O Tênis Clube e a memória da vida social de Cajazeiras


A majestosa sede do Cajazeiras Tênis Clube, edificada num dos mais aprazíveis recantos da cidade, avança sobre as águas do Açude Grande e é banhada pelo entardecer dos raios de sol que se reflete em suas paredes.

A nova sede, desde o seu nascimento se tornara histórica, porque havia sido edificada sobre o lugar da primitiva casa da fazenda dos fundadores da cidade: Vital de Sousa Rolim e Ana de Albuquerque. Destruí-se o mais importante marco de nossa história, para dar lugar o que hoje é um dos mais belos cartões postais de Cajazeiras.

À sua direita sobraram os pés de Cajaranas a testemunhar toda a saga dos fundadores, que infelizmente, mais de um século depois de plantadas também foram sacrificadas, sob protestos, para dar lugar a uma área de lazer.

Destruíram a casa da fazenda, mas construíram um belo clube, derrubaram, numa madrugada, a golpes de machados as cajaranas, mas Tota Assis, um dos que ajudaram a erguer o clube, fez brotar o verde e a antiga sombra, plantando um pé de Cajá, árvore símbolo da cidade, que hoje frutifica e testemunha uma nova fase da história do clube.

Foi num onze de agosto de 1956 que a sociedade cajazeirense via inaugurar o que seria o mais glamoroso clube social dos rincões sertanejos da Paraíba. Os seus sócios representavam a fina flor das famílias tradicionais de Cajazeiras. Era motivo de orgulho ser admitido como sócio, cuja proposta passava por uma rigorosa “peneira” e mesmo depois de ser aceito, qualquer deslize cometido seria suspenso ou expulso. Além de uma jóia que deveria ser paga ao ser admitido, o sócio tinha que manter rigorosamente em dia suas mensalidades senão seria impedido de frequentar e poderia ser até desligado do quadro social.

As suas tradicionais festas serviam de termômetro para se medir o quanto as beldades femininas estavam em dia com a moda. Os olhares furtivos das próprias mulheres e os cochichos entre elas marcavam os primeiros momentos das festas, para em seguida os elogios sobre os vestidos e como sempre a pergunta: quem foi a costureira?

As festas do Tênis Clube serviam de avaliação sobre o poder econômico das famílias, principalmente quando as mulheres dos ditos “coronéis” ou dos novos ricos, uma categoria formada pelos comerciantes e fazendeiros, que chegavam cobertas de jóias preciosas, a maioria delas comprada nas ourivesarias da cidade do Recife. Era um deslumbre.

Havia uma rivalidade enorme entre o Cajazeiras Tênis e o Ideal Clube de Sousa, para saber quem realizava as mais belas festas. O congraçamento era muito forte entre as famílias das duas cidades, formado pelos os Pires, os Sás, os Moreiras, os Gonçalves. Muitas debutantes de Sousa desfilavam nos salões do Tênis Clube e as de Cajazeiras pontificavam suas belezas nos salões do Ideal Clube.

Era sempre um prazer a cada festa, ao ingressar no Clube, ser recebido na portaria pela figura mais emblemática e representativa de toda história deste clube: José de Barro, que conhecia todos os sócios, esposas e filhos pelo nome e sua palavra tinha um peso enorme na hora de “punir” o sócio ou um de seus dependentes. Merecia uma fotografia na galeria do clube.

Mas a grande rivalidade era entre o Cajazeiras Tênis Clube e o Clube 1º de Maio, muito embora um fosse freqüentado pela elite e o outro pelos trabalhadores. Quem fazia o melhor carnaval? Quem realizava a melhor festa junina? Quem trazia as melhores cantoras e cantores do Brasil para abrilhantar suas festas?

O tempo áureo desta disputa foi quando o jovem Tenente Barbosa foi eleito presidente e era comandante do Tiro de Guerra de Cajazeiras, vindo das Alagoas e foi “enfeitiçado” por uma bela cajazeirense e se tornou filho adotivo desta terra e fez uma operosa gestão. Outro foi Raimundo Ferreira, empresário valoroso que “bancava”, caso desse prejuízo, os grandes sucessos da época: Alcides Carneiro, Miltinho, Ângela Maria, Nelson Gonçalves e outros.

Mas a diretoria do Tênis não se aquietava e respondia com grandes festas dançantes embaladas pela mais famosa orquestra da região: A Manaira. As festas juninas se tornaram referências e os carnavais se consagraram como as melhores festas da Paraíba e rivalizava com o Clube Cabo Branco de João Pessoa nas gestões de Walter Cartaxo e João Batista.

O Tênis teve seu tempo de ouro e conquistou o ápice da glória, mas experimentou o declínio, sinais de novos tempos. Não adianta apontar culpados nem causas, mas saber que nos dias atuais revive os velhos tempos e continua sendo um dos símbolos mais representativos de nossa vida social.

O Clube 1º de Maio ficava na parte direita e o Tênis na esquerda da parede do Açude Grande. Um foi destruído e a sociedade cajazeirense covardemente aquietou-se e deixou que sua História fosse sepultada, mas hoje gloriosamente comemoramos com vitória e orgulho o sessentão Tênis Clube, que nos seus salões muitos casais se enamoraram, casaram e festejaram suas bodas de Prata, de Ouro e Diamante.

Ao som de um bolero dancemos a festa dos seus 60 anos. Salve o nosso querido Tênis!

tenis2016

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