Cajazeiras-PB, 16/12/2017
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A gênese do Seminário Nossa Senhora da Assunção

SEMINARIO-NOSSA-ASSUNCAO

A pedra fundamental do Seminário de Nossa Senhora da Assunção foi benta em Roma, por S. S. o Papa Pio XII, então gloriosamente reinante, no dia 16 de junho de 1950, Festa do Coração de Jesus.

Transcorria festivamente o dia 22 de agosto, mais um aniversário de Cajazeiras, comemorando-se os 150 anos do nascimento do seu imortal fundador, Padre Mestre Inácio de Sousa Rolim.

Naquele ano jubilar de 1950, era chegado, naquela mesma data, o momento histórico, ardentemente desejado por D. Mousinho, seu Clero e por todos os seus diocesanos.

Refiro-me a mais um acontecimento inesquecível e de significados indeléveis do tão famoso 22 de agosto, no calendário cajazeirense. Soara a hora deveras almejada em que S. Exa. Revma. D. Luís do Amaral Mousinho, de saudosa e imortal memória, contando com a presença efetiva e afetiva de D. Anselmo Pietrulla, Bispo de Campina Grande; D. Antônio Campelo, Bispo Auxiliar de Cuiabá; dos Sacerdotes Diocesa­nos e Salesianos e das autoridades locais: Prefeito Arsênio Araruna, Juiz de Direito Antônio do Couto Cartaxo, Presidente da Câmara de Vereadores,José Bonifácio de Moura e também com a participação de representações dos estabelecimentos de ensino da cidade e grande massa popular, revestido de paramentação solene, deu início à cerimônia do lançamento da Pedra Fundamental do Seminário Nossa Senhora a Assunção.

O Exmo. e Revmo. D. Mousinho entoou, em Canto Gregoriano,e bênção litúrgica e aspergiu com água benta o local, onde está construído nosso querido Seminário.

Fizeram-se fotografias. O ato foi saudado com vibrantes e estrepitosas salvas de palmas. A Banda de Música Municipal executou um dobrado. Houve espocar de foguetes. Foi entoado, fervorosa e entusiasticamente, o hino religioso-popular “Queremos Deus”, testemunhando a expansão de fé de todos os presentes.

O Bispo Diocesano dirigiu sua palavra de Pastor, com júbilo, sabedoria, eloquência e amor, afirmando que aquela tarde magnífica, da­quele dia solene, constituía “o mais emocionante momento de sua vida episcopal”, porque talvez nenhum outro empreendimento mais notável pudesse executar para a sua Diocese.

Na ocasião, ressaltou a urgente e grave necessidade do recrutamento e orientação das Vocações Sacerdotais, acentuou a sublime missão do sacerdote, evangelizador dos povos, propugnador da verda­de e sentinela dos direitos humanos.

Formulou ardentes votos para que o futuro Seminário forjasse corações abrasados como o de outro Moisés e inteligências brilhantes como a daquele Santo Sacerdote, Padre Mestre Inácio de Sousa Rolim.

Pediu insistente e confiante aos diocesanos que elevassem preces ao Altíssimo para que a semente plantada nascesse, crescesse, flo­rescesse, frutificasse e safrejasse (sic), abundantemente, numerosos san­tos sacerdotes para a Igreja de Deus.

Na oportunidade, disse, igualmente, que fazia presente ao Semi­nário de um Cálice banhado a ouro, recebido como lembrança de sua eleição para Bispo de Cajazeiras.

Afirmou que muitos compreendem o valor do Seminário, embo­ra outros existam que não querem ver a sua alta missão de formar cida­dãos que se tornam verdadeiros expoentes da vida social. Ao finalizar, proclamou em alto e bom som: “Neste Seminário irá se construir toda a segurança de nosso passado e toda grandeza de nosso futuro”.

Por sua vez, agradeceu a generosidade até agora recebida em prol do Seminário a ser construído, mas ressaltou, de maneira especial, o grande apoio da Prefeitura Municipal, através da pessoa do seu dinâmico Prefeito Arsênio Rolim Araruna e da benemérita Câmara de Verea­dores, tendo como Presidente o Sr. José Bonifácio de Moura, pela doação de um terreno de nove (09) hectares, com sua escritura devidamente registrada no Cartório do Registro de móveis, deste Município, no qual foi construído o Seminário.

Em seguida, convidou, D. Antônio Campelo, Bispo Auxiliar de Cuiabá, para usar da palavra, conclamando toda a Diocese de Cajazeiras cerrar fileiras, ardorosas e generosamente, na grande cruzada pela causa da construção e funcionamento do Seminário.

Dom Campelo, conhecedor profundo da fé e da generosidade do povo sertanejo, concitou os católicos da Diocese a prestarem o mais decisivo e irrestrito apoio ao empreendimento da criação do Seminário, obra fundamental e anseio ardente do coração de seu grande Pastor D. Mousinho.

