Cajazeiras-PB, 21/10/2017

Os caminhos dourados de Cajazeiras rumo ao futuro

Neste 22 de agosto, vamos celebrar 217 anos de nascimento de Padre Rolim, data que uma Lei Municipal determinou para ser comemorada a Emancipação Política de Cajazeiras, e ao longo destes anos, muitos filhos deste rincão sertanejo, contribuíram para a construção de sua História.

Comenta-se que o Padre Rolim teria feito, em vida, muitos milagres, infelizmente ainda não comprovados, mas desde o dia em que se começou a esboçar um movimento para a sua beatificação que a terra que lhe serviu de berço e também de leito eterno, vem acontecendo fatos que poderíamos colocar na relação de milagrosos e tem-se creditado ao santo padre Rolim.

Que fatos são estes? Enumeremos: enquanto a cidade de Patos se antecipava na comemoração da conquista da instalação do Curso de Medicina, no dia seguinte publicava-se que a cidade sede seria Cajazeiras; enquanto a cidade de Sousa contava como favas contadas de que seria no seu território a construção de um aeroporto regional, os filhos de Cajazeiras foram iluminados e se anteciparam ao fato e tiveram a capacidade de gerar uma situação, diante do governo do Estado, irreversível e foi construído em nosso município o que será o melhor aeroporto do interior da Paraíba; jamais se pensou um dia que homens da China, que moram no outro lado do mundo, aportassem em Cajazeiras para extrair do seu solo o ferro abundante das jazidas do Patamuté e o estudos foram feitos e aguarda-se a sua exploração.

Já esteve em nossa cidade uma comissão para definir a localização de um grande Hospital Universitário, com recursos da ordem de 186 milhões de reais, o que possibilitará no futuro nos tornamos o terceiro pólo de saúde do estado. Há perspectivas de um quadro de pessoal na ordem de 1.200 funcionários.

Poderíamos parar por aqui citando apenas o ferro, o aeroporto, o curso de medicina, mas o grande milagre da multiplicação vem acontecendo com as sementes plantadas pelo padre Rolim: a educação. Infelizmente ainda não temos um estudo mais preciso ou uma pesquisa de cunho científico para aquilatarmos o quanto este setor tem contribuído no processo evolutivo de nosso município, muito embora possamos, sem estes dados, afirmar, sem medo de errar, que ele tem sido o fator decisivo deste crescimento.

Mas o que eu gostaria de chamar a atenção de Cajazeiras é que em seu solo não existe apenas o minério de ferro. O grande e famoso educador cajazeirense e renomado professor de geografia do Colégio Salesiano Padre Rolim, Dr. Ferreira Júnior, em seu livro Corografia do Município de Cajazeiras, editado no ano de 1941, cita que o solo de Cajazeiras “é rico também em ouro, além de cristal de rocha, columbitas, mica, amianto, gesso, ocre, sílex, pedras calcarias, de onde se extrai a cal nos sítios Caieiras, Taboca e Vale Verde”.

Ouro em Cajazeiras. Seria mais um milagre do Padre Rolim? Comentando o fato com alguns amigos, com quem costumo juntar os cotovelos para falar de e sobre Cajazeiras, acreditam que paira sobre nós uma áurea que vem iluminando os nossos caminhos e que tem também nos dado mais sabedoria no encaminhamento de nossos desejos e quereres de ver esta terra num lugar de destaque no cenário econômico e político da Paraíba.

Repito: ouro em Cajazeiras. Os chineses chegaram para prospectar o ferro. Os portugueses bem que seriam bem vindos para fazer o mesmo com o ouro, como já fizeram no período colonial, só que desta vez além do “quinto” todo o restante seria nosso.

Por outro lado existem alguns outros amigos que quando falo sobre isto pega no meu braço sacode-o e grita: “acorda Zé, tu ta sonhando!” e eu simplesmente respondo: é, quando eu escrevi um artigo há 15 anos defendendo a criação de um curso de medicina em Cajazeiras vocês diziam que eu estava sonhando alto demais e tava era louco. Agora temos dois, isto significa a duplicação do sonho. E agora?

Enquanto não retiramos do nosso solo o ouro que Dr. Ferreira Júnior disse existir, recordo as palavras do grande paraibano José Américo de Almeida, no ano de 1964, ditas solenemente na ocasião em que recebia o titulo de cidadão cajazeirense: “Cajazeiras, tendes o nome de uma árvore que chove ouro, altaneira e perfumada. Que cobre o chão com os seus frutos corados, como raios de sol. Este símbolo é vossa bandeira de grandeza e liberalidade, de vossa dimensão e de vossos sentimentos benfazejos”.

Já colhemos os frutos dourados das nossas cajazeiras nos altos de suas galhas, faltam agora as pepitas douradas das entranhas de nossas terras. É ouro, é ouro, é ouro…

SOBRE JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE
Professor e historiador, fundador do jornal Gazeta do Alto Piranhas e diretor da Rádio Alto Piranhas.

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