Criação da Paróquia de Cajazeiras completa 155 anos

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As paredes ainda estavam em preto, quando Ana de Albuquerque introduziu a imagem de Nossa Senhora da Piedade, na Capela, construída por ela e suas escravas e sobre o balaio transformado em trono, em cima de uma mesinha, depositou ali a imagem. Assim começou na primitiva igreja da fazenda de Cajazeiras o culto a Nossa Senhora.

O oratório de Nossa Senhora da Piedade, erguido por Mãe Aninha na preocupação de dar condições ao seu filho, padre Rolim, para celebrações de ofícios religiosos, passou à dignidade canônica de Capela graças ainda à dedicação da mesma, que com seus parcos recursos, tirou em suas terras, a doação que constituiria o patrimônio da primitiva igrejinha.

Por volta 1845, graças ao colégio do Padre Rolim, Cajazeiras já conquistara um acentuado progresso, quando um ilustre filho desta terra, Dr. Manuel Rolim, irmão do Padre Rolim, conduzido que fora à Assembléia Legislativa, apresentou um projeto de lei que visava a criação da Paróquia de Cajazeiras.

O gesto do filho da terra, Dr. Manuel Rolim, deputado da 5ª legislatura – 1844-1845, em tornar sua terra como Sede Paroquial, não teve sequer a aceitação para debate por parte de seus pares. O sentimento de autonomia e desejo de ver sua terra conquistar os foros de freguesia e conseqüente criação do colégio paroquial, foi em vão.

Quatorze anos depois o Deputado João Leite Ferreira fazia valer a justa aspiração do povo de Cajazeiras quando apresentou o projeto que se transformou na lei provincial de nº 5 que criou a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, precisamente no dia 29 de agosto de 1859, com a sanção do Presidente Ambrósio Leitão da Cunha, paraense, futuro Barão de Mamoré, que foi Ministro de Estado no Gabinete Cotegipe e dirigia então os destinos da Província paraibana.

Instalada a Paróquia coube ao ilustre sacerdote cajazeirense Padre José Tomaz de Albuquerque a glória de ser o primeiro vigário e condutor espiritual de sua gente, que pouco tempo depois preferiu voltar a dar aulas no Colégio do Padre Rolim e passou o vigariato a outro sacerdote cajazeirense – Padre Serafim Gomes de Albuquerque. Após o Padre Serafim passaram pela paróquia os Padres Henrique Leopoldino da Cunha e Marcelino Vieira da Silva.

Já no século passado, tivemos outros ilustres sacerdotes que procuraram dar a Cajazeiras o destino sonhado pela piedade dos que primeiro fizeram despertar entre sua gente a grandeza da fé cristã. Dentre eles podemos citar os valorosos conterrâneos Padres Moisés Coelho, João Guimarães, Gervásio Coelho, Vicente Freitas, Raimundo Honório Rolim. De outros vindos de fora, como Monsenhor Constantino, Padre Adonias Vilar, Monsenhor Abdon Pereira; Monsenhor Manoel Vieira, Cônego Joaquim Ferreira de Assis, Padre Fernando Gomes, futuro Arcebispo de Goiânia, Cônego Américo Maia, Luiz Gualberto de Andrade, Monsenhor Sitônio, Padre Gervásio Fernandes

Já neste século, entre os vários sacerdotes, que tiveram sua marca registrada no apostolado cajazeirense, podemos citar: os padres Antonio Luiz do Nascimento, Agripino Ferreira de Assis, Francivaldo do Nascimento Albuquerque e outros.

A Lei Provincial nº 5, de 29 de agosto de 1859, que elevou a Capela feita por Mãe Aninha a categoria de Igreja Matriz, passando a ser sede Paroquial, criou ao mesmo tempo o Distrito de Cajazeiras, pertencente ao município de Sousa. Foram preciso apenas quatro anos para que o Distrito de Cajazeiras, se tornasse independente de Sousa, o que aconteceu no dia 23 de novembro de 1863.

Todas estas conquistas religiosas, gloriosamente, estruturam Cajazeiras para que ela se tornasse sede de uma Diocese, em 1915. Hoje já não se pode mais escrever a História de Cajazeiras, sem a inclusão da igreja católica, desde a presença de Mãe Aninha, em 1825, com a construção da capelinha, que se transformou na majestosa Catedral de Nossa Senhora da Piedade, até os dias atuais.

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE - ESPECIAL PARA O GAZETA DO ALTO PIRANHAS

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