[PEPÉ PIRES FERREIRA] A sucessão nos USA e em Cajazeiras: a comparação inescapável


Prezado leitor. Estava prontinho a segunda parte do texto de semana passada, onde eu criticaria o momento presente no Brasil, mas os resultados das eleições ocorridas na Matriz (Estados Unidos) e aqui no nosso cafundó, aconteceram semelhanças tão extraordinárias que me obrigam a fazer uma comparação mesmo para mim, já tendo visto bastante de tudo, fico com a obrigação de deixar o restante de lado e comentar essas eleições tão distantes em termos de físicos, como de importância, mas com tantos pontos em comum.

Nos dois casos, a contenda se desenrolou entre um homem e uma mulher temos a dizer  Denise-Hillary uma certa vantagem, as mulheres tanto lá quanto aqui eram esposas de ex – gestores extremamente populares Clinton lá e Carlos Antônio cá, e elas eram pessoas com inegável competência e experiência: Hillary senadora, e Secretária de Estado, e Denise foi Secretária de Estado (da Paraíba, mas ainda assim um estado), e ainda em plena gestão municipal, sem nenhum erro de gestão que a fizesse desmerecer o cargo que atualmente ocupa, tanto que até agora nenhum processo foi aberto pedindo sua deposição, ou que houvesse indício de má gestão. A própria Operação Andaime, passou ao largo de Cajazeiras, em comparação a outras cidades em que até o gestor (no nosso caso gestora – Cláudia Dias) foi preso.

Mas continuando com a minha (personalíssima) análise, ainda sob e emoção que senti com o resultado dos USA, Assim que soube, ficaram as semelhanças evidentes.

Agora vamos para as diferenças, apenas vou citar a mais óbvia, lá se trata da sucessão presidencial da maior potência econômica, militar e mais um monte de coisas, enquanto por cá, temos uma cidadezinha relativamente remota encravada na considerada “região problema do país”, grandes semelhanças na realidade não existem, mas como tudo aconteceu de uma forma muito semelhante, temos até por uma questão de “momentum”; imagine comparar Cajazeiras com os estados Unidos, só se fosse um insano para deixar de perder essa oportunidade única.

Nos dois casos, o povo nas urnas rejeitou a continuação de uma Dinastia, Clinton (o presidente mais popular da história americana), Obama, Hillary, e se fosse bem sucedida essa, já se falava por lá, na Primeira Dama Michelle Obama para suceder Hillary, caso vencesse o pleito. Aqui temos o prefeito mais carismático que essa terra já produziu, prefeito por duas gestões campeão das urnas, com tremendos problemas com a justiça, tendo como sucessora sua esposa, mais centrada, muito menos pirotécnica, embora soubesse como sabe, se expressar em seus discursos, mas sem emocionar o público. Denise não tem o carisma de Carlos Antônio, e até ela sabe.

Temos que acusar como oura semelhança, o fato de os vitoriosos tanto lá como cá os vitoriosos nunca tiveram experiência de gestão de um ente estatal (lá o país, cá o município), enquanto as perdedoras tinham a larga experiência e no nosso caso ainda tem, larga experiência em Gestão Pública.

Agora a principal diferença, o candidato vencedor de lá é um verdadeiro, e põe verdadeiro nisso, artista midiático, fazendo pronunciamentos que eu, como toda a “inteligescia burra”, achávamos que era suicídio político, mas era na verdade a máxima aqui tornada famosa pelo Abelardo Barbosa, o Chacrinha: “Falem mal mas falem de mim”. Trump foi galgando degrau por degrau um inusitado caminho para a Casa Branca, enquanto Zé Aldemir, apesar de não ser um fenômeno nos palanques, compensava com larga margem essa deficiência com o tal “serviço prestado”, ou seja, em sua longa trajetória política prestou inumeráveis favores, resolveu muitíssimos problemas, para nossos concidadãos, o que fazia com que mesmo não podendo o eleitor votar nele, o recebia e agradecia algum serviço prestado por Zé Aldemir; daí ao voto, mesmo sob sigilo era um passo, pois dois anos antes Zé Aldemir e Denise estavam do mesmo lado.

Ainda temos o fato de que a mídia em peso estava do lado perdedor, e tanto lá na matriz como nesse subúrbio esquecido por deus, todas as pesquisas davam as candidatas como vitoriosas, sendo que lá de maneira bem menos irresponsável mas ainda dava a vitória de Hillary por pequena margem, enquanto aqui se publicou uma pesquisa claramente falsa, ou dirigida, pois é impossível se mudar cinco mil votos (quatro mil da maioria de Denise na pesquisa mais os mil votos de maioria de Zé Aldemir nas urnas) em menos de uma semana.

Em ambos os casos, abertas as urnas, o que apareceu foi uma surpresa quase inacreditável.

Em todo caso, é nosso dever como cidadãos, tanto de cajazeiras, quanto do mundo, desejar boa sorte para os eleitos, e no caso de lá esperemos que o vencedor não seja um maluco como parece e queira testar de verdade o poderio do seu arsenal nuclear. Seria o fim do mundo inclusive da gente escondida nas Cajazeiras dos Rolim…

Caro leitor. Agradeço a deus (só pode ser ele) a oportunidade de poder escrever sobre esse momento. Há poucos meses não acreditava possível nem o acontecido aqui, e muito menos o acontecido lá, poder fazer esses comentários é uma coisa que me enche de prazer.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *