Cajazeiras-PB, 20/10/2017

[AGUINALDO ROLIM] Fundação Zerinho: à Instituição e ao instituidor com gratidão

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Criada por Lei Municipal e Estadual, inaugurada em 14 de outubro de 2009, a Fundação José Nello Zerinho Rodrigues, entidade civil, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, tem como um dos seus objetivos – incentivar, resgatar e dinamizar a cultura do município de Cajazeiras, terra adotiva e amada do visionário Zerinho. São, porém, muitos os objetivos da Instituição nas áreas de Literatura, Artes, Música, Teatro, Pintura, Vídeo e outras manifestações culturais a serem desenvolvidas em prol da cultura paraibana.

Diz o Artigo 4º, item a, do seu Estatuto: “a Fundação Zerinho tem por finalidade manter parcial ou integralmente, em caráter filantrópico e beneficente, serviços de caráter assistencial, cultural, artístico, ambiental e educacional no município de Cajazeiras – PB ou em outras unidades da Federação…”. Desde que foi instituída, a entidade vem aos poucos se estruturando para cumprir as suas metas e a sua missão maior – a de promover a conquista da dignidade social. O coração do instituidor é maior que o seu corpo. Só não é maior que a sua lição de solidariedade. Um dos grandes projetos da Entidade tem a marca da filantropia. Trata-se do Natal Solidário e Pela Vida, veiculado maciçamente pela Rádio Oeste da Paraíba, outros meios de comunicação e já caminhando para sua 8ª edição. Pouca gente sabe, mas a Fundação ao longo desses anos já beneficiou mais de 15 mil famílias carentes da terra do Padre Rolim. Só no ano passado, mais de mil famílias foram contempladas com cestas básicas; outras 300 receberam roupas e 150 lares ganharam brinquedos e presentes.

Aluno do Colégio de Frades Franciscanos, em Triunfo – PE, Zerinho traz consigo desde os tempos de menino uma admiração e uma devoção especial por São Francisco de Assis. É tanto que o slogan da sua Fundação “é dando que se recebe” foi inspirado no santo dos pobres e humildes.

É bom lembrarmos, no entanto, que a Fundação Zerinho tem ainda como foco principal a preservação da memória e do legado histórico e cultural do seu instituidor José Nello Zerinho Rodrigues, cuja trajetória e lição de vida como empresário, político e cidadão devem ser pesquisadas e divulgadas para o engrandecimento das sociedades paraibana e cearense e para o conhecimento das gerações futuras.

Homem de muita sensibilidade e fé. Devoto das Artes e da Cultura, Zerinho também traz no sangue a genética das tias-avós: mulheres inteligentes, cultas e dedicadas aos eventos sociais, religiosos e culturais de Barro no Ceará. Vejamos o que disse a sua mestra, a escritora Crisantina Monteiro, no seu livro Memórias de uma professora, sobre dois irmãos de Ana André Rodrigues (Mãe Aninha), filha de André Rodrigues dos Santos e avó de Zerinho: “Inteligentes e criativos. Soledade era prendada em artes manuais, fazia flores… era ainda cantora da igreja, catequista e professora da criançada. Já Zecandré tinha pendores artísticos, tocava violão, cantava, promovia serestas e outros divertimentos, compunha peças teatrais… dedicou-se ainda a escrever livros, conseguindo fazer quatro publicações. A primeira e sua obra prima – O Capitão Januário, a Beata e os Cabras de Lampião – narra a história do Barro, desde os seus primórdios.”

Também não podia ser diferente. A história de Zerinho é riquíssima em imagens, histórias, causos, fotografias, folders, cartazes, livros, revistas, jornais e documentos preciosos para a memória da sua cidade natal e da terra do Padre Rolim. Acrescente-se ainda uma coleção de homenagens de causar inveja a muita gente e um curriculum vitae do tamanho da sua coragem e determinação. A vontade infinita de Zerinho é a de conservar e preservar todo esse material num espaço nobre que ele pretende construir brevemente, na Praça do Xamegão, em Cajazeiras.

A preservação e o resgate do grande acervo pessoal de Zerinho são mais que necessário. É urgente e preciso. Como ex-prefeito de Cajazeiras (1993/96), Zerinho acredita que a preservação da memória local deve ser uma preocupação e um dever não só dos gestores, mas sobretudo da comunidade. “Nossos governantes têm de assumir com responsabilidade a tarefa de gastar uma parcela dos recursos arrecadados com o resgate da história da sua cidade que, na verdade e de certa forma, é a sua própria história”, alerta o ilustre filho de Barro: idealizador, instituidor e grande benfeitor da Fundação Zerinho – um projeto de vida e de luz de maior importância para as gerações de hoje e do amanhã.

Vinte e dois e quatorze de outubro, duas datas mais que especiais para o pai de Arlan Rodrigues. Aniversário em dose dupla: de José Nello Zerinho Rodrigues e da Fundação Zerinho, uma instituição voltada a serviço do bem comum, no seu quinto ano de atividades. É sonho de Zerinho doar 10 mil metros quadrados, no loteamento Colinas do Oeste, à Fundação Zerinho para a construção da futura Casa da Criança que terá capacidade para abrigar 50 meninos e meninas de zero a dez anos

Iluminada pela aura da fé e pelo espírito de religiosidade das irmãs André, tias-avós de Zerinho, nascia no ano de 2013 o seu primeiro fruto: a Casa da Cultura André Rodrigues, no município de Barro Ceará. O nome como um justíssimo tributo de Zerinho à memória do seu bisavô pelo lado paterno. A instituição, com o objetivo de promover a pesquisa dos pioneiros no cariri cearense, bem como resgatar os princípios, os valores culturais e ainda salvaguardar a história do bravo povo barrense.

A preocupação com o social e o cultural sempre foi umas das marcas fortes no sacerdócio da solidariedade do cidadão José Nello Rodrigues. À instituição e ao instituidor os nossos aplausos e os mais sinceros votos de parabéns.

AGUINALDO ROLIM É PROFESSOR E HISTORIADOR

SOBRE Christiano Moura

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