Cajazeiras-PB, 22/10/2017

Nordeste é o segundo maior mercado de calçados

TENIS

O setor calçadista brasileiro espera movimentar este R$ 40 bilhões – 10% a mais que em 2012, ou seja, um gasto por habitante de R$ 245,68. O Nordeste é o segundo maior consumidor de calçados do país, com potencial de consumo estimado em R$ 7,3 bilhões (18%) para este ano, ficando atrás somente da região Sudeste com R$ 20 bilhões. Os dados são de estudo divulgado em setembro pelo IBOPE Inteligência.

A expressividade fez com que marcas que antes replicavam coleções lançadas para o Sul e Sudeste tragam modelagens específicas para atender a demanda nordestina. “O consumo foi alavancado em cerca de dez vezes no Nordeste e ainda há condições, expectativas de continuar a crescer”, observa o  presidente da Merkator Feiras e Eventos, Frederico Pletsch.

Fabricantes e expositores que participam da edição 2013 da Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios, realizada em Gramado (RS), estão atentos ao mercado e antecipam as coleções para a temporada outono/inverno 2014, com produtos pensados para o clima diferenciado.

O crescimento de vendas da Bebecê Calçados na região foi de 150%, em dois anos, e demandou  instalação do central regional de pesquisa e relacionamento em Recife. Da produção de 20 mil pares por dia, 25% são destinados ao  Nordeste. “É um mercado potencial e promissor”, explicou o presidente da Bebecê, Arnaldo Moraes.

“Há dois anos instalamos uma central para pesquisar o perfil e criar designer exclusivo para as vendas”, observa o gerente de produto e designer da Crysalis, Geanvarsio Oliveira.

De olho na região e nos eventos esportivos da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a marca esportiva italiana Diadora retorna ao Brasil por intermédio da Dilly Sports. Para a produção da marca, estimada em 1 milhão de pares em 2016, a Dilly Sports conta com uma unidade fabril no Ceará, que deverá começar a operar já em 2014 com investimentos de R$ 80 milhões, e capacidade instalada de até 3 milhões pares/ano  e geração  de 2,5 mil empregos diretos.

O  gestor de Vendas e Marketing no Brasil, Milton de Souza, revela que o planejamento da empresa é fazer do Brasil o segundo maior mercado nos próximos cinco anos, ficando atrás apenas da Itália, país de origem da Diadora. “Esperamos nos posicionar entre as cinco principais marcas internacionais”, frisou. O lançamento da Diadora acontece durante a Zero Grau. A Feira, promovida pela Merkator, acontece no Centro de Eventos Serra Park de 18 até hoje, dia 20, com 290 expositores nacionais de cerca de 1 mil.

A expectativa é de que a Zero Grau seja responsável por garantir a produção das fábricas por entre 60 e 75 dias e abastecer os estoques para as lojas também para a volta às aulas do próximo período letivo deve sofrer alterações em função da Copa do Mundo de 2014. “Com o aumento de demanda previsto, poderemos ter uma ampliação desse comprometimento, com mais vendas durante a Copa do Mundo”, lembra o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Três Coroas, Rogério Müller.

Falta empreendedorismo – O mercado das regiões Norte e Nordeste do Brasil vem crescendo e hoje já é responsável por boa parte da produção nacional de calçados, ultrapassando, inclusive, polos mais tradicionais. Embora muito deste crescimento possa ser atribuído às exportações, o potencial de consumo doméstico também tem chamado a atenção dos calçadistas nos últimos anos.

Apontada como o futuro na produção de calçados do país, o Nordeste brasileiro deverá transpor barreiras que vão além de questões de infraestrutura e incentivos fiscais – que começam a se desenhar nos últimos anos –  antes de se consolidar como pólo calçadista. A análise é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein que é enfático: “falta ao Nordeste empreendedorismo local”, disse.  “É preciso a conjugação de vontades dos gestores, empreendedores e industriais de viabilizar essa indústria para gerar o aglomerado de produção”, reiterou Heitor Klein.

A atração de novas indústrias para a região depende da capacidade de articulação para a formação de uma cadeia produtiva do setor “forte e integrada”.  A localização das fábricas de componentes para o  abastecimento das unidades fabris ainda se concentra no eixo Sul-Sudeste. Mesmo as empresas já instaladas no Ceará, Pernambuco e Piauí enfrentam a dificuldade logística e de transporte para acesso a insumos da fabricação, aumentando os custos. Com isso, a produção atual ainda é mais restrita a sandálias em plástico.

Buscando novos mercados – Enquanto o mercado Argentino permanece fechado ao calçado brasileiro nacional, empresas brasileiras prospectam novos mercados. O setor enfrenta dificuldades este ano e registra queda de 16,6% no valor exportado em outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado. O diretor presidente da Werner, Werner  Arthur Müller Júnior, busca inserir o produto na Rússia e Itália. “Houve uma mudança no produto nacional, que hoje tem qualidade e designer próprios. Vendemos a nossa moda para todo o mundo com look, designer, conforto e qualidade”, disse. A empresa exporta 35% da produção anual de 500 mil pares para 40 países, COMO Chile, Estados Unidos, sendo a União Europeia o principal destino.

Os Emirados Árabes foi a escolha da empresa gaúcha Picadilly que atua há 5 anos e inauguraram a loja no Barein, há 30 dias. “Esperamos uma inserção maior nesse mercado a partir da nova loja, com divulgação e maior proximidade com esse cliente”, explica o diretor presidente da Picadilly, Paulo Eloi Grings.   Atualmente, a empresa exporta para 65 países até 25% dos 60 mil pares que são produzidos diariamente.  Para 2014, com a abertura da fábrica em Teotônia (RS) é estimado um crescimento de 10% na produção.

A perda do mercado argentino, avalia Grings, foi um grande baque para o setor. “Estamos aguardando uma solução e o governo brasileiro não tem uma postura para reverter a situação em favor da indústria calçadista nacional. Algumas estão com o pátios cheios”, lembra Grings. Somente a Picadilly exportava por ano, 1 mil pares de sapato para o mercado argentino.

TRIBUNA DO NORTE

SOBRE Christiano Moura

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