Cajazeiras-PB, 21/10/2017

Professor Antonio de Souza, o Mestre-Escola

antonio de souza

Antônio José de Souza ou Antônio de Souza, como é vulgarmente conhecido, nasceu no dia 19 de outubro de 1901, no sítio Cotó, hoje sitio Fátima, deste Município, filho legítimo de José Raimundo de Souza e de Leopoldina Maria de Jesus. Estado civil, solteiro.

Seus pais eram camponeses pobres, descendentes da linhagem dos Gomes Albuquerque. Possuíam uma pequena gleba de terra, da qual tiravam o sustento para manutenção dos seus onze filhos.

Como filho mais velho do casal, Antonio do Souza passou a infância e a adolescência ajudando o seu pai na luta quotidiana, no trabalho árduo da agricultura, nos serviço de roça, cuidando também da pequena criação de gado vacum, caprino, ovino e suíno.

As primeiras letras, ler e escrever e a tabuada, aprendeu com o seu pai. Em outubro de 1912, com 11 anos de idade frequentou, nela primeira vez, uma escola particular do Mestre (Professor) Samuel Albuquerque, que funcionava no sítio Cotó, em casa de um padrinho seu. Frequentou a escola durante um mês. Destacou-se entre os demais alunos pelo comportamento e pelo adiantamento das lições do Mestre, que o considerou como um dos mais inteligentes dos seus discípulos.
Desejava estudar no Colégio. Sentia o chamamento para a vida sacerdotal. Queria ser padre. Seus pais não dispunham de condições fi- nanceiras para custear as despesas dos estudos para sua formação sacerdotal. Mas não esmoreceu. Com ingentes sacrifícios conseguiu amealhar pequenas economias, que lhe garantiam o pagamento das despesas de um ano de estudos no Colégio.
Resolveu abandonar a vivência grosseira da roça, deixar a casa paterna, trocando o ambiente matuto saturado de monotonia pelo convívio aberto, agradável e comunicativo da gente da cidade, cujo contato transmitia alegria e um pouco de educação social. E isso já era alguma coisa.
Em fevereiro de 1922 ingressou no Colégio Padre Rolim como aluno externo, matriculando-se no Curso Primário, que era feito em três séries, concluindo em 1923. Em 1924 iniciou o Curso Ginasial, que, naquele tempo, por deficiência pedagógica, o Colégio mantinha apenas as duas primeiras séries, ou seja, a metade do Curso. Em 1925 concluiu a série ginasial. Os alunos filhos de pais abastados que tinham condições para concluir o Curso, deslocavam-se para Recife, Paraíba, capital do Estado ou Fortaleza.
Não dispondo de recursos para continuar seus estudos, Antonio do Souza resolveu ensinar o que aprendera. Abriu uma escola e iniciou o exercício do magistério. Fez-se professor.
Além das aulas de sua escola durante o dia, à noite, dava aulas também à meninada pobre da cidade, na Escola São Vicente de Paulo, e aos empregados no comércio, na sede da Associação dos Empregados no Comércio de Cajazeiras (AECC).
Sob os auspícios da mocidade cajazeirense, em 1926  fundou um jor- nal esportivo sob a denominação “0 SPORT”, o qual, sob sua direção, se tornou em órgão político, inde- pendente e noticioso, circunlado aos domingos. Esse jornal se manteve circulado durante 4 anos.
Cargos que ocupou o  desempenhou a partir de 1927 até o presente ano de 1976. De 1927 a 1928, balconista das Lojas “A Pernambucana”, nesta cidade. De 1928 a 1929 foi Sacristão, Tesoureiro e Secretário da Paróquia de São João do Rio do Peixe (hoje Antenor Navarro). De 1929 a 1931, professor do Instituto São Luiz, dirigido pelo Professor Hildebrando Leal.
Em 1932, durante 8 meses, auxiliar de es- critório na Residência de Campo da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, na rodovia Cajazeiras – Pombal. De novembro de 1932 a fevereiro de 1934, Tesoureiro da Prefeitura de Itabaiana e Diretor do Jornal Oficial do Município – “A FOLHA”. De fevereiro a julho de 1934, durante 6 meses, Professor Público dos presos da Cadela Pública de João Pessoa e Censor do Governo junto á im- prensa da Oposição, na Capital do Estado.
De julho de 1934 a dezembro de 1937, auxiliar de escrita no Escritório da Estação Experimental de Fruticultura Tropical, do Ministério da Agricultura, sediada no município de Espírito Santo, Paraíba. Em 1938 a 1939, Fiscal do Governo do Estado junto à Aca- demia de Comércio de Itabaiana. De 1940 a 1942, Redator-Secretário do jornal semanário “0 ESTADO NOVO”, de Cajazeiras. De 1942 a 1944, Fiscal do DNOCS, na construção da Rodovia “TRANSNORDESTINA”, trecho – Ipaumirim -Barro – Milagres – Brejo Santo – Macapá, no Ceará. Em 1945, durante 6 meses, contabilista da Prefeitura de Cajazeiras.
De 1945 a 1947, Secretário da Prefeitura de Cajazeiras. Nomeado interinamente Prefeito de Cajazeiras, pelo Interventor Federal do Estado Dr. José Gomes da Silva, ocupou esse cargo durante um mês, de fevereiro a março de 1947. De fevereiro de 1948 a março de 1949, auxiliar de escrita no Escritório da Residência do DNOCS, em Catingueira, Piancó. De 1949 a 1951, Administrador da Conserva da Rodovia Central da Paraíba, trecho São Bento – Pombal – Aparecida- Sousa- São Gonçalo – Cajazeiras – Itaumirim, Ceará. Igualmente administrou, na mesma época, os serviços de conserva da rodagem do triângulo de Pombal – Jericó – Catolé do Rocha.
De 1951 a 1963, Inspetor Municipal do Ensino, em Cajazeiras, cargo em cujas funções se aposentou. Desde Janeiro de 1961, Secretário do Colégio Municipal Monsenhor Constantino Vieira, cargo ainda ocupa, exercendo ainda, desde julho de 1974 as funções do Secretario da Biblioteca Pública Municipal.
ANTONIO DE SOUZA SOBRINHO É EX-REITOR DA UFPB

SOBRE Christiano Moura

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