cajazeiras e região despontem como um novo vale no Silício.

DALADIER JÚNIOR É PROFESSOR DO IFPB

SOBRE Christiano Moura

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