[FRASSALES CARTAXO] Responsabilidade do prefeito Zé Aldemir


A responsabilidade de José Aldemir é enorme. Ele surpreendeu ao ser eleito prefeito de Cajazeiras, embora muitos achassem difícil derrotar o grupo estruturado que domina a máquina pública municipal e estadual. E controla a mídia local. Pesquisa de opinião, dando 4.000 votos de vantagem a Denise Oliveira, divulgada com estardalhaço até a véspera do pleito, foi apenas um ingrediente de última hora do processo de manipulação da vontade do eleitor. Uma demonstração espalhafatosa do poderio da situação, que agora muda de campo, aliás, pela segunda vez, desde a vitória de Carlos Antônio, em 2000, embalado na popularidade do saudoso médico Epitácio Leite Rolim.

Vamos recordar.

Em 2008, houve um intervalo no mando de Carlos Antônio, quando Léo Abreu venceu nas urnas Mário Messias (Marinho), hoje preso pela Operação Andaime. Mas o prefeito Léo Abreu, além de desastrado e politiqueiro, renunciou de maneira inusitada, gerando a sensação de inutilidade da vitória. Resultado: em 2012, a prefeitura retornou às mesmas forças escorraçadas do poder pelo voto. Por causa desses antecedentes, agiganta-se a responsabilidade do novo prefeito. Responsabilidade que abriga, pelos menos, três dimensões, conjugadas numa só missão.

Responsabilidade administrativa.

Uma cidade como Cajazeiras, na fase de redefinição de suas funções estratégicas no território em que está inserida, exige do gestor municipal clareza no diagnóstico, firmeza nos objetivos, visão estratégica capaz de guiar as ações governamentais para o desenvolvimento da região, visando o interesse coletivo. Jamais para enraizar laranjal. O prefeito deve ser o articulador confiável para dar curso a iniciativas em prol da sociedade. E não o mentor de organização criminosa, conforme definição da Justiça.

Responsabilidade política.

Cajazeiras precisa impor-se no cenário político paraibano. Isso exige a ampliação dos objetivos das forças comandadas pelo prefeito eleito além dos interesses imediatos do grupo no poder. Léo Abreu, lamentavelmente, não compreendeu isso. Pelo contrário, fixou como objetivo eleger o pai deputado estadual. E o alcançou. Tanto é que, mal cumpriu sua missão, renunciou ao mandato. Missão pessoal, claro, nunca da comunidade cajazeirense! Carlos Antônio voltou com facilidade à prefeitura, via Denise, fortalecendo mais ainda o seu grupo, useiro e vezeiro na prática sistêmica de corrupção, até então estranha à história política de Cajazeiras. Caso de polícia, tratado pela Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça.

Responsabilidade ética.

Reforçada agora pela crença na eficácia do trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça de desmanchar organizações criminosas que assaltam, sem pudor, os cofres públicos. A Operação Andaime está aí, a expor as vísceras da ladroagem no sertão, Cajazeiras como polo regional de corrupção. Que vergonha! Nada invento. Está tudo destrinchado nas denúncias formais apresentadas pelo Ministério Público Federal e nas sentenças prolatadas por juízes federais. Lá estão descritas – com documentos, bilhetes manuscritos, nomes, datas e valores desviados dos cofres públicos -, as modalidades da roubalheira, envolvendo dezenas de prefeituras. Lá estão as provas do enriquecimento ilícito de membros do grupo no poder. Lá estão indicadas as fontes de recursos que financiam campanhas eleitorais e pagam escritórios de advocacia a fim de tentar salvar os corruptos da cadeia.

Zé Aldemir sabe tudo isso, ele que foi eventual beneficiário do esquema. Mesmo assim, o povo, sabiamente, confiou a ele a missão de tirar Cajazeiras do noticiário policial e colocá-la no rumo certo. Por isso, sua responsabilidade é enorme.

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