[FRASSALES CARTAXO] Os candidatos quase anônimos


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Eles pouco apareceram no correr da campanha. Era como se tivessem vergonha de serem candidatos, alguns até nem se diziam postulantes. Mais parecem fantasmas eleitorais. O resultado das eleições no Brasil os revelou. No Brasil, milhares de candidatos ao cargo de vereador não obtiveram nas urnas um voto sequer! Outros tantos, exibiram um único sufrágio. A eles eu chamo de os quase anônimos: o conjunto de candidatos a vereador que ficaram no zero ou com apenas um voto. Poderia incluir aí os muitos que somaram dois ou três votos, mas os excluo para não complicar.

Aqui também foi muita gente.

Conferi os dados do TSE nos 15 municípios de nossa região. Em onze deles, tivemos 81 candidatos quase anônimos. Em Cajazeiras foram 15, dos quais dez não receberam zero voto e cinco tiveram somente um sufrágio. Isso representa 14% dos 106 pleiteantes a uma cadeira na câmara municipal de nossa cidade. A maioria mulheres, treze! Apenas dois homens: professor Alencar (PTC) e doutor Eldyr, do PT do B. Eis os nomes das mulheres e respectiva filiação partidária: Cícera Gonçalves, Agda Nara e Francisco Bezerra, (PSL); Yanca Alcântara, Jacqueline Balbino e Núbia Pereira (PSOL); Alanna Maiara (PR); Leni (PROS); Zélia Oliveira (PSB); Francisca Gerônimo, Katharyne Vilar (PTC); Maria da Silva (PEN); Lúcia Maria (PTN).

Nos outros municípios do sertão de Cajazeiras o quadro é semelhante. Chega a ser vergonhoso. Em Bonito de Santa Fé, o número de candidatos quase anônimos é gritante: onze em 36 postulantes, ou seja, 30% dos inscritos! Em São João do Rio do Peixe foram 14 quase anônimos no total de 44 candidatos. Em São José de Piranhas, a quase totalidade dos 14 candidatos com zero e um voto (de 56 postulantes) é formada de mulheres. Poço de José de Moura e Monte Horebe, cada um com seis candidatos quase anônimos, num total de 21 e 24 postulantes, respectivamente. Com variados percentuais de candidatos com zero e um voto estão Joca Claudino (4 candidatos em 34), Triunfo (3 em 29), Bom Jesus, (3 em 27), Carrapateira, (3 em 19) e Uiraúna, 2 quase anônimos em 28 candidatos.

Bernardino Batista, Poço Dantas, Santa Helena e Cachoeira dos Índios não registraram nenhum candidato com zero voto. Em Bernardino, onde houve candidato único a prefeito, foram eleitas quatro mulheres entre as nove vagas, para as quais concorreram apenas onze pretendentes. Já em Cachoeira dos Índios, apenas um postulante teve um voto.

A razão fundamental da elevada presença feminina, sem voto ou com pouquíssimos sufrágios, decorre da exigência legal de que cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo, conforme estabelece o parágrafo 3º, da lei nº 9.504, de 30.09.1997, alterado pela lei nº 12.034, de 29.08.2009. É a chamada cota de candidaturas femininas. Fórmula compulsória que visa induzir os partidos políticos a abrigarem em suas representações nos parlamentos, em todos os níveis, maior número de mulheres, com o objetivo de tornar menos desequilibrada a presença feminina nas casas legislativas.

Fórmula da rama, não da raiz.

Esse é um aspecto da luta pela igualdade de gênero. Luta que esbarra em obstáculos culturais, dada a predominância do macho na sociedade brasileira, sobretudo na política, desde sempre. A lei não vai desenraizá-la de uma hora para outra. Ajuda sem descer às causas reais. A caminhada é longa até que as mulheres dispensem a muleta legal da cota. Ou saiam da sombra do marido. E isso leva tempo.

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