Cajazeiras-PB, 12/12/2017
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Paraíba tem 1,6 mil adolescentes vítimas da violência

SIAB

Dados do Siab apontam João Pessoa como a cidade que registrou o maior número de mortes de adolescentes de 2003 a 2013.

Em 10 anos, ocorreram 1.628 óbitos de adolescentes por violência na Paraíba, segundo dados do Ministério da Saúde.

Os dados, registrados pelo Sistema de Informação e Atenção Básica (Siab), referem-se ao período de 2003 a 2013 e, além dos assassinatos, incluem casos de violência doméstica, externa (acidentes) ou autoaplicada (suicídio). No ano passado, foram contabilizadas 168 mortes e no último mês de janeiro ocorreram dez óbitos.

Conforme os dados do Siab, os óbitos de adolescentes aumentaram de 141 casos, em 2010, para 243, em 2012. No ano seguinte, embora as mortes neste grupo etário tenha diminuído, o número continuou acima dos 100 casos e registrou um total de 168 mortes.

Ainda segundo o levantamento do Siab, considerando a última década, somente nos anos de 2007 e 2008 o quantitativo de óbitos se manteve estável e registrou 98 casos nesses 2 anos.

Ainda de 2003 a 2013, os dados apontam João Pessoa como a cidade que registrou o maior número de óbitos de adolescentes, com 379 casos. Em seguida aparece o município de Campina Grande, com 172 mortes.

Neste mesmo período, um número considerável de casos também foram registrados nos municípios de Bayeux (96), Sousa (62), Patos (44), Santa Rita (41) e Sapé (34). No ano passado, João Pessoa e Campina Grande continuaram em destaque, sendo 32 casos na capital e 13 em Campina.

Uma das mortes que entrou para as estatísticas de 2013 foi a morte de um adolescente de 13 anos, em Bayeux, Grande João Pessoa. Segundo informações repassadas pela polícia na época do crime, no dia 19 de maio, o adolescente estaria envolvido com um grupo criminoso e foi morto a tiros por pessoas do grupo rival.

Este ano, a violência não deu trégua e entre as onze mortes ocorridas durante o último feriado da “Semana Santa” estava um adolescente, de 14 anos, vítima de homicídio em Cruz das Armas.

De acordo com o delegado-geral adjunto da Paraíba, Isaías Gualberto, os dados do Siab referem-se a casos de assassinatos, e também a casos de morte externa, como acidentes, suicídio (auto-aplicada). “Eles contabilizam todos os casos de mortes das pessoas nesta faixa etária, mas nem todos são de assassinatos. Temos casos de acidentes, abandono e outras causas externas”, completa o delegado.

Ainda segundo Isaías Gualberto, o tráfico de drogas está entre os principais fatores que ocasionam as mortes de adolescentes por violência. Contudo, ele lembra que somente as investigações e a conclusão dos inquéritos é que apontam o verdadeiro motivo dos crimes.

“O inquérito é para se chegar à materialidade e circunstancialidade do crime. Se uma pessoa é usuária de drogas e foi morta, não necessariamente ela foi morta por causa disso. Agora, em João Pessoa e nas grandes cidades o envolvimento com drogas é o plano de fundo. Mas dizer de maneira geral que os jovens foram mortos por envolvimento com drogas pode ser precipitado”, alertou.

 

TRÁFICO MOTIVA OS HOMICÍDIOS –  A manhã de ontem, que seria de descanso para a camareira Maria Aparecida (nome fictício), foi de movimentação na Delegacia da Infância e Juventude. Para livrar o filho, de apenas 14 anos, de tentativa de homicídio, ela passou toda a manhã na delegacia. A mãe conta que nunca viu o rapaz com drogas ou armas. Contudo, ela teme pela vida do filho devido a desavenças com jovens de outros bairros.

“A gente nunca sabe o que pode acontecer. Hoje, eu estou aqui para defender ele, mas e depois? Porque essas pessoas não querem saber da mãe ou do pai de ninguém”, questiona. O medo da camareira é que o filho tenha o destino trágico de outros jovens que moravam no mesmo bairro onde o garoto vive, em Mandacaru.

Um dos casos de morte de adolescente por violência ocorreu em fevereiro deste ano, em que um garoto de 15 anos foi morto a tiros em uma localidade conhecida por “Beco da Baleadeira”.

Segundo informações apresentadas pela polícia na época do crime, a vítima teria sido assassinada por dívidas de drogas.

Comandando há 2 anos a Unidade de Polícia Solidária (UPS) no bairro, o capitão Antônio Souza acredita que a maior parte dos assassinatos envolvendo jovens no bairro se deve ao envolvimento com o tráfico.

“Em Mandacaru a gente observa a presença marcante de crianças e adolescentes no mundo das drogas. Portanto, a faixa etária dos assassinatos varia dos 15 aos 22 anos e a gente tem constatado a presença marcante de adolescentes envolvidos, inclusive na autoria dos crimes”, lamentou.

Para a promotora da Infância Infracional da capital, Ivete Arruda, os assassinatos de adolescentes por furto, brigas e outros crimes também podem está relacionados às drogas, como a dependência química.

“Infelizmente, a maioria dos casos que eu atendo são em decorrência do envolvimento com drogas. Essa criança ou adolescente começa a usar drogas e termina fazendo dívidas. O pessoal começa a cobrar do adolescente e ele paga com serviços, como tráfico, roubo ou vigia de boca. Ou seja, em razão das drogas, essa criança ou adolescente se envolve com outras coisas”, disse a promotora.

 

SEGURANÇA PÚBLICA – O secretário de Segurança e Defesa Social da Paraíba, Cláudio Lima, considerou preocupantes os dados apresentados pelo Siab, mas destacou as iniciativas da secretaria para diminuir os homicídios em todo o Estado.

“O governo adotou uma gestão focada em resultados. É o mesmo modelo de Pernambuco, que visa a reduzir a criminalidade a partir do estabelecimento de metas, responsabilidade territorial e cobrança igualitária e transversal da Polícia Militar, Civil e até do Corpo de Bombeiros”, comentou.

Conforme Lima, um dos efeitos da atual estratégia foi a divisão do território do Estado em 20 áreas para facilitar o monitoramento e a segurança. “Essa medida estruturante foi inclusive fundamentada em uma lei que redimensionou todas as áreas do Estado circunscricionais”, explicou.

Ainda segundo ele, para que tais ações sejam efetivas, é necessário, acima de tudo, a modernização dos sistemas de comunicação e o apoio irrestrito dos gestores. “O sistema de rádio do Estado todo é precário e analógico, por exemplo”, frisou.

“Precisamos de um novo modelo de rádio, além da contratação e capacitação de mais policiais, porque policial não se forma da noite para o dia”, acrescentou, salientando as atuais medidas do governo para valorizar os profissionais que atuam na segurança.

“Temos procurado atender a alguns destes aspectos, dando atenção aos salários, capacitando de forma eficiente, promovendo e premiando os policiais que atingem os objetivos. Só neste ano, já foram 2.400 policiais promovidos”, revelou.

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