Cajazeiras-PB, 13/12/2017
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Primeira professora com Down do Brasil é nordestina

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Os olhos puxados de Débora Araújo Seabra de Moura, 32 anos, revelam muito do que podemos enxergar. A primeira portadora da síndrome de Down a se formar professora com magistério no Brasil venceu barreiras e preconceitos, provando que a inclusão é possível em qualquer lugar. De personalidade tranquila e autoestima contagiante, a potiguar que mora em Natal (RN) é ativa e desbravadora e a escola teve papel fundamental na sua caminhada. Neste 15 de outubro, quando se comemora o Dia do Professor, a história de Débora vem nos trazer um exemplo de luta pela inclusão de pessoas com deficiência intelectual na rede regular de ensino.

Quando menina, Débora Seabra sempre estudou em escolas regulares junto com outras crianças sem a síndrome e driblou as adversidades. Seus pais acreditavam que ela precisava de desafios e a estimularam desde cedo a ser independente. E em casa sempre foi tratada como o irmão mais velho, sem diferenças. “A escola me fez se sentir incluída, lá fiz muitas amizades”, conta Débora.

A educadora explica que a vontade de ingressar na profissão nasceu de uma experiência que teve no ano 2000, quando foi estagiária numa turma do ensino infantil no Colégio CIC, na capital potiguar. Na instituição, ela também era professora auxiliar e adorou tanto que decidiu fazer o magistério. “Eu adorei e muitas vezes me emocionei ao ser chamada de professora”, disse. Débora então cursou por quatro anos o magistério na Escola Estadual Luís Antônio, se formando em 2005.

Hoje, Débora Seabra é professora auxiliar de uma escola particular tradicional da cidade, onde trabalha há nove anos. Ela se dedica pela manhã a uma turma de alunos da educação infantil com faixa etária entre seis e sete anos. Débora acompanha as crianças em diversas atividades como leitura, aulas de informática, nas brincadeiras e auxilia também nas tarefas em sala, sempre com a supervisão da  professora titular da turma.

“Eu faço como toda professora auxiliar faz. Eu levo eles para a roda, ajudo nas aulas de informática, de música e de inglês. Também na leitura dos livros, nas atividades e brincadeiras. Tudo de acordo com o planejamento pedagógico”, disse. “Adoro trabalhar com as crianças”, destaca. E revela que se sente bem no seu local de trabalho, onde foi muito bem recebida pelos funcionários, professores e alunos. “Lá nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Eu sou respeitada, nunca surgiu isso”, diz.

NE10

SOBRE Christiano Moura

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