Cajazeiras-PB, 19/11/2017
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Ação quer reabilitar dependentes químicos no Cariri cearense

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O Cariri terá mais um projeto destinado aos dependentes químicos. Trata-se da Fazenda da Esperança Padre Cícero, um espaço de 37 hectares que inicialmente estará aberto para receber 36 pessoas do sexo masculino. Fica a 5 quilômetros da cidade, no distrito de Coité.

O projeto lança uma nova perspectiva para trabalhar com os dependentes na localidade, mas estará aberto para receber aquelas pessoas que concebem o tratamento de livre e espontânea vontade. Durante o lançamento do projeto, na semana passada, jovens deram depoimentos de como saíram das drogas e muitos deles atuam agora como voluntários do projeto.

A Fazenda da Esperança é considerada a maior obra social da América Latina, com trabalho de recuperação de jovens envolvidos com drogas e possui unidades, além do Brasil, no México, Guatemala, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Argentina, Alemanha, Moçambique, Rússia e Filipinas.

A meta, após treinar uma equipe de missionários voluntários, será abrir a instituição filantrópica, em abril do próximo ano, em Mauriti. A Fazenda da Esperança funciona em todo o Brasil e já foi alvo de reconhecimento pelo então Papa Bento XVI como um importante trabalho pela promoção da paz.

O projeto está sendo encampado por meio da Diocese e o prédio para abrigar a Fazenda da Esperança encontra-se em construção, por meio de apoio da Secretaria de Saúde do Estado e prefeitura local. Segundo uma das integrantes da diretoria, Marisalva Saraiva Tavares, a problemática requer um trabalho bem elaborado e com pessoas capacitadas para desenvolver as ações. Ela afirma que já há uma perspectiva lançada para construção de um projeto do gênero para abrigar mulheres e poderá ser em Juazeiro do Norte.

Para ter acesso ao espaço, um dos quesitos, segundo Marisalva, é assinar uma carta de próprio punho aderindo ao tratamento e expondo os motivos da vontade de buscar uma nova vida. São 12 meses morando no local. A manutenção do espaço filantrópico será por meio de doações. Profissionais de saúde normalmente dão a sua parte na colaboração do tratamento com o voluntarismo do seu trabalho, no atendimento aos dependentes químicos. Conforme a diretora, os pacientes terão assistência psicológica, espiritual e pedagógica no local.

Demanda

Marisalva considera que atualmente na região existem poucos espaços destinados ao atendimento de dependentes químicos. No caso da Diocese, há mais dois projetos, um em Crato e outros em Barbalha, mas ainda não são suficientes para acolher a demanda de pacientes. Estão sendo construídas em Mauriti quatro casas, com bloco pedagógico, acolhimento, cozinha, refeitório e área de lazer dos internos. O projeto encampa atividades voltadas principalmente para agropecuárias.

A produção dos internos é destinada à sua própria família, que se une no propósito de crescimento e devolve o resultado do trabalho para os moradores da Fazenda Esperança.”É o que chamamos de família esperança”, diz ela, ao citar o espaço de participação dos internos. Também podem ser produzidos no local doces, cestas, além de artesanatos. Cursos e oficinas são propostos para os dependentes em recuperação. “É algo muito lindo. Um resgate de vidas”, diz.

Durante a última semana, uma tragédia em Juazeiro do Norte serviu de alerta, segundo Marisalva, para a problemática das drogas, como o duplo assassinato, em que o filho matou a sua própria mãe e a irmã. Ele chegou a falar, em depoimento, que não estava vendo a mãe e sim um animal, demonstrando estar num momento de alucinação. Drogas foram encontradas no local do crime, de acordo com a polícia local.

Alarme

Para a diretora, o problema das drogas tem sido preocupante e há uma necessidade cada vez maior desse trabalho voluntário de apoio aos dependentes químicos. A entidade, conforme explica, estará voltada para servir a qualquer pessoa, principalmente àquelas que puderem ter seus familiares mais próximos. Uma dessas fazendas será instalada também na cidade de Patos, na Paraíba, com inauguração em dezembro próximo.

Na última terça-feira, o projeto chegou a ser apresentado no Círculo Operário São José, em Juazeiro do Norte, durante encontro com a presença do diretor do Regional Nordeste I, padre Justeni Oliveira, do bispo diocesano dom Fernando Panico e vários padres e leigos da Diocese de Crato.

O evento teve como objetivo principal promover o entendimento sobre a importância da atuação desta instituição.

Assistência

O padre Justeni disse que o objetivo maior da casa terapêutica é dar a assistência e possibilidade de muitos jovens saírem dos vícios, sendo esperança para os dependentes e suas famílias. “Não sonhamos em ter muitas fazendas, mas é necessário abrirmos mais para que muitos encontrem a esperança, tendo um retorno à vida. Com a inauguração da unidade Padre Cícero, queremos fazer com que a Diocese de Crato seja esse santuário da vida onde as pessoas se encontram de novo, descobrindo o sentido de sua existência”, afirmou.

Dom Fernando disse considerar a presença da Fazenda da Esperança na Diocese pode ajudar muitas pessoas, em especial as que estão à margem da sociedade. Junto com o diretor regional estiveram também quatro ex-dependentes químicos que, após o período de acompanhamento, conseguindo se livrar das drogas, se tornaram missionários na comunidade e hoje os auxilia na implantação de novas casas de reabilitação.

Eles partilharam suas experiências de superação e vitória, como o caso do Mario Cézar, 50, que largou tudo o que tinha, família, amigos e foi morar na rua por causa das drogas; conhecendo a Fazenda da Esperança, foi resgatado aos valores da vida e está há um ano e oito meses sem consumir nenhum tipo de droga. Em consequência desta ação, conseguiu se reaproximar da família, reconstruindo a vida e hoje mostra a todos que é possível sair da dependência, desde que esteja amparado na fé em Deus e na força de vontade de querer vencer.

A Fazenda da Esperança acolhe pessoas com idade entre 15 e 45 anos, que desejam se recuperar livremente de drogas, álcool e tantos outros tipos de vícios, passando assim por um processo pedagógico de um ano de duração. Após o ingresso, os parentes poderão visitá-lo a partir do terceiro mês, quando os relacionamentos são reatados, a fim de superarem juntos os problemas gerados pelas drogas e pelo uso do álcool.

DIÁRIO DO NORDESTE

SOBRE Christiano Moura

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