Cajazeiras-PB, 22/11/2017
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Ivan Bichara Sobreira, um político diferente

ivan bichara

Sob o título “Um político diferente”, o jornalista José Moraes de Souto traçou o perfil do ex-deputado e ex-governador Ivan Bichara Sobreira no ensaio para a Coletânea “Poder e Política na Paraíba”, editada pela API e jornal “A União” em 1993. A definição reproduzia com fidelidade o estilo do cajazeirense mais ilustre, nascido em maio de 1918, que morreu no Rio de Janeiro em junho de 1988. Candidato ao Senado em 1978, sentiu-se vítima de insidiosa traição de companheiros de partido, que sufragaram Hum- berto Lucena, vitorioso com a ajuda de sub- legendas. Filho de João Bichara e Hermenegilda Bichara Sobreira, Ivan iniciou os estudos no colégio Padre Rolim , na cidade-berço e concluiu o curso colegial no Lyceu Paraibano. Aportou em João Pessoa ciceroneado pelo padre Carlos Coelho, seu conterrâneo, que dirigia o jornal católico A “Imprensa”. Em pouco tempo, transferiu-se para Recife, onde foi aluno da tradicional Faculdade de Direito e ingressou, por concurso, no antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões e Industriários – IAPI.

“Na Faculdade – descreve Souto – foi colhido pelos acontecimentos políticos de 1945 e teve atuação realçada ao lado   do malogrado Demócrito de Souza Filho. No fim do ano, ao terminar o curso, coube-lhe a distinção de pronunciar o discurso junto ao túmulo do acadêmico mártir, na romaria que todos os concluintes empreenderam ao cemitério de Santo Amaro. A turma não teve orador na solenidade de colação de grau, pois seria, certamente, o seu integrante morto na sacada do Diário de Pernambuco, por uma bala saída da boca de fogo da arma de um policial”. Em 46, de volta à Paraíba, iniciou trajetória política, elegendo-se deputado à Assembleia Constituinte do ano posterior, pela UDN. “O sertanejo manso de espírito, cordial e culto”, ainda para citar José Souto, foi reconduzido à Assembleia em 1950 e galgou a presidência da Casa por um mandato de dois anos, caracterizado pela sobriedade, seriedade e eficiência. Em 54, conquistou a deputação federal, repetida em 1958, com atuação pródiga em plenário e nas comissões técnicas.

Na década de 60, afastou-se da cena política e foi residir no Rio, onde foi escolhido vice- presidente e, depois, presidente, da Caixa Econômica Federal e chefiou o setor jurídico da Associação Comercial na antiga capital do Brasil. Autor dos romances “Carcará”, “Tempo de Servidão” e “Joana dos Santos”, que vieram a lume nas décadas de 80 e 90, Ivan estava fadado a permanecer na militância política. Em 24 de maio de 1974, coincidindo com o seu aniversário de nascimento, ganhou como presente maior a indicação, pelo presidente Ernesto Geisel para governar a Paraíba, vencendo nomes influentes chancelados por lideranças de prestígio no Estado. Um dos grandes fiadores da sua indicação foi o então governador Ernani Sátyro. Homem reservado, de indisfarçável timidez, realizou uma administração operosa e ética. O espírito sereno foi confundido, sobretudo pelos adversários, com falta de pulso ou de autoridade, mas Ivan surpreendeu a todos pela visão administrativa decorrente do conhecimento que linha dos problemas da terra. Num seminário com os seus auxiliares, passados sete meses de gestão, falou dos objetivos que perseguia, buscando compatibilizar programas locais com metas do governo federal, dentro de uma estratégia de planejamento regional.

Num esforço inaudito, procurou dar continuidade a obras e serviços em andamento, apelando à rede bancária que concedesse empréstimos a fim de que não houvesse solução de continuidade nas realizações administrativas, focadas, em termos econômicos, no setor primário, que respondia por 50% da renda interna. Era lento o crescimento da economia paraibana, o que levou o Estado a perder posição no confronto com o Nordeste. Seu governo teve presença marcante na área industrial, na expansão habitacional e na infraestrutura, sem descurar da Educação e da Saúde. A austeridade foi a tônica maior e pela primeira vez elaborava-se um Plano com características globalizantes na Paraíba, priorizando os setores diretamente produtivos. Em relação ao funcionalismo, não deixou nenhum servidor com remuneração abaixo do salário mínimo. Criou a PB-Tur para orientar a política de turismo, não para competir com grupos empresariais privados. O concurso público foi reeditado e, como mencionava José Souto, não se permitiu a brutalidade policial nem se sangrou o erário com propaganda orgiástica para difusão do culto à personalidade do governante. Ivan trabalhava em equipe, tendo como vice-governador, Dorgival Terceiro Neto, também conhecido pela honestidade e pela seriedade no trato com a coisa pública.

