Cajazeiras-PB, 22/10/2017

Os bairros conflagrados: o outro Estado

 

Numa das últimas vezes que estive em Maceió, tive a curiosidade de perguntar o porquê daquela aprazível cidade ostentar o incômodo título da de ser a Capital mais violenta do Brasil. A resposta que eu recebi foi a seguinte: Maceió em 95 por cento de seus bairros, é uma cidade normal, mas existem dois bairros periféricos ( que infelizmente não me recordo seus nomes – o Dr. Alzeimer parece que está começando a me tratar) que as gangues rivais vivem uma guerra intestina o entre eles e vivem a se matar, e como estão fazendo em parte trabalho da polícia, o pessoal da Segurança Pública faz uma espécie de cordão de isolamento, deixa eles se digladiarem, e cuidam mais do resto da cidade, esse, com índices de violência, equiparados ao restante das capitais.

Não achei nada boa a solução que tomava, pois a segurança tem de ser direito do cidadão onde quer que ele resida. Mas como explicação é válida, dentro desses parâmetros que por lá se aceitam: uma coisa é certa: se gasta menos.

Mas trazendo o caso para nossa comunidade, hoje a gente pode notar que existe algo de semelhante por essas bandas. O Bairro São Francisco, a Asa Sul. Recentemente palco de dois homicídios extremamente violentos, o de Tiago “Macacheira” e “Peixim da Asa”, que ainda está entre nos por milagre, além de outros dois cujas vitimas eram “os bodegas” esses que apesar de cometidos em Bom jesus, estão intimamente relacionados.

Mas vamos viajar um pouco no tempo, uns cinco anos: Sempre que eu aparecesse pela Asa, procurava visitar dois chegados: Wilson Moreno e Marcos Aleijado. O primeiro por relações antigas e o outro também pelo fato de como sou advogado, perquirir a sua situação legal nas vezes que era solto. Esses, e principalmente o segundo eram “os morais” daquele bairro periférico. Falo isso pois ambos faleceram. Mas Marcos mantinha uma certa autoridade por aquelas bandas, e quando apareciam problemas, tipo pequenos furtos ( os furtos de uso), quando algum nóia estava dando trabalho, ele(s) mandavam avisos, e por vezes corretivos, tipo uma surra, um tiro no pé, e similares. Ressalto que como advogado, e em função disso, deploro veementemente tais procedimentos: um crime para pagar outro.

Mas, como na periferia de Maceió, era o que havia e a polícia discretamente cruzava os braços, era mais cômodo, eu fui colega de um policial que tomava conta da antiga Cadeia Pública e ele me dizia que quando tinha maconha a paz reinava naquela casa prisional, e ele mesmo proibindo e combatendo esse crime, via um certo alívio quando “passava”, a erva maldita, que convenhamos poderia estar descriminalizada há muito tempo, hoje a maconha medicinal é a maior lavoura da Califórnia.

Mas voltando ao assunto dessas mal (e muito mal) traçadas linhas. Quando esses cidadãos foram prestar contas ao criador, ninguém às suas respectivas alturas os substituíram, então como nos fala a letra “Anjo 45” de Jorge Benjor: “Os malandros otários deitaram na sopa”, e cada um quer manter seu domínio, inclusive com ações e reações absolutamente desproporcionais: veja esses caso recentes, em que como conheço boa parte do caminho daquele inferno, conhecia todos os dois: o que foi assassinado, era um viciado que fazia tráfico para manter o seu consumo, o outro era um ladrão de pequenos objetos: sua mais impressionante atuação foi quando estava preso, lavava as motos dos policiais, e seus captores cronometraram o tempo que ele levava para furtar um amortecedor de moto, e o tempo impressiona, 75 segundos. Outra vez, foram num sítio furtar galinhas bodes, etc,., o dono fez uso de uma doze, que atingiu seus companheiros de “Formação de quadrilha”, para usar um termo muito em voga”:  ou seja,  muito longe de serem bandidos de alta periculosidade, o mesmo se aplica aos Bodegas. No primeiro caso um homicídio absolutamente desproporcional, e no segundo caso, as rixas de família, que ao invés de se resolverem na justiça, o modus operandi, do local seria o de se resolver na violência, como se o cangaço já não tivesse acabado, e há muito. Coisas de estado frouxo, e com todos esses fatos o bairro como um todo vai sendo descriminalizado, e seus habitantes, a grande maioria gente de bem e trabalhadora, ficam como que estigmatizados.

Seria o caso de o “Estado” ente estatal, proporcionar o que legalmente é sua função dar escola (e em tempo integral) às crianças, estariam estudando e não copiando os seus “heróis”, e imitando as coisas ruins que vem na TV, como foi o recente caso dos palhaços delinquentes, que os meninos começaram a fazer um arremedeio. Lá menino de 2, 3 anos já sabe diferenciar o estampido de um tiro de uma explosão de um rojão, e haver trabalho honesto aos pais, além de se ter um serviço de assistência social que mereça o nome. Uma traficante da (desculpem o que eu vou escrever) “Ocaida”, foi presa, e seus filhos ficaram literalmente desamparados. Num primeiro momento os vizinhos foram quem prestaram assistência, o Conselho Tutelar chegou depois. Em tempo: esse termo cacofônico “Ocaida” nada tem a ver com seu parônimo Al Kaeda, esse tem como objetivo a destruição da Civilização Ocidental através de uma Guerra Santa, enquanto nossos imitadores analfabetos não passam de uma facção criminosa que a Capital de nosso estado presenteou Cajazeiras com alguns de seus membros, que vieram para nosso Presídio padrão e criar famílias e trazer problemas.

De degrau em degrau, vamos chegando aos citados bairros da Capital das Alagoas.

SOBRE PEPÉ PIRES FERREIRA

PEPÉ PIRES FERREIRA
Engenheiro mecânico e advogado.

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