Cajazeiras-PB, 24/11/2017
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A mansão dos mortos

CLEMILDO BRUNET

02 de novembro no nosso calendário é a data conhecida como dia de finados. Os fiéis da Igreja Católica Romana têm por costume fazer visita aos túmulos de seus entes queridos levando velas e flores para reverenciar os seus mortos. Durante muito tempo os cristãos não se relacionavam com os mortos. Essa prática se deu com a fusão da Igreja Cristã ao Estado romano, os cristãos acabaram introduzindo alguns costumes e crenças de vários povos, entre eles o de rezar e se comunicar com os seus antepassados mortos junto à sepultura.

O Dia de Finados foi instituído mesmo no Século X, por Santo Odílio, abade beneditino de Cluny na França, para os mosteiros de sua ordem especificamente, até que, no Século XI a Igreja Católica Romana universalizou a data, através dos Papas Silvestre II, João XVIII e Leão IX, que obrigaram a comunidade há dedicar um dia por ano aos mortos. Só que a data 02 de novembro foi institucionalizada a partir do Século 13.

No México, porém, a celebração de Finados é completamente diferente. Os mexicanos fazem uma verdadeira festa nesse dia e preparam um grande banquete. Segundo a tradição mexicana, nos dias 1º e 2 de novembro, Deus deixa os mortos virem visitar os seus familiares que ainda estão na terra. Ao mesmo tempo, os mortos têm a oportunidade de comer e beber aquilo que mais gostavam. Esse é um dos motivos dos grandes banquetes preparados nas casas mexicanas no Dia de Finados.

Assim, no dia 1° de novembro chegam às crianças que já morreram. Para elas é feito um altar com muitas velas que servem para iluminar o seu caminho de volta a terra. Além disso, são colocados doces e brinquedos nos altares. No dia 2 de novembro, chegam os adultos. Para ter a certeza de que encontrarão o caminho do cemitério para as suas casas, são espalhadas pétalas de flores e velas pelas ruas. No altar preparado pela família, o morto encontrará as oferendas pelos seus parentes, com os seus pratos favoritos em vida.

Quão difícil é para o homem entender o mistério da morte. Os que já partiram desta vida para outra esfera jamais em tempo algum voltaram a este planeta. A morte é uma viagem sem volta. O apóstolo São Paulo em sua carta aos coríntios declara que a morte é o último inimigo do homem a ser destruído. No entanto, ele nos lembra e consola que a despeito da morte ser uma consequência do pecado, a nossa esperança em Cristo não deve está limitada apenas a esta vida e se assim procedermos somos os mais infelizes dos homens!

Existe uma repulsa da nossa parte quando se fala em morte. Alguns até batem na madeira. Apesar de não haver uma compreensão unânime em sua profundidade, a morte deixa efeitos funestos quando desaparece um ente querido da família ou um amigo muito íntimo. O mais curioso e interessante é a preocupação que muitos têm com relação ao estado em que se encontra a pessoa que morreu.

Santo Agostinho chamado o pai da igreja no ocidente nos faz uma advertência: “A morte que os homens tanto temem, apenas é a separação entre o corpo e a alma; mas a morte que os homens não temem, é a eterna separação de Deus”. Davi o segundo rei de Israel quando perdeu seu filho consequência essa do pecado que havia cometido aos olhos de Deus, quando a criança adoeceu rogou muito pelo restabelecimento da saúde do filho. Orou, jejuou, não fez a barba nem tomou banho por cerca de sete dias.

No entanto, ao receber a informação que a criança havia morrido, se levantou de onde estava, tomou banho, fez a barba e alimentou-se. Seus súditos ficaram admirados com o comportamento do rei e diziam: “Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que ela morreu, te levantaste e comeste pão”. Ao que Davi respondeu: “Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”. 2 Samuel 12 :21-23

A condição de quem vive aqui na terra é descrita muito bem pelo patriarca Jó. Ele diz assim: “Lembra-te de que minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem. Os olhos dos que agora me veem não me verão mais; os teus olhos me procurarão, mas já não serei” E continua: “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce á sepultura jamais tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa nem o lugar onde habita o conhecerá jamais” Jó 7:7-10.

Outra afirmação sobre o estado dos que morrem está nas palavras do sábio Salomão terceiro rei de Israel. “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” Eclesiastes 9: 5-6

Jesus disse que há uma separação entre vivos e mortos. “E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” Lc.16:26.

No Dia de Finados, a preocupação de muitos será chorar, conduzir ramalhetes, acender velas e rezar pelos que partiram desta vida. Eles irão à mansão dos mortos nos diversos campos santos como são chamados os cemitérios, pois em seus entendimentos falta-lhes o pleno conhecimento da verdade e daquele que é a Luz, que disse: “Eu Sou a Luz do Mundo; quem me segue não andará em trevas, pelo contrário, terá a luz da vida”. Jo. 8:12.

SOBRE CLEMILDO BRUNET

CLEMILDO BRUNET

Radialista e jornalista em Pombal-PB.

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