Cajazeiras-PB, 23/09/2017

‘Profetas da chuva’ acertam sobre inverno no Sertão da Paraíba

profeta

Mesmo com as mudanças proporcionadas pelo desenvolvimento e a informatização, ainda existem aqueles sertanejos que preferem se guiar pelas tradições, como é o caso dos chamados popularmente como ‘profetas das chuvas’.

Um desses sertanejos, o agricultor Raimundo Alexandre Batista, conhecido como coronel Nato, do sítio Juazeirinho, no município de São João do Rio do Peixe, distante 500 quilômetros de João Pessoa, acertou as previsões que fez de que o inverno de 2014 seria bom.

Em dezembro do ano anterior, o agricultor fez as previsões a partir de sinais emitidos pela  natureza no semiárido sertanejo. As análises do coronel Nato foram feitas ainda quando a seca completava dois anos e apesar de ter matado animais e afugentado moradores das zonas ruais sem água, o período de estiagem não acabou com a esperança do legítimo sertanejo.

As previsões de bom inverno para 2014 dos profetas da chuva são feitas a partir da analise dos sinais e dos fenômenos naturais emitidos pelo tempo, vento e pelos animais da região. Diferente dos meteorologistas que usam cálculos físicos e matemáticos, os sertanejos analisam a natureza e os sinais que se repetem e são passados de geração para geração.

Entre os sinais citados pelo profeta da chuva do Sertão da Paraíba, estão o coachar dos sapos e o sentido e a temperatura dos ventos. “Na primeira chuva que deu, os sapos cantavam que adornavam”, revelou.

Outro sinal analisado como prognóstico de inverno bom, citado por coronel Nato foi o aracati, que é o vento refrescante no sentido sudoeste, que estava acontecendo na ‘boca da noite’ nas regiões áridas do Sertão. “Faz muito tempo que eu não via isso acontecer”, contou.

O comportamento dos formigueiros também foi analisado pelo agricultor. Ele contou que os formigueiros que sobreviveram à seca começaram cedo a botar os bagulhos para fora do buraco. “Nós vamos ter inverno que vai valer a pena, não tenho nem susto”, previu.

O meteorologista a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), Alexandre Magno, considerou a cultura popular importante e defendeu que ela que deve ser respeitada. “Esse tipo de diagnóstico tem que ser respeitado porque nós também aprendemos com a natureza”, disse. Apesar de não ter comprovação científica, elas representam a sabedoria popular, na opinião do meteorologista.

No entanto, Alexandre explicou que as previsões meteorológicas são baseadas em análises do comportamento físico-matemático da atmosfera, ou seja, de interpretações de equações físicas através da modelagem matemática e numérica com utilização de técnicas de sensoriamento remoto.

Ele revelou, ainda, que para as análises empíricas, como a do vento conhecido como aracati, existem explicações físicas para os fenômenos. “O fluxo dos ventos tem um sentido físico”. Para explicar, ele citou a análise empírica em que as pessoas utilizam uma pedra de sal na janela no dia 31 de dezembro.

“Quando acontece o fenômeno El Niño, a umidade fica muito baixa, muda a circulação atmosférica e ocorre um bloqueio que aumenta a pressão e a temperatura e reduz a umidade”, explicou. Nesse caso, a pedra de sal que é colocada continua seca, indicando que o tempo permanecerá quente e seco no semiárido, sem as esperadas chuvas.

Com previsões empíricas ou de meteorologistas, o certo é que as chuvas registradas no Sertão da Paraíba já estão acima da média em algumas cidades e estão mudando a paisagem e o dia a dia dos sertanejos que viviam a perambular em busca de água há bem pouco tempo.

Apesar das precipitações não estarem acumulando água nos grandes mananciais que abastecem as cidades, os barreiros e açudes de pequeno porte das zonas rurais dos municípios estão cheios, trazendo alegria e esperanças de dias melhores aos agricultores.

As chuvas não estão sendo regulares, mas a escassez cíclica no semiárido faz com que elas sejam sinônimo de felicidade. E esse contentamento é visível no rosto dos sertanejos que vivem a nova fase das chuvas como se ela fosse uma dádiva divina.

Nas redes sociais, diariamente são postadas fotos tanto das chuvas, como dos rios, riachos, açudes e barreiros sangrando e esbanjando água em localidades onde até pouco tempo atrás o solo estava rachado e a terra dura e árida.

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