Cajazeiras-PB, 20/10/2017

Antonio Epaminondas Braga

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Cajazeiras perdeu, neste começo de ano de 2015, um filho que a amava incondicional e fervorosamente. Antonio Epaminondas Braga tinha aguçados e em êxtase os sentidos a cada notícia, a cada referência a sua terra natal que lhe chegasse.

Filho de Epaminondas Lins de Albuquerque e Emília Gonçalves Braga. Sua mãe era neta de Joaquim Gonçalves Braga, português que se estabeleceu na localidade de Pico, nos sertões do Rio do Peixe, no início da década de 1830, segundo José Roberto Braga em seu livro “Genealogia da família Braga da Paraíba” (2014), baseado em informações de Deusdedit Leitão (1989). Na região, já residia a família de Francisco Lins de Albuquerque, fundador de Nazarezinho, e de quem provavelmente descende o pai de Antonio.

Antonio Epaminondas nasceu no sítio Picada, em Cajazeiras, cidade onde viveu muitos anos, trabalhou e foi feliz – e, decerto, sabia! Casado com Brazilina Mangueira Braga, dona de casa, florista, que teceu grinaldas e buquês artificiais de noivas e mais noivas, companheira de uma vida. Viu nascerem nesta cidade 10 dos seus filhos e aí começou a educá-los. Seu único irmão era o comerciante José Epaminondas Braga, também cajazeirense exaltado, falecido 2 anos atrás.

Em Cajazeiras, Antonio foi principalmente comerciante. Do ramo de bicicletas. Gerenciava a loja local da firma J. Epaminondas Braga, que funcionava na Rua Juvêncio Carneiro, ao lado da Prefeitura.

Teve pouco tempo de instrução formal, sendo, contudo, mais do que diplomado na escola da vida. Inteligente, observador, conhecedor um pouco de tudo e muito de muita coisa, criativo, engenhoso para com as praticidades do dia a dia. Pouco tolerante com a modernidade e com o excesso de liberalidade dos costumes, considerava a televisão “a perdição do mundo”. Espirituoso, irônico, comprazia-se com piadas mordazes. De memória prodigiosa, recitava de cor um mundo de versos de cordel. Permaneceu consciente e lúcido até o último minuto de vida.

Tinha uma preferência inequívoca pela gente simples, pelos humildes. Apaixonado pela Natureza, pelos bichos, pelo cheiro do mato, pela verdura do juazeiro, pelos espelhos e cursos d’água. Herdou de seu pai o prazer pela pesca; praticou-a inclusive em sangria do Açude Grande, por deleite e por identificação com esse cartão postal de Cajazeiras!

No seu vestir a camisa do Nordeste, Antonio Epaminondas apreciava muitas facetas da cultura popular da região. Nos últimos anos da década de 50 e nos primeiros da de 60, muita gente dirigia-se à então chamada Praça Dom Adauto, nas festas juninas, pra vê-lo soltar os balões que fazia. Encantava-se, eufórico como uma criança, com os circos que eram armados a poucos metros de sua casa. Luiz Gonzaga representava o ápice de suas fiéis preferências musicais.

Em 1962, incentivado por seu irmão José Epaminondas, Antonio mudou-se com a família para Campina Grande, onde nasceu sua filha caçula. Foram 11 filhos, que educou com muito sacrifício. Heroica e dignamente. Em Campina, continuou comerciante de bicicletas (teria preferido pintar quadros) até a aposentadoria.

Lembrava-se sempre de Cajazeiras, escutava seus programas radiofônicos, lia os jornais, torcia pelo Atlético. (Em Campina, foi raposeiro). Nos derradeiros anos de sua existência, lamentava que dificuldades de locomoção, devidas mormente a uma tontura crônica, impedissem-no de rever a cidade que tanto amava.

A pintura foi a grande paixão da vida de Antonio Epaminondas. Mais do que um passatempo! Desenhava com facilidade, porém na pintura a óleo encontrava quase a razão de viver. Inspirava-se às vezes em paisagens de outras plagas, todavia seu talento manifestava-se sobretudo na representação realista da paisagem nordestina: o mar, jangadas e coqueiros, e o sertão, a luz, o céu, a vegetação, os cactos em particular, as casas, ah, as casinhas!, estradas e caminhos, presenças quase hipnóticas em seus quadros, montanhas e pedras… pedras e mais pedras!…

Salvo orientações iniciais da professora Natércia Macambira, ainda em Cajazeiras, foi pintor autodidata. Participou de exposição individual e de mostra coletiva no Museu de Arte Assis Chateaubriand, de Campina Grande.

“Uma baraúna”, assim o conceituou uma amiga da família! Baraúna, pedra, cacto – duro na queda – e, a par disso, chefe de família dedicado, pai extremoso e artista sensível!

Antonio Epaminondas Braga, um Cajazeirense, faleceu em Campina Grande na madrugada de 11 de fevereiro de 2015.

JOÃO DAMASCO MANGUEIRA BRAGA

 

SOBRE Christiano Moura

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