Procedeu-se, finalmente, o lançamento da pedra fundamental que foi colocada dentro de um tubo metálico “juntamente com objetos da época, quais sejam Moeda do Brasil e uma do Estado do Vaticano, jornais, etc.”.

O Sr. Bispo depositou o invólucro em um receptáculo especialmente preparado, selando-se com cimento que os guardará à posteridade. Tudo foi depositado e acompanhado de um original da Ata da solenidade, escrita pelo Padre Américo Sérgio Maia, Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade e Cura da Sé.

Convém notar que antes de ser depositado o original da referida Ata, no aludido receptáculo, foi extraída da mesma uma cópia, naquele momento, como perpétua memória daquela ocorrência verdadeiramente histórica.

Cumpre-me, ademais, registrar que assinaram aquela ata, após sua leitura e aprovação, os Exmos. Srs. Bispos, sacerdotes e autoridades presentes, a saber: D. Luís do Amaral Mousinho, D. Anselmo Pietrulla, D. Antônio Campelo, Arsênio Rolim Araruna, Prefeito Municipal; Dr. Antônio do Couto Cartaxo, Juiz de Direito da Comarca de Cajazeiras; José Bonifácio de Moura, Presidente da Câmara Municipal; Mons. Abdon Pereira, Padre Osias Teixeira Leite – SDB, Padre Zacarias Rolim de Moura, Padre Oriel Antônio Fernandes, Padre Mário Balbi – SDB, Padre Luís Laires da Nóbrega e Padre Américo Maia.

Festa de inauguração – No dia 30 de janeiro do ano de 1955, dia inesquecível e histórico para toda a Diocese de Cajazeiras, foi inaugurado, solenemente, o Seminário Nossa Senhora da Assunção.

Cajazeiras desperta alegre e feliz, pelas quatro horas da manhã com uma alvorada festiva. Ouve-se o troar de bombas. Escuta-se a execução de melodiosos dobrados da Banda de Música Municipal a desfilar pelas principais artérias da Cidade.

Solene pontifical –  Prosseguindo a programação desta data inaugural, às cinco ho­ras da manhã, D. Zacarias Rolim de Moura celebrou Solene Pontificai, na antiga Catedral de Nossa Senhora da Piedade, atual Matriz de Nos­sa Senhora de Fátima, em ação de graças pelo feliz evento da conclu­são dos trabalhos da construção do Seminário Diocesano, cuja inaugu­ração, naquele dia, se efetivava solenemente. Ao Evangelho, fez um be­lo sermão o Côn. Manoel Vieira, Diretor do Ginásio Diocesano de Patos, ressaltando o altíssimo significado da inauguração do Seminário, para a formação dos futuros sacerdotes da Diocese de Cajazeiras.

Ato inaugural – Assistiram à Solene Missa Pontifical os Srs. Bispos: D, Luís do Amaral Mousinho, D. Aureliano Matos, D. Manoel Pereira da Costa, o clero, religiosas, autoridades locais, seminaristas, representações das paróquias e o povo católico em geral.

Chegando a Procissão ao Seminário, procedeu-se imediatamente à inauguração. Fizeram-se ouvir quatro oradores: D. Zacarias Rolim de Moura, D. Luís do Amaral Mousinho, Côn. Manoel Vieira e Mons. Abdon Pereira, os quais extravasaram seu contentamento com a indivisível vitória da Diocese de Cajazeiras que, após uma batalha de grandes e incontáveis sacrifícios, nesta data marcante e jamais esquecida, inaugurava o majestoso edifício do Seminário Diocesano, mercê de Deus e das bênçãos de Nossa Senhora da Assunção.
Proferidos os discursos, é chegado o momento do corte da fita simbólica de inauguração. A fita deveria ser cortada pelo Côn. Manoel Vieira, honra que lhe coubera por ser Diretor do Ginásio Diocesano de Patos, que mais contribuíra na Campanha Mariana, em favor do Seminário. Entretanto, o Revmo. Côn. Manoel Vieira declinou da honra para o Exmo. Sr. D. Luís do Amaral Mousinho, uma vez que ele, quando Bispo de Cajazeiras, tinha lançado a Pedra Fundamental do bonito edifício que ora se inaugurava.
Organizou-se uma triunfal procissão com a imagem de Nossa Senhora da Assunção, Padroeira do Seminário, partindo do Palácio Episcopal, em piedosa e festiva caminhada, para o Seminário.
DO LIVRO OS GAROTOS DE OURO, DE CHICO CARDOSO

SOBRE CHICO CARDOSO

CHICO CARDOSO

Advogado, jornalista, radialista e escritor. Apresenta o programa Caldeirão Político na Rádio Oeste da Paraíba.

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