Do ponto de vista político eleitoral, Ivan enfrentou em 1978 uma das mais dolorosas experiências. Candidato ao Senado pela Arena, homologação depois de passar por uma barreira de restrições devido a ou- tras postulações in- ternas, sofreu ostensiva cristianização liderada pelo então deputado Antônio Mariz, já em processo de dissidência partidária e a caminho da aproximação com o MDB-PMDB dirigido por Humberto Lucena. Deu-se que na contagem final dos votos, Ivan alcançou 303.154 sufrágios, enquanto Humberto abocanhou 269.795 votos. Entretanto, Humberto, habilmente, recorreu a sublegendas, uma encabeçada pelo advogado Ary Ribeiro, com raízes em Campina Grande, outra pelo deputado João Bosco Braga Barreto, político com influência em Cajazeiras. Há versões desencontradas sobre os bastidores do processo desencadeado no partido governista. Umas sinalizam que Bichara, por teimosia, teria recusado o reforço de candidatos em sublegendas. Outras sustentam que manobras internas evitaram o registro de nomes nas duas sublegendas, admitidas na legislação eleitoral da época. O fato é que foi proclamado vitorioso o menos votado individualmente, Humberto Lucena, que retribuiu o apoio da dissidência situacionista aceitando Antônio Mariz nos quadros do PMDB, sucedâneo do MDB, e adotando-o como candidato a governador na eleição direta de 1982, na qual saiu vitorioso Wilson Braga, já pelo PDS, com uma diferença de 151 mil votos. Consta, também, que Ivan teria sido afetado na sua pretensão pela postura neutra adotada pelo seu sucessor, Dorgival Terceiro Neto, que se investiu garantindo manter a máquina administrativa à distância de embates eleitorais.

À experiência de 1978 desapontou, naturalmente, o cajazeirense ilustre. Numa entrevista a Severino Ramos para o jornal “O Norte”, que integrou o livro “A verdade de cada um”, coletânea de depoimentos de personalidades paraibanas no final do século XX, Bichara admitiu enfrentado mágoas. “Não gostei de ter sido derrotado na eleição ao Senado, a que fui conduzido resistindo muito. A Arena se reuniu, lançou o meu nome, insistiu muito, fez apelos dramáticos para que fosse candidato a senador, porque era uma solução para o partido e uma solução política, já que a Paraíba ia ter uma pessoa com experiência administrativa no Congresso e o partido caminharia solidário para essa eleição. Não foi o que ocorreu”.

E prosseguiu: “Eu fui candidato ao senado, mas na hora ‘H’ muitos se afastaram da minha candidatura por um motivo ou outro, e eu fiquei sozinho. Sozinho para conquistar o posto de senador. Tive uma votação muito grande, não me queixo, absolutamente, do povo paraibano, que votou em mim maciçamente. Eu tive 42 mil votos a mais do que o candidato eleito, o que provou que fui bem votado na Paraíba. Não me elegi por causa da sublegenda, porque eu não pude ter dois candidatos, como a legislação permitia, para me ajudar na soma tios votos, como ocorreu com o candidato concorrente. Mas ainda assim fui bem votado, apesar da minha falta de jeito para a política, e fiz uma obra de governo séria, e isso rendeu uma votação impressionante. Eu saí sem mágoa nenhuma, mas saí meio decepcionado realmente com os partidos políticos que me apoiaram, a vida partidária, a vida política do Estado. Eu não fiz nada para merecer uma traição tão grande. Mas não tive mágoa do povo paraibano nem da Paraíba”.

Ivan nunca mais voltou a postular cargos políticos, embora se mantivesse inteirado dos acontecimentos e fizesse manifestações esparsas sobre fatos da conjuntura. Numa conversa com este repórter, já com o restabelecimento do pluripartidarismo, lamentava a inexistência de uma agremiação que  enfocasse a problemática do Nordeste como prioridade. Não tratava, para ele, de criar-se um partido regionalista. Seria partido nacional, mas priorizando a temática nordestina, com proposições voltadas para a superação das desigualdades econômicas e sociais. Explicando em detalhes a Severino Ramos o processo de sua escolha para o governo, por via indireta, historiou ter aceito a prebenda pela oportunidade de servir ao Estado e de ser governador, o que considerava uma honra. “Aceitei meio desconfiado que a coisa não chegasse ao fim, porque eu estava afastado da política. Mas Ernani Sátyro levou a coisa a sério e contou com o apoio do general Reynaldo de Almeida que, sem se meter em política, mas sabendo que podia ser útil ao Estado, ajudou um pouco na feitura da minha candidatura. Quando foi escolhido, o senador Petrônio Portella convidou-o a ir a Brasília. Travou-se, então, o seguinte diálogo:

Petrônio Portella: “Você é um dos poucos candidatos que parece não ter interesse em ser governador da Paraíba”.

