Cajazeiras-PB, 16/12/2017
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Sistema de passaporte da PF recusa pessoas com cabelo afro

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Quando saiu de casa, na última terça-feira, 15, a jornalista Lília de Souza, 34, só tinha um objetivo: renovar o passaporte. Jamais imaginou que, justamente nesse dia, passaria por um episódio que, segundo ela, lhe causou “um dos maiores constrangimentos” que já vivenciou.

No momento de fazer a foto para o passaporte, o sistema não permitiu o registro. A policial que a atendeu, explicou qual era o problema. “O seu cabelo é black power e o sistema não aceita a imagem. Terá que prendê-lo”, disse.

Lilian ainda insistiu para fazer a foto com o cabelo solto. A policial tentou algumas vezes, mas o sistema não permitiu. “Fiquei muito constrangida. Tive que prender meu cabelo com uma borracha daquelas de escritório, que eles arrumaram e me deram. Saí de lá arrasada”.

O episódio ocorreu na Polícia Federal do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Salvador Shopping. Inconformada com a situação, a jornalista voltou ao local, depois de alguns minutos, para protestar.

“Procurei pelo coordenador, mas ele não estava. Conversei com duas policiais que disseram que isso sempre acontecia com pessoas com o cabelo como o meu”, afirma Lília, que, até então, não havia passado pelo problema.

“Há cinco anos, quando tirei meu passaporte, meu cabelo era bem menor do que hoje. Acredito que tenha sido por isso”, diz.

Lília enviou e-mail para a Ouvidoria da Polícia Federal, registrando o caso, e faz questão de deixar claro que foi bem tratada pelas policiais que a atenderam.

“O problema não foi o atendimento. Elas foram atenciosas e, na verdade, obedecem a regras. O sistema da PF é que é questionável, já que ignora completamente a etnia das pessoas”, afirma.

Sem retorno – A TARDE entrou em contato com a Polícia Federal, em Brasília, mas não obteve retorno até a publicação desta edição. No site do órgão, não há informações sobre os critérios e exigências para as fotos do passaporte.

Casos como de Lília podem ser comunicados ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela. A unidade está à disposição do público no edifício Brasilgás, localizado na avenida Sete de Setembro, no centro de Salvador. Denúncias também podem ser feitas pelos telefones 0800 284 0011 ou (71) 3117-7438.

A TARDE

SOBRE Christiano Moura

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