Cajazeiras-PB, 22/10/2017

[JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE] Solidônio retorna eternamente para a sua amada Cajazeiras

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“Quando eu morrer minhas cinzas serão espalhadas aos pés do Cristo Redentor de Cajazeiras”. Ouvi esta frase mais de uma vez do cajazeirense Solidonio Lacerda, que ao visitar a sua querida e idolatrada terra natal me presenteava com a sua visita.

Depositava em sua alma o mais puro sentimento de “cajazeiribilidade” e era tanto o seu amor por esta terra que nem as belezas da Cidade Maravilhosa o fazia esquecer-se dos encantos da sua Cajazeiras cujas noticias ecoavam em seu espírito como longínquos rumores de uma bendita tempestade.

O imperativo de sua consciência tinha um só destino, muitas lembranças e inúmeras e indeléveis memórias, que no relicário de seu coração se chamavam Cajazeiras.

As sementes das lembranças plantadas em seu coração desabrocharam com magníficas florações e uma delas – a gratidão – tornou a sua alma cativa, escrava e submissa ao amor a esta cidade que lhe serviu de berço.

Mas o que faz um homem, que residia e trabalhava no Rio de Janeiro e onde educou seus filhos e netos e se tornou uma referência nacional como radiologista, sentir-se plenamente feliz todas às vezes ao ser indagado de onde era, proclamar: sou cajazeirense!

Para Solidonio, Cajazeiras, era a consagração universal do seu mundo, um patrimônio do seu coração, um donatário de suas terras, das suas ruas, das suas praças e que a engrandecia na constância de seu devotamento filial.

Do seu reencontro com a cidade e com os amigos, todos eles povoados de muitas emoções, sempre era recebido como um filho ilustre e era reverenciado com os mesmos sentimentos fraternais por seus conterrâneos.

Ele passeava pela cidade, por suas praças, ruas e vielas e delas recolhia os ecos do passado e bebia as seivas das saudades e quando erguia os olhos para a nossa Catedral, que se destaca na amplidão do céu, recebia silenciosamente, da Virgem da Piedade, num cenário de amor e veneração, a sua generosa benção.

Solidonio tinha incrustado na sua memória a imagem do Cristo Redentor, que estando em Cajazeiras, voltava os seus olhos para o alto da colina e devia sentir a necessidade da súplica, a necessidade de pedir, implorar para que os sacrifícios de seus conterrâneos fossem transformados em alegrias, que os rigores do sol fossem atenuados e os ventos abrandados e das nuvens caíssem chuvas para a seara fecunda.

Solidonio, ao declinar o desejo de ter o seu corpo cremado, talvez, não quis ser prisioneiro das alamedas da saudade de um cemitério lá no Rio de Janeiro, mas de serem as cinzas que voam em liberdade e que vão adubar a terra inóspita e seca do sertão de Cajazeiras para que nasçam, pelos campos, as flores que irão embelezar a face da terra da sua cidade.

Uma de suas filhas, Lúcia, chegou no dia primeiro de maio, com as cinzas de seu pai a Cajazeiras, onde serão espalhadas do alto do morro do Cristo Redentor. Esta cerimônia merece de todos nós cajazeirenses uma participação e que neste dia sejam realizadas as homenagens à altura do amor e da devoção que ele tinha por esta cidade.

Solidonio faleceu, no Rio de Janeiro, no dia primeiro de março, aos 90 anos de idade.

Ele volta eternamente para a sua amada Cajazeiras.

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE É DIRETOR-PRESIDENTE DO SISTEMA ALTO PIRANHAS DE COMUNICAÇÃO

SOBRE JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE

JOSÉ ANTONIO DE ALBUQUERQUE
Professor e historiador, fundador do jornal Gazeta do Alto Piranhas e diretor da Rádio Alto Piranhas.

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