Cajazeiras-PB, 12/12/2017
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Investimento estrangeiro no Ceará triplicou em uma década

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O acumulado de investimentos estrangeiros em território cearense atingiu R$ 2,64 bilhões no fim de 2013, valor três vezes maior que os R$ 899 milhões registrados até 2003. Esse salto significativo em dez anos revela que, cada vez mais, o Ceará vem sendo visto por empresários de diversas nações, sobretudo as europeias, como uma terra de oportunidades para negócios em diferentes segmentos.

Atualmente, existem 5.315 empresas ativas no Estado constituídas com capital estrangeiro, das quais 273 foram abertas no ano passado. Se comparado às 117 empresas constituídas em 2003, o número apresenta uma evolução de 54,2%.

Construção civil, indústria de transformação, atividades imobiliárias e alojamento e alimentação são áreas em que mais se aplica dinheiro de fora, somando 64% do total de empresas.

Localização – Do total de empresas com capital estrangeiro, 60% estão localizadas em Fortaleza, 5% em Caucaia, 4% em Aquiraz e o restante em outros municípios, como Aracati, Jijoca de Jericoacoara, Eusébio, São Gonçalo do Amarante, Beberibe, Trairi e Cascavel, por exemplo.

As informações foram divulgadas no evento “Panorama sobre o Investimento Estrangeiro no Ceará”, promovido pela Câmara Brasil Portugal no Estado (CBP-CE) e pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior. A apresentação do relatório aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), na Aldeota.

Pessoas físicas – Nesse cenário, ganham impotência as pessoas físicas, ou seja, pequenos investidores estrangeiros que se associam a empresários cearenses. São 5.508 (93%) sócios por natureza física e 385 (7%) por natureza jurídica.

Por outro lado, frente ao desempenho de anos anteriores, os investimentos estrangeiros no Ceará desaceleraram no ano passado, embora ainda continuem sendo representativos.

Essa redução também estaria ligada a uma crise econômica mais amena, atualmente, no continente europeu, que está voltando a atrair capital.

Em 2008, por exemplo, no auge da crise, 503 empresas com capital estrangeiro foram abertas no Estado.

Nacionalidades – Nossos principais investidores estrangeiros são de Portugal, Espanha, Itália, França, Estados Unidos, Alemanha e Holanda. Em quantidade de pessoas, ganham destaque os portugueses. No fim de 2013, o Ceará abrigava cerca de 2 mil empresários de Portugal, com o acumulado de recursos aplicados na ordem de R$ 600 milhões.

Em valores, ganha a Espanha. Os atuais investidores espanhóis não chegam a 550, mas, ao longo dos anos, o país já aplicou mais que os portugueses, superando a cifra de R$ 600 milhões.

A Itália também vem firmando importantes parcerias no Estado. No último ano, por exemplo, segundo o estudo, os italianos bateram os portugueses e espanhóis, investindo cerca de R$ 45 milhões.

Perspectivas – Com base nas atuais tendências da economia cearense, o conselheiro permanente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Rômulo Alexandre Soares, acredita que o Ceará deverá atrair ainda mais negócios estrangeiros nos próximos anos. O capital, aposta, também deverá ser destinado a outros mercados, dentre os quais ganharão maior visibilidade os setores de energias renováveis, metalmecânico, fruticultura, agricultura e a indústria de turismo, por exemplo.

Na sua opinião, os futuros investimentos estarão diretamente ligados ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, com destaque para a Companhia Siderúrgica (CSP) e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE). “É um equipamento que, do ponto de vista logístico internacional, tem grande potencial para atrair parceiros”, diz Soares, que também é diretor Ceará- Piauí da Federação das Câmaras de Comércio Exterior.

Missão de negócios a Portugal em novembro

Durante o evento “Panorama sobre o Investimento Estrangeiro no Ceará”, também foi lançada a missão de negócios Ceará-Portugal, a ser realizada de 15 a 23 de novembro deste ano, percorrendo as cidades portuguesas de Porto, Lisboa e Aveiro.

A missão é promovida pela Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBP-CE) e tem os seguintes objetivos: promover encontros entre os empresários; explorar as complementaridades das economias brasileira e portuguesa; promover o Ceará como porta de entrada de investimentos externos; favorecer a importação de fatores produtivos (equipamentos/tecnologias); potencializar vantagens comparativas; e manter o foco na indústria.

A ação foi apresentada pelo presidente CBP-CE, José Maria Zanocchi. Conforme disse, Portugal oferece vantagens como economia moderna e diversificada, alta qualificação e capacidade instalada e novas tecnologias e mão de obra qualificada.

O Ceará, por sua vez, disse, possui um grande mercado consumidor, investimentos em infraestrutura, incentivos fiscais e é porta de entrada no Brasil e plataforma de exportação.

Desafios – Segundo Zanocchi, os principais desafios de Portugal são: necessidade de potencializar a capacidade instalada, gerar divisas, internacionalizar a economia e reduzir os custos de produção. Já o Ceará precisa evoluir nas questões cambiais, ter uma mão de obra mais qualificada e incrementar a exportação.

Proposição – A partir da missão, informou o presidente da Câmara Brasil Portugal no Ceará, busca-se ainda promover alianças entre indústrias portuguesas e cearenses; transferir máquinas e equipamentos de Portugal para o Ceará, bem como tecnologias e saber para a indústria local; utilizar o Estado como plataforma de produção, distribuição e exportação; e elevar os índices de investimento estrangeiro direto (IED) em território cearense.

José Maria Zanocchi acaba de regressar de Portugal onde esteve reunido com diversas instituições definindo os preparativos da missão.

DIÁRIO DO NORDESTE

SOBRE Christiano Moura

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