Ivan Bichara: “Não é bem assim, eu tenho interesse; agora não estou morrendo para ser governador. Se isso vier, recebo com a maior alegria da minha vida. Não estou morrendo para ser governador porque eu tenho uma vida tranquila, estou satisfeito, mas, para mim, a maior honra seria essa. Só que não estou no meio das articulações”.
Petrônio Portella: “Você vai ser o escolhido; então, vamos deixar tudo isso de lado, vamos começar trabalhando. Vá para seu Estado trabalhar”.
No episódio da sua sucessão, o partido, no Estado, escolheu, por maioria absoluta, o nome de Milton Cabral. “E me deu isso num prato, e me cabia só concordar, pois tinha sido uma decisão do partido. Depois da escolha de Milton, houve uma resistência muito grande de outras fontes do partido, e apareceu o nome de Antônio Mariz. Antes da escolha de Milton, eu já tinha conversado com Mariz e lhe disse que procurasse Ernani Sátyro em Brasília. Mariz conversou com Ernani, mas nesse tempo já havia uma fermentação contra mim, o governador que ia sair. Isso é natural, é inevitável, é fatal. Então, eles resolveram lançar a candidatura de Mariz, num chamado Acordo de Brasília, contrariando a decisão do diretório estadual do partido. Fui a Brasília e expliquei a situação ao presidente Geisel, que me tinha amizade e por quem sempre tive admiração. Ele ficou em dificuldade porque não queria criar problemas nos Estados. Golbery (do Couto e Silva), que era chefe da Casa Civil e homem de grande confiança de Geisel, me chamou para conversar e informou que a situação já estava definida e que o candidato era Antônio Mariz, me pedindo para acomodar as coisas de maneira que não se criasse problema para o poder central e para o presidente. Eu narrei a ele como surgiu a candidatura de Milton Cabral, que era uma decisão de partido, e o surgimento, depois, de uma candidatura em Brasília, à minha revelia”.
Ainda no depoimento a Severino Ramos, Ivan destaca que, embora fosse muito amigo de Mariz, ele saiu candidato sem consultá-lo. Golbery insistiu: “Mas procure acomodar a situação, pois a escolha de Mariz é pacífica entre as lideranças” Ivan respondeu: “Pacífica não está, não. Eu não sou político profissional, fui governador para cumprir uma tarefa e com  mesma naturalidade com que tomei posse do governo e governei, eu largo também, renuncio. Acho que a democracia se baseia no partido político, o partido tomou essa decisão e eu tenho que cumprir. Não tenho nada contra Antônio Mariz, lutei para que ele fosse candidato, mas o que hoje se diz em Brasília e na Paraíba é que Mariz foi escolhido acima da vontade do governador. Eu não crio problema, vou para o Estado, renuncio, assume o vice-governador e eu não farei escândalo disso. Saio do mesmo jeito como entrei. Então, ele me pediu que não fizesse isso e que  iria conversar com o presidente”. Depois da conversa com Golbery, Ivan esteve com Geisel e expôs a mesma posição. O presidente lhe disse: “Você tem razão. Acomode isso de maneira que a sua autoridade seja respeitada, eu não quero que você se afaste. Aí surgiu a candidatura de Burity. O presidente disse que, já que não podia ser Milton, porque ele não tinha uma receptividade muito boa no plano federal e o nome dele não fora bem acolhido, e a escolha de Mariz tinha sido errada, que eu levasse uma relação de nomes para ele escolher o candidato. Levei uma lista com os nomes de Dorgival Terceiro Neto, Clóvis Bezerra e Burity, nessa ordem. No dia seguinte, recebi comunicação da presidência da República de que o presidente queria que eu indicasse um nome só, entre os três da lista. Indiquei Burity, sem nenhum desapreço a Dorgival, pessoa que eu estimo muito e que foi um homem corretíssimo comigo. Eu escolhi Burity porque o seu nome teve excelente receptividade no meio federal. Assim foi a escolha”.
A correção de Ivan Bichara para com o movimento militar de 64 foi explicitada sem subterfúgios em inúmeros pronunciamentos, nos quais fazia a defesa do regime por convicção, por discordar do clima de baderna que imperava nos tempos tumultuados do governo João Goulart. No discurso na Assembleia Legislativa, após ser homologado governador, em 74, ele dizia sentir-se à vontade numa Casa onde pontificou com empenho e espírito público. “Venho com o espírito desarmado e coração isento para ajudar a Paraíba. Venho para servir, não para ser servido”. Proclamava sua solidariedade aos que mais  precisavam da ação governamental. “Ou construímos um mundo melhor, mais humano, mais cristão, ou afundaremos sob o impacto da miséria, do terrorismo, da subversão, no colapso de uma civilização que perdeu seu destino e sua vocação”. Exaltava como fundamental a preservação da ordem e das instituições e louvava, com sinceridade, “a obra de renovação da revolução, que deve ser lembrada com justiça e gratidão”. Para ele, o FGTS, o PIS e o Funrural, além da aposentadoria para empregadas domésticas, davam o tônus da posição criadora da revolução no plano econômico e social.
