Cajazeiras-PB, 16/12/2017
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[ILMA BRAGA BARBOSA] Cajazeiras de tantos sobrenomes

E agora? Fulminadas por amor a ti, Cajazeiras, em ondas sucessivas de infinita ternura, sentimos se formar entre ti e nós uma aliança, um compromisso mútuo, e reavivando nossas memórias e histórias, resolvemos personificar-te – uma condição de ser pessoa.

Entrelaçamos nossas mãos, dando-te uma nova e extraordinária dimensão. Passamos neste momento a ter um relacionamento experimental. Tudo ficou diferente e, lado a lado, vendo-te dócil, aprendendo e ensinando numa bela fala de solidariedade que faz de ti diferente das demais cidadãs.

Nós vimos as falhas, as fragilidades e os erros, mas… tínhamos necessidades íntimas de dividir emoções.

Prazerosamente, enriquecíamos de intimidade autêntica e profunda e que nada se podia represar.

Vejo-te como modelo vivo, e registramos em tua personalidade características onde se reflete uma pessoa encantadora.

Vamos lá, Cajazeiras Silva de Sousa, vamos peregrinar mais um pouco, obedecendo às regras e aos limites, e então não nos fale de disputas predatórias, de ciúmes, de injúrias e contendas, de individualismos e egocentrismos, pois tudo isso não faz parte do teu coração e da tua vida, que, com toda certeza, não foi alicerçada em pilares de afeto fingido, mas de tolerância e singeleza.

Nós não vimos nenhuma vez tirar as pedras do caminho que perturbavam nossas trajetórias, mas percebemos que com elas podíamos construir os alicerces de uma cidade, uma bela e acolhedora cidade.

Intermeando nossas falas, constatamos uma sombra de tristeza ou insatisfação, mas muitas vezes exteriorizavas fartos sorrisos em gestos eufóricos.

Na tua hipersensibilidade vimos acolher estrangeiros vindos de outras plagas. Comovida, agregava-os, e banqueteava-te com todos numa acalorada unidade.

Ei, Cajazeiras de muitos sobrenomes, perdi-te na esquina, apressaste o passo. Ei, espere, vamos nos encharcar de histórias para que nenhuma delas deixem de ser registradas no coração dos teus filhos.

Revela-nos o que pensas, nessa atmosfera incomum queremos conhecer e sondar os segredos que temias em esconder. O que ocultas em teu coração? Rasga tua alma, fala-nos das tuas igrejas que, de longe, se avista – mãos postas para o céu – das tuas Nossas Senhoras: Piedade, Fátima, Auxiliadora, Lourdes, do Carmo, da Assunção, conta-nos da Sagrada Família, da Sagrada Face, dos nossos santos – São João Bosco e Santo Antônio -, faze-nos uma biografia do que se pode resgatar e que nenhum véu bloqueie uma história bonita, de letras impressas e de rostos e semblantes lapidados pela vida.

Cajazeiras de muitos sobrenomes, amabilidade é verdadeiramente a tua linguagem de amor, um amor que corta e mata as raízes do desânimo, da derrota, herdeira de grandes lutas e esplendorosas vitórias.

Nosso diálogo é intrigante, ora tão silencioso, ora tão cheio de conversas que nossas vozes se tornam altissonantes. Que bagunça, heim Cajazeiras!

Vamos ao topo do Cristo Redentor e te mostraremos uma visão fantástica de uma cidade que recebe teu nome e muitos sobrenomes, e juntas abraçaremos teus filhos: biológicos, enteados e adotivos. Veja passar lá embaixo os teus Zezinhos, Pedos, Ontoins, Chicos, Manéus, Mundinhos, Marias, Socorros, Graças, Aparecidas. Ih, assim a gente não pára mais.

Puxa, Cajazeiras de tantas boas lembranças culturais, contextuais e afetivas. Encontramos preciosos tesouros e um só ninho: teu coração. Humanizada e harmonizada impulsiona os valores do desvelo, força motriz para que tenhamos sonhos, objetivos e boas oportunidades.

Tu, bela Cajazeiras, de tantos amores, tu não morrerás! Nós é que vamos mais cedo, deixando plantada no seio da tua terra, lá no Coração de Maria e de Nossa Senhora Aparecida, as histórias do ontem, do hoje e do amanhã.

Termina aqui, amada Cajazeiras, nossa história de amor personificado, volta a ser uma cidade para romper barreiras, vencer fronteiras, correr mundo afora, abraçar os transeuntes que pisam teu solo, e agora a estrada ficou longe, longe e, com certeza, ficará a serpentear.

Um abraço Cajazeiras de tantos sobrenomes.

ILMA BRAGA BARBOSA É PROFESSORA APOSENTADA

SOBRE Christiano Moura

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