Cajazeiras-PB, 12/12/2017
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No Ceará, uso da casca garante aproveitamento do coco

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Movimentando uma cadeia crescente, que tem atraído investidores de outros estados e mesmo países, o coco verde, entre a produção e a comercialização, já é um dos itens mais importantes da fruticultura cearense. O momento após o consumo do produto, todavia, guarda um potencial ainda não explorado em larga escala no Ceará.

A cada dia, a Ecofor – empresa contratada pela Prefeitura de Fortaleza para realizar a limpeza urbana – coleta em torno de oito toneladas de coco verde na Praia do Futuro. Igual quantidade é recolhida na Beira Mar, enquanto outras 12 toneladas são tiradas do Centro, totalizando 28 toneladas diárias apenas nesses três pontos. Atualmente, todo o material é despejado em aterros sanitários.

Consumo de água

De acordo com estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a água de coco tem apresentado um crescimento estimado em 20%, ao ano, no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, entretanto, há a preocupação, sobretudo quanto às grandes cidades, quanto à geração aproximada de 6,7 milhões de toneladas de casca a cada ano em todo o País.

Impactos

Conforme a professora do curso de Administração da Faculdade Integrada da Grande Fortaleza (FGF) Cora Furtado, um dos impactos ligados ao despejo elevado desse material é a diminuição da vida útil dos aterros, uma vez que, além de ocupar espaço considerável, a casca do coco demora em média 12 anos para se decompor.

Além disso, a emissão de gases devido à decomposição das cascas do coco verde resulta na liberação de metano, gás que contribui para o efeito estufa.

No ano passado, a professora realizou uma pesquisa de campo na Praia do Futuro, segundo a qual a maior parte dos 13 donos de barracas entrevistados descartavam o resíduo por meio do caminhão do lixo que é destinado aos grandes lixões. A maioria também não sabia qual o destino do coco após a coleta.

De modo geral, informa, os barraqueiros se preocupam com o descarte correto do coco verde – ainda que não seja feito nenhum tipo de reciclagem -, principalmente porque o despejo incorreto do fruto poderia trazer problemas ao próprio estabelecimento, a exemplo da proliferação de animais nocivos à saúde e da poluição visual.

A professora ressalta que a reciclagem dos resíduos poderia ser incentivada pelo poder público, tanto na forma de conscientização da população como por meio de leis que exigissem uma destinação diferente do material. Entre as possibilidades de uso da casca de coco após o consumo, estão revestimento interno de veículos, vassouras, telhas, isolantes térmicos e briquetes. (JM)

 

Empresário aposta na fabricação de briquetes

Tendo expandido consideravelmente a produção, ele se prepara agora para vender a água do coco

Foi apostando no potencial do que para muitos parecia apenas um produto a ser descartado que o empresário Emanoel Gurgel conseguiu se tornar um dos principais produtores, no Ceará, de briquetes – espécie de blocos compactos feitos de material energético e usados como combustível para caldeiras.

Três anos atrás, Gurgel começou a utilizar materiais diversos, muitos deles encontrados em sua própria fazenda, no município de Pentecoste, para produzir os briquetes e vendê-los a pizzarias e padarias da Capital cearense.

Com a expansão da atividade, a fábrica em Pentecoste ampliou o leque de clientes. “Vendemos também para fábricas de papelão, de tinturaria e para indústria em geral”, afirma.

Um dos materiais utilizados pelo empresário é a casca do coco, a qual é comumente enviada a aterros sanitários sem que lhe seja dada nenhuma outra utilidade. Grande parte da poda de árvores realizada em Fortaleza – que da mesma forma era encaminhada ao aterro de Fortaleza – também era destinada à fazenda em Pentecoste.

Nova empreitada

Tendo expandido consideravelmente a produção de briquetes, Gurgel se prepara agora para uma nova empreitada. Ele começou neste ano a plantar coco e, no próximo semestre, pretende comercializar a água do fruto. Após a obtenção da água, a ideia é aproveitar a casca do coco para fabricar os briquetes. O bagaço da casca do coco será também usado no processo de compostagem, através do qual será criado adubo orgânico. Este, complementa, será usado na plantação de novos frutos.

Diversificação

“Então, vamos começar lá do plantio da semente do coqueiro e vamos entregar para o mercado parte como água e outra como briquete. Vai ser um ciclo, indo do coco ao coco”, diz. A ideia é vender a água de coco no mercado nacional, começando por Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. Para o empresário, o segredo do sucesso se deve à ideia de aproveitamento do material. “Tento tirar tudo que posso do que tenho. Penso que aquela casca de coco, por exemplo, não deve ir pro lixo. Ela pode ser usada”, fala. (JM)

DIÁRIO DO NORDESTE

SOBRE Christiano Moura

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