Nesse discurso, elogiou os governos de Ernani Sátyro e João Agripino, e advertia que o país descia vertiginosamente no plano inclinado da convulsão social, da anarquia e da baderna. “Ninguém pode desejar o retorno da desordem”, endossava. No reverso da medalha, propunha o aperfeiçoamento da evolução democrática e do progresso social. Lembrou que, como deputado federal, foi um dos poucos a se posicionai contrariamente à transferência dar capital para Brasília, não porque tivesse restrições à iniciativa de Juscelino Kubitscheck, mas porque enxergava outras prioridades, tais como a destinação de recursos e de investimentos para o Nordeste. “Mas Brasília é uma realidade. O que passou, passou”, acedia. Analisando especificamente o movimento de 64, interpretava que “a revolução não foi exclusivamente um golpe militar. Foi, sobretudo, um movimento de opinião pública uma reação de parcelas ponderáveis da sociedade contra a desordem”. Nessa linha de raciocínio, observava que as Forças Armadas apenas se incorporaram ao povo. E achava ser imperioso reconhecei que mudanças já se faziam notar na conjuntura brasileira.
Dizia que o presidente Castello Branco iniciara o saneamento político, com o afastamento dos “responsáveis pelo caos”. O resultado desfavorável à Arena nas eleições de novembro de 74, na opinião de Bichara, não devia ser entendido como um julgamento contra a revolução, da qual não deviam se envergonhar os que a apoiaram. Enalteceu no presidente Ernesto Geisel a oportunidade dos acenos pelo retorno pleno da democracia, aludindo, certamente, à operação distensão que fora deflagrada, com a contenção do que era denominado de bolsões sinceros mas radicais do regime (no caso, a linha dura que  desafiou a autoridade e o poder dos governantes militares). E concitava Bichara: “Não devemos temer o povo se agirmos com dignidade, correção e eficiência. A revolução não foi infalível, mas trouxe benefícios para o país”. No depoimento para a edição de “O Norte”, alusiva ao IV Centenário da Paraíba, em 1984, Ivan fez estas observações: “Se alguém me perguntasse, à queima-roupa, qual a filosofia que adotei no governo, ou, em termos mais simples, qual a preocupação maior que me animou naquele esforço, eu diria: melhorar a qualidade de vida do paraibano. Para isso, não improvisei. Tomei posse no dia 15 de março de 1975, mas seis meses antes abandonei minhas atividades no Rio e procurei organizar uma equipe na Paraíba para formular um plano de governo viável e objetivo. Dei, assim, destaque aos setores diretamente produtivos – agricultura e indústria, sem esquecer os problemas sociais e humanos. Se pensava em melhorar o padrão de vida do povo, teria de começar fortalecendo a economia (…) Tivemos a preocupação constante de assegurar a todos o benefício da ordem pública. Não tivemos conflitos mais sérios no meio rural, mas dois ou três casos foram por nós pessoalmente assistidos e solucionados, a contento das partes. Nenhum trabalhador foi preso no meu governo, nenhum estudante também. Preservei, conscientemente, o setor fiscal  qualquer ingerência política. Devo fazer justiça ao afirmar que ninguém me criou dificuldades a respeito do bom funcionamento das finanças públicas. O mesmo ocorreu com relação ao Banco do Estado da Paraíba, cujo desempenho todos os louvores merece. Quando deixei o governo, fui criticado por não ter deixado uma obra de vulto em João Pessoa.
“Talvez não sejam de vulto, para efeito fotográfico prosseguiu, mas acho que foram da maior importância para o povo que vive nesta cidade as seguintes realizações: a ampliação fornecimento de água, a quintuplicarão da rede de esgoto sanitários, o reforço no fornecimento de energia elétrica, o Terminal Rodoviário, cinco grandes colégios estaduais, a penitenciária, a sede do Ipep, a sede da Suplan, a Escola dc Serviço Público, o esgoto sanitário até à praia de Tambaú. Contei, na obra de assistência à maternidade, aos meninos pobres, aos cegos, além das entidades oficiais, com a atuação diligente e incansável da minha mulher, Mirtes Almeida Sobreira, que prestigiou e ajudou, ao lado de outras paraibanas dedicadas, as antigas instituições de João Pessoa, Campina, Cajazeiras e outros municípios”.
NONATO GUEDES

SOBRE Christiano Moura

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